
(imagem daqui)
José António Ribeiro Santos (Lisboa, 19 de março de 1946 - Lisboa, 12 de outubro de 1972), conhecido como Ribeiro Santos, foi um estudante português. Foi assassinado por um agente da polícia política devido à sua oposição ao regime ditatorial, tendo-se tornado num ícone do movimento estudantil contra o governo, até à Revolução de 25 de Abril de 1974, que restaurou a democracia em Portugal.
Biografia
Primeiros anos
Nasceu em 19 de março de 1946, na cidade de Lisboa, sendo filho de Maria Antónia Leitão Ribeiro Santos e do médico Vasco Artur Ribeiro Santos. Estudou na Escola Avé Maria e depois no Liceu Pedro Nunes, onde começou o seu envolvimento na oposição académica ao regime. Em 1965, passou a frequentar a Faculdade de Direito de Lisboa, num ano de grandes manifestações estudantis, que foram violentamente reprimidas pelo regime. Estas voltaram a ganhar força em 1967, na sequência das grandes cheias de Lisboa, e em 1968, como parte de um movimento internacional de estudantes, acrescido em Portugal de uma luta contra a guerra colonial.
Ativismo político e assassinato
Em 1972, Ribeiro Santos integra-se na Federação dos Estudantes Marxistas-Leninistas (FEM-L), a organização estudantil do Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado. Em conjunto com outros colegas, formou o movimento Ousar Lutar, Ousar Vencer. Devido à violenta repressão das autoridades, com o encerramento de várias associações de estudantes, Ribeiro Santos utilizou muitas vezes a sua casa como local de reuniões, onde se planeavam os próximos passos a dar contra a opressão do regime. Assim, foi organizado um encontro de estudantes contra a repressão, que teria lugar a 12 de outubro desse ano num pavilhão pré-fabricado no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras. Porém, antes de se iniciar a reunião, os estudantes detiveram um indivíduo no interior da escola, devido à suspeita de que seria um agente infiltrado, tendo alguns chamado a Direção-Geral de Segurança para fazer a identificação desse indivíduo. Porém, a presença dos agentes na escola provocou indignação entre os estudantes, que avançaram contra eles. Um dos agentes, Gomes da Rocha, puxou da arma e disparou contra os estudantes, atingindo Ribeiro Santos nas costas, e José Lamego, que o tentou impedir de disparar, numa perna. Ribeiro Santos é imediatamente levado pelos estudantes de medicina para o Hospital de Santa Maria, onde faleceu na sala de observações, aos 26 anos de idade.
O seu funeral, que teve lugar dois dias depois, foi marcado por grandes manifestações contra o regime ditatorial e as forças da ordem. Com efeito, apesar de ter sido marcado um carro funerário, os antigos colegas de Ribeiro Santos decidiram levar o caixão num desfile desde a casa dele até à Ajuda, mas esta tentativa foi gorada pelas forças policiais, que investiram contra os estudantes. Deste incidente resultaram vinte presos e vários feridos, incluindo alguns agentes da polícia. Na noite após o funeral, continuaram a verificar-se distúrbios, tendo sido atacadas algumas agências bancárias e a embaixada dos Estados Unidos da América. José Lamego, que inicialmente conseguiu fugir, acabou por ser preso e alvo de interrogatório, levando a protestos no hospital da prisão de Caxias, com vários prisioneiros a fazerem greve de fome. Apesar de estarem doentes, alguns destes foram transportados para Peniche.
Nos dias após o funeral, verifica-se uma paralisação quase total da Universidade Técnica de Lisboa, e continuam as manifestações académicas, tendo o governo ordenado a captura dos dirigentes das Associações de Estudantes de Ciências e do Instituto Superior Técnico. A cidade de Lisboa fica sob forte vigilância, e os agentes da Direção-Geral de Segurança fazem buscas nas residências dos dirigentes associativos, dos quais um grande número ficou preso em Caxias. Ainda assim, em Novembro continuaram a ser organizadas greves de estudantes, e o novo responsável pelo Instituto Superior Técnico, Sales Luís, decidiu encerrar aquele estabelecimento de ensino, seguido das Faculdades de Farmácia e de Letras. Aumentou o número de expulsões e suspensões entre os estudantes, e muitos que já estavam suspensos foram integrados no exército, com destino às colónias. A contestação atingiu igualmente o ensino secundário, tanto na capital como no Porto, tendo o Movimento Associativo dos Estudantes do Ensino Secundário de Lisboa (MAESL) decidido que iria impedir fisicamente os funcionários de remover os cartazes relativos ao assassinato de Ribeiro Santos.
O agente responsável pelo seu assassinato não chegou a ser levado a julgamento, embora tenha sido preso em Alcoentre após a Revolução dos Cravos, tendo sido um dos elementos da famosa fuga de elementos da PIDE, no dia 29 de junho de 1975.
in Wikipédia



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