quarta-feira, janeiro 28, 2026

O poeta Rui Caeiro morreu há sete anos...

(imagem daqui)

 

Rui Caeiro (Vila Viçosa, 27 de junho de 1943 - Oeiras, 29 de janeiro de 2019) foi um escritor português, tendo sido um dos principais autores, tradutores e editores literários independentes em Portugal.

Nasceu na localidade de Vila Viçosa em 27 de junho de 1943. Concluiu uma licenciatura em direito pela Universidade de Lisboa.

Iniciou a sua carreira profissional ao serviço da empresa Eletricidade de Portugal, tendo posteriormente deixado o seu emprego para se dedicar à literatura. Trabalhou igualmente como advogado, tendo nessa altura iniciado as suas atividades literárias como editor de uma revista cultural. Destacou-se pela sua carreira como escritor de poesia, que durou cerca de três décadas, tendo lançado a sua primeira obra, Deus, sobre o magno problema da existência de Deus, em 1988. Foi um dos mais marcante escritores independentes em Portugal, tendo lançado as suas obras através de edições de autor ou empresas independentes.

Trabalhou igualmente como editor durante cerca de dez anos, junto com o escritor Vítor Silva Tavares, na Editora &etc, que foi uma das principais iniciativas de edição independente em Portugal. Também foi um dos mais importantes tradutores no meio literário português, tendo sido responsável por trazer para Portugal obras de grandes autores estrangeiros como Roberto Juarroz, Ramón Gómez de la Serna e Miguel de Unamuno. Também traduziu livros de Rainer Maria Rilke, Robert Desnos, Cesare Pavese, Marguerite Yourcenar, Henri Roorda, Nâzim Hikmet, Henri Michaux, Roger Martin du Gard. Para a editora Pianola, traduziu a obra Carta a D de André Gorz.

Faleceu em 29 de janeiro de 2019, aos 75 anos de idade, na sua residência em Oeiras. A causa da morte foi um cancro, do qual já sofria há muito tempo.
 

 

Retrato

 

Uma demora lenta nas palavras
um calor bom na palma das mãos
uma maneira de gostar das pessoas e das coisas
sem tolher movimentos ou forçar as superfícies
beber aos golinhos o café a ferver
ou o whisky chocalhado com pedrinhas de gelo
viver viver roçando as coisas ao de leve
sem poupar o veludo das mãos e do corpo
sem regatear o amor à flor da pele
olhar em torno de si perdida ou esperar o verão
e saber de um saber obscuro que o calor
todo o calor é de mais dentro que vem

 

Rui Caeiro

 

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