sábado, agosto 29, 2026

Música adequada à data...


Título original: FADO DA VIDA
Música: José Nuno Guimarães Guedes dos Santos (1942-1973)
Letra: José Nuno Guimarães Guedes dos Santos (1942-1973)
Incipit: Nossa Senhora
Origem: Coimbra
Género: Canção de Coimbra
Arranjo: José Nuno Guimarães Guedes dos Santos (1965)
Data: 1964-1965 (SPA: 4.05.1965)

Nossa Senhora,
Dai-me um dia para amar.
Quero dizer sim à vida 
Quando a vida me deixar.         
Nossa Senhora,
Dai-me um dia para amar.

Dai-me, Senhora,
Uma flor da cor da neve.
Se a morte vem, passe ao longe,
Se a brisa vem, não a leve.
Dai-me, Senhora,
Uma flor da cor da neve.
 
 
Canta-se o 1.º dístico, canta-se o 2.º, repete-se o 2.º e finaliza-se com o 1.º.
Informação complementar:
Composição vocal de tipo estrófico para 1.º tenor. Canta-se cada estrofe seguida, repete-se o 2.º dístico, remata-se com o 1.º dístico, que funciona como uma espécie de estribilho atípico. A primeira gravação foi vocalizada pelo tenor José Manuel dos Santos, acompanhado em 1.ª guitarra de Coimbra por Nuno Guimarães, em 2.ª guitarra por Manuel Borralho, e pelos executantes de viola de seis ordens (nylon) Rui Pato/Jorge Ferraz: EP Serenata de Coimbra, Porto, Ofir AM 4.039, ano de 1965, reeditado no CD Fados e Baladas de Coimbra. Recordando Nuno Guimarães. Solfa e letra em Recordando Nuno Guimarães. O Poeta, o Músico (1942-1973), V. N. Gaia, Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, 1997, pág. 27. O arranjo de acompanhamento é da autoria de Nuno Guimarães.
Nuno Guimarães era um nietzshiano e um wagneriano. Leu e cita na sua dissertação de licenciatura o filósofo alemão. Na 1.ª estrofe, o autor invoca explicitamente Friedrich Wilhelm Nietzsch, num processo de reflexão sobre a dimensão trágica da vida: “Quero cada vez mais aprender a ver como belo aquilo que é necessário nas coisas. Amor-fati [amor ao destino]: seja este, doravante, o meu amor! Não quero fazer guerra ao que é feio. Não quero acusar, não quero nem mesmo acusar os acusadores. Que minha única negação seja desviar o olhar! E, tudo somado e em suma: quero ser, algum dia, apenas alguém que diz Sim!”(A gaia ciência: 1882).
Composição interpretada, na Serenata Monumental da Queima das Fitas de Coimbra, em maio de 1994, pelo grupo Capas Negras.

 

in Guitarra de Coimbra V

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