
A reforma tinha como objetivo reconhecer e garantir o exercício dos
direitos fundamentais e as liberdades públicas (fortemente restringidos
com a legislação vigente então), legalizar todos os partidos políticos
(o único partido legal era a
Falange) e permitir aos trabalhadores a sua sindicação e os seus direitos laborais (existia um único sindicato vertical, a
Organização Sindical, e o direito a
greve não era reconhecido). Esta reforma implicava a aprovação de uma
Lei Eleitoral para regular os comícios e a modificação do
Código Penal para eliminar os
delitos considerados políticos, além de conceder uma
amnistia aos presos por estes delitos.
- Estabelecia o conceito de soberania popular como direito político igual para todos os maiores de 21 anos (nesse momento a maioridade legal).
- Procedia a criar um sistema bicameral: Congresso dos Deputados e Senado, com um mandato de quatro anos. Os seus membros seriam eleitos por sufrágio universal livre, direto e segredo, exceto uma quinta parte dos senadores que eram designados diretamente pelo Rei.
- Autorizava expressamente o Governo ou o Congresso dos Deputados assim eleito a iniciar uma reforma constitucional, se bem que não indicava textualmente que as Cortes Generales resultantes foram a derrogar o conjunto de Leis Fundamentais
que, como bloco constitucional, mantinham a estrutura do regime
político proveniente da ditadura. Isto era assim com o fim de não
provocar a oposição dos partidários "até à morte" do regime franquista, o
chamado búnker.
Contudo, entre janeiro e abril de 1977, sucederam-se os expedientes
de legalização dos diferentes partidos políticos, entre os que se
destaca a criação da
União de Centro Democrático como força de centro-direita, liderada pelo então Presidente do governo,
Adolfo Suárez, a legalização do
Partido Socialista Operário Espanhol, em fevereiro, e do
Partido Comunista de Espanha, em abril, e a criação da
Aliança Popular.
Apesar de tudo isso, e do que implicava a reforma, a oposição propugnou
a abstenção ao considerar que a reforma era insuficiente e que a
rutura democrática era a única forma de superar o regime.
Em maio as Cortes foram dissolvidas e convocadas eleições gerais sob o sistema da nova legislação para a
15 de junho de
1977, em que ganhou a
UCD com 34,72% de votos, seguida do
PSOE com 29,25%,
PCE com 9,4% e
AP com 8%. Após o processo eleitoral, uma vez constituído o Congresso e o Senado, procedeu-se a criar a
Ponencia Constitucional, à que foi encarregue da redação de uma nova Constituição, de cariz democrático ocidental.
Em outubro de 1977 foi aprovada a última
amnistia geral, que libertava os últimos presos políticos. Este período coincide parcialmente com o denominado de
transição democrática.
Sem comentários:
Enviar um comentário