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sábado, setembro 05, 2026

Hoje foi o Dia Internacional dos Abutres...

 Dia Internacional dos Abutres - 1º sábado de setembro (05/09/2026)

 

Dia Internacional dos Abutres - 1º sáb. set. (5/9/2026)

Foto: abutre-preto e grifo (Cristina Girão Vieira) e britango (João Figueiredo)

 



Os abutres são os “limpadores” dos campos, pois evitam a propagação de doenças, ao comerem as carcaças dos animais mortos. São também um recurso socioeconómico, como atrativo turístico. Porém, são incompreendidos e, injustamente, têm má fama.

Os abutres são essencialmente aves necrófagas (alimentam-se sobretudo de animais mortos). Localizam rapidamente o cadáver de um animal, sobretudo em terreno aberto. Muitas vezes gralhas e corvos assinalam a presença das carcaças, tornando mais fácil a sua deteção pelos abutres. As várias espécies exploram diferentes partes do cadáver, devido a adaptações morfológicas e comportamentais.

Em Portugal continental, apenas 3 espécies de abutres ocorrem regularmente, i.e. o abutre-preto, o grifo e o britango. São espécies protegidas, dada a sua importância quer como agentes de higiene dos campos (eliminando animais mortos e restos) quer pelo seu papel nos ecossistemas.

O maior é o abutre-preto (Aegypius monachus), com bico muito largo e robusto e pescoço parcialmente sem penas, dando-lhe um aspeto de monge com capuz, daí o nome científico de monachus (monge). Aegypius significa abutre. Alimenta-se principalmente dos tecidos duros da parte externa, como pele, tendões e músculos. As suas fortes garras podem arrancar pedaços de carne. Em voo, identifica-se facilmente pelas asas, lembrando duas tábuas. Encontra-se essencialmente em 5 núcleos reprodutores, estando a maioria no Tejo Internacional, seguindo-se Moura/Barrancos e pequenas colónias na serra da Malcata, no Douro Internacional e na Vidigueira. Em Portugal, a sua população reprodutora está “Em Perigo” de extinção (estima-se 119 a 126 casais), mas tem vindo a recuperar. Saiba mais AQUI.

Com o nome científico de Gyps fulvus (Gyps = abutre + fulvus = amarelo-acastanhado), o grifo-comum tem o pescoço sem penas e um bico cortante e robusto, o que, através dos orifícios naturais, lhe permite aceder às partes internas, extraindo as vísceras e músculos. Em Portugal, a sua população reprodutora tem a categoria de “Pouco Preocupante” (estima-se 1217 casais) e encontra-se em dois núcleos, i.e. nordeste (sobretudo na zona central do Douro Internacional e no vale do Águeda) e Beira Alta/Baixo Alentejo (principalmente no Tejo Internacional), onde existem grandes escarpas rochosas e próximo de zonas de alimentação. Sobretudo no outono e no inverno, ocorrem regularmente indivíduos não reprodutores no sul do país (destaque para os distritos de Beja e Évora), sendo expressiva a passagem na migração outonal na costa sudoeste. Saiba mais AQUI.

O mais pequeno e claro dos nossos abutres, o britango ou abutre-do-egito (Neophron percnopterus) era sagrado no Antigo Egito e associado à deusa Ísis, tendo mesmo um hieróglifo, talvez porque os antigos reconheciam o importante papel dos abutres na manutenção da saúde dos campos e das comunidades humanas. Aparece ainda referido na Bíblia. Neofron foi uma personagem mitológica grega e trapaceira que os deuses transformaram em abutre e percnopterus significa que tem as asas (pteros) escuras (perknos). Migradora como o cuco dizia-se que lhe trazia as cartas, daí o seu nome, correio-do-cuco! Tem bico fino e fraco e pescoço com penas, pelo que aproveita os restos espalhados em redor do cadáver e as partes moles e de fácil acesso (olhos, língua e mucosas). O britango é o que tem uma dieta mais variada, consumindo resíduos orgânicos, pequenos vertebrados (ex. mamíferos, répteis, anfíbios, aves e peixes) e até insetos. Inteligente, é uma das poucas aves que usa ferramentas. Passa o inverno em África, vindo a Portugal para nidificar, porém, em 18 anos, estima-se que houve uma diminuição de 10 %, na população reprodutora no nosso país, já não nidificando no sul e em grande parte de Trás-os-Montes e Alto Douro, estando a sua população reprodutora “Em Perigo” de extinção (estima-se 78 casais). Nidifica em arribas rochosas de rios (principalmente no Douro internacional, mas também no Tejo Internacional) e em pequenos cerros na zona raiana oriental, dependendo de pastagens abertas extensas ou montados com alimento. Saiba mais AQUI.

Todos estes abutres atingem a maturidade sexual tarde e têm baixas taxas reprodutoras, geralmente põe apenas 1 ovo (o britango põe dois), o que torna difícil recuperar ou aumentar as populações.

Usados ilegalmente nos campos, os venenos matam indiscriminadamente estas aves e outros animais essenciais ao bom funcionamento dos ecossistemas, sem esquecer os domésticos.

Seja um(a) agente da conservação da natureza e da proteção dos animais, evite atividades perto de ninhos e mantenha o meio rural livre de venenos!

Os abutres são os “limpadores” dos campos, pois evitam a propagação de doenças, ao comerem as carcaças dos animais mortos. São também um recurso económico, como atrativo turístico.

Usados ilegalmente nos campos, os venenos matam indiscriminadamente estas aves e outros animais essenciais ao bom funcionamento dos ecossistemas, sem esquecer os animais domésticos. Seja um agente da conservação da natureza e da proteção dos animais, evite atividades perto dos ninhos e mantenha o meio rural livre de venenos! 


in natural.pt