(...)
Tirou o curso de
Direito em
Coimbra. Procurador Régio em
Mirandela (1892), advogado em
Óbidos, em
1894, transfere-se para
Macau, onde, durante três anos, foi professor de Filosofia Elementar no
Liceu de Macau, deixando de leccionar por ter sido nomeado, em
1900, conservador do registro predial em Macau e depois juiz de comarca. Entre
1894 e
1915 voltou a
Portugal algumas vezes, para tratamento de saúde, tendo, numa delas, sido apresentado a
Fernando Pessoa que era, como
Mário de Sá-Carneiro, grande apreciador da sua poesia.
VIOLONCELO
Chorai arcadas
Do violoncelo!
Convulsionadas,
Pontes aladas
De pesadelo...
De que esvoaçam,
Brancos, os arcos...
Por baixo passam,
Se despedaçam,
No rio, os barcos.
Fundas, soluçam
Caudais de choro...
Que ruínas (ouçam)!
Se se debruçam,
Que sorvedouro!...
Trémulos astros...
Soidões lacustres...
– Lemos e mastros...
E os alabastros
Dos balaústres!
Urnas quebradas!
Blocos de gelo...
– Chorai arcadas,
Despedaçadas,
Do violoncelo.
in Clepsidra (1920) - Camilo Pessanha
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