Considerado um dos maiores bailarinos de seu tempo, viveu a dança
desde muito cedo, pois era filho de bailarinos polacos, que se
apresentavam em teatros e circos. Dançando nas apresentações de seus
pais, atuou desde o quatro anos de idade.
Após o seu pai ter abandonado a família, mudou-se com a sua mãe para
São Petersburgo, na
Rússia.
Com dez anos de idade, iniciou os seus estudos em dança na escola de balé
do Teatro Imperial. Aos dezoito anos foi o par da bailarina
Anna Pavlova. No ano seguinte, em
1909, viajou para
Paris com a companhia de balé de
Sergei Diaghilev, na qual obteve reconhecimento internacional.
Para os críticos, Nijinski era dotado de uma técnica extraordinária. Por isso, foi chamado por muitos como
o deus da dança,
a oitava maravilha do mundo e
o Vestris do Norte (referência ao bailarino francês
Auguste Vestris, junto ao qual seria sepultado, no cemitério de
Montmartre, em Paris). Nijinski revolucionou o balé no início do
século XX, conciliando a sua técnica com um poder de sedução da plateia, os seus saltos pareciam desafiar a lei da gravidade.
Com coreografias de Fokine, dançou:
Silfides,
Petrushka,
Sherazade,
Espectro da Rosa
entre outros. Como coreógrafo, Nijinski era considerado ousado e
original, sendo atribuído a ele o início da dança moderna. Uma de suas
coreografias mais polémicas foi
L'Aprés-Midi d'un Faune, com música de Debussy, vaiada em sua estreia, em
1912. Outras muito conhecidas foram
A Sagração da Primavera e
Till Eulenspiegel.
O
relacionamento com Diaghilev ficou bastante abalado quando Nijinski se apaixonou pela bailarina
Romola de Pulszkie e casou com ela, em
1913, em
Buenos Aires. Por uns tempos, foi afastado do grupo, voltando a fazer parte da companhia em
1916, nos Estados Unidos.
Em
1919, aos 29 anos, acometido por distúrbio mental (
esquizofrenia),
abandonou os palcos. A esquizofrenia do bailarino caracterizava-se,
sobretudo pela desordem de pensamento. Essa marca é bastante evidente em
trechos de seus diários: "Tenho uma copeira seca, porque sente. Ela
pensa muito, porque foi dessecada no outro lugar onde ela serviu por
muito tempo". O seu impressionante diário, escrito em
1919, foi publicado por Romola de Pulszki em
1936.
Entretanto, nessa versão, Romola eliminou um terço dos textos
originais, suprimindo todos os versos e vários trechos com passagens
eróticas.
Nijinski passou por inúmeras clínicas psiquiátricas até completar os 60 anos. Morreu, numa clínica em
Londres, em
8 de abril de
1950. Somente em
1995 uma edição integral dos originais de seu diário foi publicada na França, pela editora
Actes Sud, graças ao consentimento da filha de Nijinski, Tamara.