Foi fundador de três companhias teatrais (a última das quais a
Companhia Teatral do Chiado) e actuou em
Moçambique,
Macau,
Brasil,
Países Baixos e
Espanha. Notabilizou-se como encenador, tendo dirigido obras de autores clássicos como
Samuel Beckett,
Eduardo De Filippo,
Anton Tchekov,
August Strindberg,
Luigi Pirandello ou
Peter Shaffer. Pela sua actividade foi distinguido, diversas vezes, com prémios e distinções, pela
Casa da Imprensa, pela
Associação Portuguesa de Críticos de Teatro e pela
Secretaria de Estado da Cultura, que lhe atribuiu o Prémio Garrett (
1987). No estrangeiro foi premiado no Festival de Teatro de Sitges (
1979), com a peça
D. João VI de
Hélder Costa, e no Festival Europeu de Cinema Humorístico da Corunha (
1978), com filme
O Rei das Berlengas, de
Artur Semedo. O seu último êxito teatral foi a peça
Europa Não! Portugal Nunca (
1995).
No cinema participou em mais de quinze películas, entre elas
O Rei das Berlengas (
Artur Semedo -
1978),
Azul, Azul (de
José de Sá Caetano -
1986),
Repórter X (
José Nascimento -
1987),
A Divina Comédia (
Manoel de Oliveira -
1991),
Rosa Negra (
Margarida Gil -
1992) e
Sostiene Pereira (Roberto Faenza -
1996), onde contracenou com
Marcello Mastroianni. Teve uma colaboração regular com
José Fonseca e Costa:
Kilas, o Mau da Fita (
1981),
Sem Sombra de Pecado (
1983),
A Mulher do Próximo (
1988) e
Os Cornos de Cronos (
1991).
Deu-se a conhecer pelos seus recitais de poesia, gravando uma discografia de catorze títulos, com poemas de
Fernando Pessoa,
Luís de Camões,
Cesário Verde,
Camilo Pessanha,
Jorge de Sena,
Ruy Belo,
Eugénio de Andrade,
Bertolt Brecht e
Pablo Neruda, entre outros. Divulgou nomes como
Pedro Oom ou
Mário-Henrique Leiria. Na televisão contribuiu igualmente para a divulgação da poesia portuguesa, particularmente com duas séries dos programas
Palavras Ditas (
1984) e
Palavras Vivas (
1991). Foi colunista do
Diário Económico, onde escreveu sobre teatro e humor. Publicou uma autobiografia, intitulada
Auto-Photo Biografia (
1995).
Cantiga dos Ais
Os ais de todos os dias,
os ais de todas as noites.
Ais do fado e do folclore,
o ai do ó ai ó linda.
Os ais que vêm do peito,
ai pobre dele, coitado
que tão cedo se finou!
Os ais que vêm da alma.
Ais d’ amor e de comédia,
ai pobre da rapariga
que se deixou enganar…
ai a dor daquela mãe.
Os ais que vêm do sexo,
os ais do prazer na cama.
Os ais da pobre senhora
agarrada ao travesseiro
ai que saudades, saudades,
os ais tão cheios de luto
da viúva inconsolável.
Ai pobre daquele velhinho:
_ai que saudades menina,
ai a velhice é tão triste.
Os ais do rico e do pobre
ai o espinho da rosa
os ais do António Nobre.
Ais do peito e da poesia
e os ais de outras coisas mais.
Ai a dor que tenho aqui,
ai o gajo também é,
ai a vida que tu levas,
ai tu não faças asneiras,
ai mulher és o demónio,
ai que terrível tragédia,
ai a culpa é do António!
Ai os ais de tanta gente…
ai que já é dia oito
ai o que vai ser de nós.
E os ais dos liriquistas
a chorar compreensão?
ai que vontade de rir.
E os ais de D. Dinis
Ai Deus e u é…
Triste de quem der um ai
sem achar eco em ninguém.
Os ais da vida e da morte
Ai os ais deste país…
Armindo Mendes de Carvalho
NOTA/ADENDA: por ser o Dia das Mentiras (e porque
um gajo tem direito a enganar-se, há que dizer a verdade...) aumentámos numa década a data da morte de Mário Viegas (obrigado, amigo Carlos Faria, do blog
GEOCRUSOE, pela atenta leitura, que nos levou a corrigir o título do
post...!). Há ainda outro aspeto que queremos salientar: hoje, 01.04.2013, chegámos aos 100 seguidores...! Os nossos agradecimentos a quem nos segue, lê e critica!