
(imagem daqui)
306
uma criança
pega o sol
numa das mãos
e com ele
faz um arco
ou talvez um gesto
que seja leve
e seja um pássaro
e então
o arco e o pássaro
soltem as asas
e no sol
o mundo
Carlos Lopes Pires
O Curso de Geologia de 85/90 da Universidade de Coimbra escolheu o nome de Geopedrados quando participou na Queima das Fitas. Ficou a designação, ficaram muitas pessoas com e sobre a capa intemporal deste nome, agora com oportunidade de partilhar as suas ideias, informações e materiais sobre Geologia, Paleontologia, Mineralogia, Vulcanologia/Sismologia, Ambiente, Energia, Biologia, Astronomia, Ensino, Fotografia, Humor, Música, Cultura, Coimbra e AAC, para fins de ensino e educação.

(imagem daqui)
306
uma criança
pega o sol
numa das mãos
e com ele
faz um arco
ou talvez um gesto
que seja leve
e seja um pássaro
e então
o arco e o pássaro
soltem as asas
e no sol
o mundo
Carlos Lopes Pires
Postado por Pedro Luna às 11:11 0 comentários
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(imagem daqui)
"desde que a literatura se tornou cúmplice"
desde que a literatura se tornou cúmplice
desde que somos poucos
os que resistem
à estória do lobo
e da raposa
à invasão da europa
por frankenstein e custer
desde que a poesia
se tornou literária e afins
a linguagem do não sei quê
com metáforas em vez
de gente
colaboracionista de um mundo
sem sentido outro que não seja
o do mercado
thackeray anunciou
eliot avisou e carroll adivinhou
mas os poetas tornaram-se
cultos e cegos
a feira o negócio
a síndroma da branca de neve
a maçã podre das igrejas
a conivência com o mundo a fingir
e agora ficou ninguém
olá ninguém
Carlos Lopes Pires
Postado por Pedro Luna às 00:04 0 comentários
Marcadores: Carlos Lopes Pires, poesia
(imagem daqui)
para seres poeta
para seres poeta
usa as palavras
como se falasses pássaro
vive entre os homens
como se fosses
um deles
e nunca eles saibam
que só vieste vê-los
dá nomes
à tua solidão
mas nenhum
que não seja teu
depois cresce
para dentro de ti
até que no mundo
já não existam sinais
da tua ausência
Carlos Lopes Pires
Postado por Pedro Luna às 05:50 0 comentários
Marcadores: Carlos Lopes Pires, poesia

Teoria sobre as coisas felizes
Conheço as coisas pelos olhos.
Seus olhos redondos e leves,
que levam as mãos de orvalho
até ao fundo do coração.
Coração de lágrimas, coração de rosas.
E sinto-as. Sinto-as quando sobem
pela pele como se fossem navios
a unir todo o mar. O mar que move
o mundo e o sustenta
com suas traves de água imensa.
O mar das coisas felizes.
Carlos Lopes Pires
Postado por Fernando Martins às 06:09 0 comentários
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Postado por Pedro Luna às 00:06 0 comentários
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(imagem daqui)
306
uma criança
pega o sol
numa das mãos
e com ele
faz um arco
ou talvez um gesto
que seja leve
e seja um pássaro
e então
o arco e o pássaro
soltem as asas
e no sol
o mundo
Carlos Lopes Pires
Postado por Fernando Martins às 18:47 0 comentários
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(imagem daqui)
para seres poeta
para seres poeta
usa as palavras
como se falasses pássaro
vive entre os homens
como se fosses
um deles
e nunca eles saibam
que só vieste vê-los
dá nomes
à tua solidão
mas nenhum
que não seja teu
depois cresce
para dentro de ti
até que no mundo
já não existam sinais
da tua ausência
Carlos Lopes Pires
NOTA - nesta data tão bonita, um poema de um excecional Poeta, que foi Professor na minha alma mater (doutorado em Psicologia pela Universidade de Coimbra, onde deu aulas) e meu colega no ISLA de Leiria (fizemos parte do Conselho Científico dessa instituição) e no mester de oferecer aulas à SemprAudaz - Universidade Sénior de Leiria...
Postado por Fernando Martins às 00:00 0 comentários
Marcadores: Carlos Lopes Pires, poesia

desde que
a literatura se tornou cúmplice
desde que a literatura se tornou cúmplice
desde que somos poucos
os que resistem
à estória do lobo
e da raposa
à invasão da europa
por frankenstein e custer
desde que a poesia
se tornou literária e afins
a linguagem do não sei quê
com metáforas em vez
de gente
colaboracionista de um mundo
sem sentido outro que não seja
o do mercado
thackeray anunciou
eliot avisou e carroll adivinhou
mas os poetas tornaram-se
cultos e cegos
a feira o negócio
a síndroma da branca de neve
a maçã podre das igrejas
a conivência com o mundo a fingir
e agora ficou ninguém
olá ninguém
in diário poético de carlos lopes pires
Postado por Fernando Martins às 14:53 0 comentários
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(imagem daqui)
183
a ti suspiramos
neste vale de lágrimas
onde choramos e
gememos
nesta espécie de
desterro
neste lugar
que já foi de árvores
nesta água
outrora limpa
e agora um
lamaçal
in "a palavra que diz o mundo" diário poético de carlos lopes pires
Postado por Fernando Martins às 12:15 0 comentários
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Teoria sobre as coisas felizes
Conheço as coisas pelos olhos.
Seus olhos redondos e leves,
que levam as mãos de orvalho
até ao fundo do coração.
Coração de lágrimas, coração de rosas.
E sinto-as. Sinto-as quando sobem
pela pele como se fossem navios
a unir todo o mar. O mar que move
o mundo e o sustenta
com suas traves de água imensa.
O mar das coisas felizes.
Carlos Lopes Pires
Postado por Fernando Martins às 06:08 0 comentários
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a minha poesia
é uma profunda ignorância
senhor
faz com que seja ainda mais
e que nela habitem os insectos
e as crianças da chuva
e que cada verso louve
a abundância da tua ausência
e que nela não haja soberba
orgulho ou impaciência
mas apenas silêncio
Postado por Pedro Luna às 00:06 0 comentários
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