terça-feira, março 24, 2026

Óscar Romero, santo e mártir da Igreja católica, foi assassinado há 46 anos...

        
Óscar Arnulfo Romero Galdámez, conhecido como Monsenhor Romero, (Ciudad Barrios, San Miguel, 15 de agosto de 1917 - San Salvador, 24 de março de 1980) foi um sacerdote católico salvadorenho, quarto arcebispo metropolitano de San Salvador (1977-1980).
    
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Em 3 de fevereiro de 1977 foi nomeado Arcebispo de San Salvador. Escolhido como arcebispo pelo seu aparente conservadorismo, uma vez nomeado aderiu aos ideais da não-violência, posição que o levou a ser comparado a Mahatma Gandhi e a Martin Luther King. Por isso, Óscar Romero passou a denunciar, em suas homilias dominicais, as numerosas violações de direitos humanos em El Salvador e manifestou publicamente sua solidariedade com as vítimas da violência política, no contexto da Guerra Civil de El Salvador.
Dentro da Igreja Católica, defendia a "opção preferencial pelos pobres".
   
A morte
Na homilia de 11 de novembro de 1977, Monsenhor Romero afirmou: "a missão da Igreja é identificar-se com os pobres. Assim a Igreja encontra sua salvação."
Óscar Romero foi assassinado quando celebrava a missa, a 24 de março de 1980, por um atirador de elite do exército salvadorenho, treinado na Escola das Américas. A sua morte provocou uma onda de protestos em todo o mundo e pressões internacionais por reformas em El Salvador.
Em 2010, a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou o dia 24 de março como o Dia Internacional pelo Direito à Verdade acerca das Graves Violações dos Direitos Humanos e à Dignidade das Vítimas, em reconhecimento pela atuação de D. Romero em defesa dos direitos humanos
  
Mártir, Beato e Santo
Em 1997 Romero foi declarado "Servo de Deus" pelo papa João Paulo II. Em fevereiro de 2015 o papa Francisco aprovou o decreto de beatificação do arcebispo salvadorenho, reconhecendo-o como mártir. A solenidade de beatificação foi realizada no dia 23 de maio de 2015 na capital salvadorenha e presidida pelo cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos. Estima-se que cerca de 300 mil pessoas estiveram presentes na cerimónia. Durante a cerimónia, Amato afirmou que a memória de Romero ainda estaria viva dando conforto aos pobres e marginalizados, e que Romero foi a luz do mundo e o sal da terra, pois seus perseguidores desapareceram e foram esquecidos, mas Romero continuaria a lançar luz sobre os pobres e marginalizados. O papa Francisco enviou uma mensagem pessoal, lida no início da cerimónia, na qual afirmou que: "Em tempos de coexistência difícil, Romero soube como guiar, defender e proteger o seu rebanho. [...] Damos graças a Deus porque concedeu ao bispo mártir a capacidade de ver e ouvir o sofrimento de seu povo. [...] Quando se entende bem e se assume até as últimas consequências, a fé em Jesus Cristo cria comunidades artífices de paz e solidariedade". Romero foi canonizado pelo papa Francisco a 14 de outubro de 2018. A Igreja Luterana também participou da cerimónia, com a presença do bispo salvadorenho Medardo Gómez.
Óscar Romero é o primeiro salvadorenho a ser elevado aos altares, o primeiro arcebispo martirizado da América, o primeiro a ser declarado mártir depois do Concílio Vaticano II, e o primeiro santo nativo da América Central. Embora também São Pedro de Betancur tenha sido canonizado na cidade de Santiago de los Caballeros, na Guatemala, pelo seu trabalho na região e portanto, sendo um santo centro-americano, tinha nascido em Tenerife, Espanha.
    
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A sua morte provocou uma onda de protestos em todo o mundo e pressões internacionais por reformas em El Salvador.

Em 1983, durante a sua primeira viagem à América Central, o Papa João Paulo II visitou o túmulo do arcebispo na Catedral de San Salvador e ajoelhou-se para rezar, apesar da oposição do governo e de alguns membros da Igreja que se opunham fortemente à teologia da libertação. Ele repetiu o gesto em 1996.

A Comissão da Verdade de El Salvador, criada pela ONU, em 1993, concluiu que o autor intelectual do assassinato foi o major, líder de esquadrão da morte e fundador do partido Aliança Republicana NacionalistaRoberto D’Aubuisson.

Em 7 de maio de 2000, no Coliseu de Roma, durante as celebrações do Ano Jubilar, João Paulo II comemorou os mártires do século XX. Das várias categorias de mártires, a sétima consistia em cristãos que foram mortos por defenderem seus irmãos nas Américas. Apesar da oposição de alguns conservadores sociais dentro da Igreja, João Paulo II insistiu que Romero fosse incluído. Ele pediu aos organizadores do evento que proclamassem Romero "essa grande testemunha do Evangelho".

Em 2010, a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou o dia 24 de março como o Dia Internacional pelo Direito à Verdade acerca das Graves Violações dos Direitos Humanos e à Dignidade das Vítimas em reconhecimento à atuação de Dom Romero em defesa dos direitos humanos.[58] Naquele ano, o presidente de El Salvador, Mauricio Funes, pediu desculpas em nome do Estado pelo assassinato e declarou Romero "guia espiritual da nação".

Em 22 de março de 2011, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, visitou o túmulo de Romero durante uma visita oficial a El Salvador. O presidente irlandês, Michael D. Higgins, visitou a catedral e o túmulo de Romero em 25 de outubro de 2013, durante uma visita de Estado a El Salvador. O linguista Noam Chomsky elogia o trabalho social de Romero e frequentemente se refere ao seu assassinato. Em 2014, o Aeroporto Internacional de El Salvador foi nomeado em sua homenagem, tornando-se o Aeroporto Internacional Monseñor Óscar Arnulfo Romero y Galdámez e, posteriormente, o Aeroporto Internacional San Óscar Arnulfo Romero y Galdámez em 2018, após sua canonização.

  

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