Nascido em ambiente rural com clima de fazenda e sítio, Pieter
Cornelis Mondrian era de uma família neerlandesa extremamente religiosa.
Seu pai, um pastor neerlandês, desejava que o filho seguisse a carreira
policial. A religião marcou o jovem Piet e o sentimento metafísico iria permear sua obra durante toda a vida, em maior ou menor grau.
Tendo um tio que trabalhava com pintura, interessou-se pela
carreira artística, mas foi obrigado a enfrentar a visão ortodoxa da
família, que via na arte um caminho para o pecado.
Vê, porém, na possibilidade de dar aulas uma resolução ao seu dilema:
prometeu ao pai estudar artes para se tornar um professor.
Insatisfeito com o magistério, Mondrian sentia a necessidade de
libertar-se e estabelecer-se como pintor, mas temia enfrentar ao pai
(que até então desaprovava a ideia) e a si mesmo, tal o peso de sua
formação religiosa. Quando entrou em contacto com a teosofia, porém,
encontra no seu ideário uma resolução para o problema: a doutrina
pregava o trilhar de um caminho evolutivo pessoal e a arte encaixava-se
neste caminho. O contacto com a teosofia irá manifestar-se no trabalho de
Mondrian e marcará sua vida profundamente daí em diante.
Piet Mondrian começou a sua carreira como pintor ao mesmo tempo
em que trabalhava como professor. A maior parte do seu trabalho deste
período é influenciada pelo naturalismo e o impressionismo. No museu Gemeente, em Haia, estão expostos vários trabalhos deste período, incluindo exemplares pós-impressionistas tais como "O Moinho Vermelho" e "Árvores ao andar". O museu também tem exemplos do seu trabalho geométrico posterior.
Após entrar em contato com a teosofia, Mondrian passa por um breve período simbolista, que lhe será fundamental para que atinja a abstração.
Este período costuma-se confundir com a radical abstração que
caracterizaria o resto de sua obra, já revelando uma certa tendência à
geometrização e à síntese
da realidade. Além do pensamento espiritual calcado na busca de uma
essência matemática e racional para a existência que caracteriza a
teosofia, Mondrian também exibiu um interesse quase obsessivo pelo jazz –
pela identificação de sua alegria contagiante com o ritmo irregular
que, ele também, possuiria um fundamento matemático.
A abordagem sequencial de três telas com árvores (A árvore vermelha - 1908, A árvore cinzenta - 1912 e Macieira em Flor - 1912), mostra como se processou a desconstrução figurativista de sua obra.
Em 1911, visitou uma exposição cubista em Amesterdão que o marcou profundamente e teve grande influência no seu trabalho posterior.
A partir de 1917 até a década de 1940 desenvolve sua grande obra neoplástica.
Essa fase de sua obra, a mais popularmente difundida, se
caracteriza por pinturas cujas estruturas são definidas por linhas
pretas ortogonais (o uso de diagonais induziria a perceção a ver
profundidade na tela e motivou o rompimento de sua amizade com Theo Van
Doesburg, posteriormente). Essas linhas definem espaços que se
relacionam de diferentes modos com os limites da pintura, e que podem ou
não serem preenchidos com uma cor primária: amarelo, azul e vermelho,
decisão que mostra sua estreita relação com as teorias estéticas da
Bauhaus e da Escola de Ulm, e que definem pesos visuais diferentes para
esses espaços. Os blocos de cor pintados de modo fosco e distribuídos
assimetricamente reforçam a ideia de um movimento superficial que se
estende perpetuamente, indicando que o pintor investia na perceção de
sua obra como uma abstração materialista e sem profundidade, criticando a
pintura histórica enquanto produzia uma abstração racionalista,
espiritualista e sobretudo concreta do mundo.
A sua obra, muitas vezes copiada, continua a inspirar a arte, o design, a moda e a publicidade que a apropriam como design, sem necessariamente levar em conta sua fundamental e filosófica recusa à imagem.
Em 1930, Lola Prusac, estilista da Casa Hermès, criou uma linha
completa de bolsas e malas que são inspiradas diretamente nas obras de
Mondrian com cortes vermelhos, amarelos e azuis.
O seu quadro Broadway Boogie-Woogie, que pode ser visto no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque-MoMa, pertence à fase posterior ao Neoplasticismo, quando Mondrian se liberta das regras a que ele próprio se impôs.