quarta-feira, fevereiro 01, 2012
A Infanta Adelaide de Bragança, neta do Rei D. Miguel e afilhada de batismo dos últimos Rei e Rainha portugueses, fez ontem 100 anos!
Jantar em homenagem ao seu 100º aniversário no Centro Cultural de Belém (imagem daqui)
Maria Adelaide de Bragança van Uden, neta do Rei D. Miguel, será condecorada na terça-feira pelo Presidente da República com a Ordem de Mérito Civil, num jantar em Lisboa, no qual celebrará cem anos.
A condecoração será imposta durante o jantar de homenagem à infanta no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, pelo embaixador Pinto da França, chanceler da Ordem de Mérito, em representação do Presidente da República.
A infanta Maria Adelaide, que será agraciada com o grau de Grande Oficial da Ordem de Mérito Civil, integrou a resistência austríaca aos nazis, esteve presa e veio viver para Portugal, onde criou a Fundação Nun’Álvares Pereira para apoio aos carenciados.
Maria Adelaide de Bragança “é um exemplo de vida pela estatura moral", disse à agência Lusa Raquel Ochoa, autora de uma biografia da infanta editada em Maio passado.
Referindo-se à actividade de Maria Adelaide como resistente aos nazis, na Áustria, Raquel Ochoa considerou que é “um ato heróico, mas quando questionada sobre a questão, Dona Maria Adelaide apenas afirma que foi uma reacção natural com algo com que não concordava. Era-lhe impossível viver num mundo assim”.
“A resistência era como respirar, perante a educação que tinha tido e os ideais que tinha. Não resistir é que era uma violência contra ela mesma. Resistir era um acto natural”, explicou a biógrafa.
Maria Adelaide foi detida pelas tropas nazis, tendo sido salva de fuzilamento in extremis e após várias diligências de António Oliveira Salazar, então Presidente do Conselho de Ministros, que se indignou por terem prendido uma infanta portuguesa.
A autora sublinhou que Maria Adelaide de Bragança van Uden “teve outros actos heróicos” e referiu o seu trabalho “como assistente social em prol das populações desfavorecidas” na margem sul do Tejo, desenvolvido de “forma discreta”.
“Ela [Maria Adelaide] percebeu que através da discrição não era notada nem perseguida, além de, por educação, não gosta de fazer alarde do que faz, há zero de gabarolice nesta família, o que é a antítese da sociedade em que vivemos”, disse.
Esta acção social foi feita no âmbito da Fundação Nun'Álvares Pereira que se diluiu após o 25 de Abril de 1974.
Referindo-se à posição da infanta ao regime que antecedeu a revolução de 1974, Raquel Ochoa afirmou que “reconheceu Salazar como quem pôs em ordem as contas do Estado, mas insurgiu-se sempre contra os métodos usados”.
Na obra, intitulada “D. Maria Adelaide de Bragança. A Infanta Rebelde”, com chancela da Oficina do Livro, Duarte Pio de Bragança refere no prefácio que a tia é “um exemplo”.
NOTA: é bonito ver o estado português a reconhecer, na festa do centenário da Infanta Rebelde, as suas proezas e desejo de ajudar o próximo. Tia-avó do atual Duque de Bragança, é a última neta de um Rei de Portugal ainda viva, lenda viva da resistência contra os nazis e da vontade de ajudar. É ainda de salientar que os seus padrinhos de batismo, no âmbito da reconciliação dos dois ramos da Casa de Bragança, foi o Rei D. Manuel II e a sua Rainha-Mãe, Dª Amélia de Orleães e Bragança. É assim um símbolo de reconciliação nacional, tal como o seu sobrinho-neto, D. Duarte Pio de Bragança, o chefe da Casa Real Portuguesa, que é trineto do Rei D. Miguel, por parte do pai, e tetaraneto do Rei D. Pedro IV, por parte da mãe (e, curiosamente, também afilhado de batismo da Rainha Dª Amélia...).
Postado por Fernando Martins às 23:05
Marcadores: casa de Bragança, Duque de Bragança, infanta, Maria Adelaide de Bragança van Uden, Ordem de Mérito Civil
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