Joaquim Afonso Fernandes Duarte (Ereira, 1 de janeiro de 1884 - Coimbra, 5 de março de 1958) foi um poeta português. Tem uma biblioteca com o seu nome em Montemor-o-Velho.
- Cancioneiro das Pedras (1912)
- Tragédia do Sol Posto (1914)
- Rapsódia do Sol-Nado e Ritual do Amor (1916)
- Os Sete Poemas Líricos (reedição aumentada dos anteriores, 1929)
- Ossadas (1947)
- Post-Scriptum de um Combatente (1949)
- Sibila (1950)
- Canto da Babilónia (1952)
- Canto de Morte e Amor (1952)
- Lápides e Outros Poemas (1950)
- Obra Poética (1956)
Cabelos Brancos
Cobrem-me as fontes já cabelos brancos,
Não vou a festas. E não vou, não vou.
Vou para a aldeia, com os meus tamancos,
Cuidar das hortas. E não vou, não vou.
Cabelos brancos, vá, sejamos francos,
Minha inocência quando os encontrou
Era um mistério vê-los: Tive espantos
Quando os achei, menino, em meu avô.
Nem caiu neve, nem vieram gelos:
Com a estranheza ingénua da mudança,
Castanhos remirava os meus cabelos;
E, atento à cor, sem ter outra lembrança,
Ruços cabelos me doía vê-los ...
E fiquei sempre triste de criança.
in Ossadas (1947) - Afonso Duarte


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