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Estreou-se em 1939 com a obra
Narciso, torna-se mais conhecido, em 1942, com o livro de versos
Adolescente. A sua consagração acontece em 1948, com a publicação de
As mãos e os frutos,
que mereceu os aplausos de críticos como Jorge de Sena ou Vitorino
Nemésio. A obra poética de Eugénio de Andrade é essencialmente lírica,
considerada por
José Saramago como uma
poesia do corpo a que se chega mediante uma depuração contínua.
Entre as dezenas de obras que publicou encontram-se, na poesia, Os amantes sem dinheiro (1950), As palavras interditas (1951), Escrita da Terra (1974), Matéria Solar (1980), Rente ao dizer (1992), Ofício da paciência (1994), O sal da língua (1995) e Os lugares do lume (1998).
Em
prosa, publicou
Os afluentes do silêncio (1968),
Rosto precário (1979) e
À sombra da memória (1993), além das histórias infantis
História da égua branca (1977) e
Aquela nuvem e as outras (1986).
Em setembro de 2003 a sua obra Os sulcos da sede foi distinguida com o prémio de poesia do Pen Clube Português.
Urgentemente
É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.
Eugénio de Andrade
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