Salgado viajou por mais de 120 países para seus projetos fotográficos. A maioria deles apareceu em inúmeras publicações de imprensa e livros. Exposições itinerantes de seu trabalho foram apresentadas em todo o mundo.
Trabalhando inteiramente com fotos em preto e branco, o respeito de Sebastião Salgado pelo seu objeto de trabalho e sua determinação em mostrar o significado mais amplo do que estava acontecendo com essas pessoas criou um conjunto de imagens que testemunham a dignidade fundamental de toda a humanidade ao mesmo tempo que protestam contra a violação dessa dignidade por meio da guerra, pobreza e outras injustiças sociais.
Salgado foi Embaixador da Boa Vontade da UNICEF. Ele recebeu o W. Eugene Smith Memorial Fund em 1982, foi membro honorário estrangeiro da Academia de Artes e Ciências dos Estados Unidos desde 1992 e recebeu a Medalha do Centenário e Bolsa Honorária da Royal Photographic Society (HonFRPS) em 1993. Foi também membro da Academia de Belas-Artes de Paris pertencente ao Institut de France com início em abril de 2016.
Nasceu na vila de Conceição do Capim, viveu sua infância em Expedicionário Alício. Graduou-se em Economia pela Universidade Federal do Espírito Santo (1964-1967). Realizou mestrado na Universidade de São Paulo e doutorado na Universidade de Paris, ambos também em Economia.
Fotografia
Salgado inicialmente trabalhou como secretário para a Organização Internacional do Café (OIC). Em suas viagens de trabalho para a África, muitas vezes encomendado conjuntamente pelo Banco Mundial, fez sua primeira sessão de fotos, nos anos 70, com a Leica da sua esposa.
Fotografar o inspirou tanto que logo depois ele tornou-se independente
em 1973, como fotojornalista e, em seguida, voltou para Paris.
Em 1979, depois de passagens pelas agências de fotografia Sygma e Gamma, entrou para a Magnum. Encarregado de uma série de fotos sobre os primeiros 100 dias de governo de Ronald Reagan, Salgado documentou o atentado a tiros cometido por John Hinckley, Jr. contra o então presidente dos Estados Unidos, no dia 30 de março de 1981, em Washington.
A venda das fotos para jornais de todo o mundo permitiu ao brasileiro
financiar seu primeiro projeto pessoal: uma viagem à África.
Seu primeiro livro, Outras Américas, sobre os pobres na América Latina, foi publicado em 1986. Na sequência, publicou Sahel: O "Homem em Pânico" (também publicado em 1986), resultado de uma longa colaboração de doze meses com a organização não governamental Médicos sem Fronteiras cobrindo a seca no Norte da África. Entre 1986 e 1992, ele concentrou-se na documentação do trabalho manual em todo o mundo, publicada e exibida sob o nome "Trabalhadores", um feito monumental que confirmou sua reputação como foto documentarista de primeira linha.
De 1993 a 1999, ele voltou sua atenção para o fenômeno global de desalojamento em massa de pessoas, que resultou em Êxodos e Retratos de Crianças do Êxodo, publicados em 2000 e aclamados internacionalmente. Na introdução de Êxodos,
escreveu: "Mais do que nunca, sinto que a raça humana é somente uma. Há
diferenças de cores, línguas, culturas e oportunidades, mas os
sentimentos e reações das pessoas são semelhantes. Pessoas fogem das
guerras para escapar da morte, migram para melhorar sua sorte, constroem
novas vidas em terras estrangeiras, adaptam-se a situações extremas…".
Em setembro de 2000, com o apoio das Nações Unidas e do UNICEF,
Sebastião Salgado montou uma exposição no Escritório das Nações Unidas
em Nova Iorque, com 90 retratos de crianças desalojadas extraídos de sua
obra Retratos de Crianças do Êxodo. Essas fotografias prestam
testemunho a 30 milhões de pessoas em todo o mundo, a maioria delas
crianças e mulheres sem residência fixa.
Sebastião Salgado foi internacionalmente reconhecido e recebeu praticamente todos os principais prêmios de fotografia do mundo como reconhecimento por seu trabalho. Fundou em 1994 a sua própria agência de notícias, As Imagens da Amazônia, que representa o fotógrafo e seu trabalho. Salgado e sua esposa Lélia Wanick Salgado, autora do projeto gráfico da maioria de seus livros, fixaram residência em Paris. O casal tem dois filhos, Juliano Salgado, nascido em 1974, e Rodrigo, nascido em 1979, que tem síndrome de Down. Juliano é cineasta e dirigiu, juntamente com o também fotógrafo Wim Wenders, o documentário O Sal da Terra, sobre o trabalho de seu pai. que foi indicado ao Óscar 2015 de melhor documentário. Em 6 de dezembro de 2017, tomou posse da cadeira n.º 1, das quatro cadeiras de fotógrafos da Academia de Belas Artes da França, substituindo Lucien Clergue, que morreu em 2014. Na cerimônia oficial de posse como imortal da Academia, recebeu o fardão e a espada, sendo o primeiro brasileiro a integrar o rol de imortais da instituição.
Ambientalismo
Ao longo dos anos, Sebastião Salgado tem contribuído generosamente com organizações humanitárias incluindo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, (ACNUR), a Organização Mundial da Saúde (OMS), a ONG Médicos sem Fronteiras e a Anistia Internacional. Com sua esposa, Lélia Wanick Salgado, apoia atualmente um projeto de reflorestamento e revitalização comunitária em Minas Gerais (Instituto Terra).
Vida pessoal
Casou-se com a pianista Lélia Deluiz Wanick, com quem teve dois filhos: Juliano e Rodrigo.
Em entrevista para a TV Cultura Sebastião Salgado expressou a sua paixão pelo Fluminense.
Morte
Sebastião Salgado morreu em 23 de maio de 2025, aos 81 anos de idade, em Paris, França. A causa da morte foi uma leucemia grave, desenvolvida como complicação de uma malária contraída em 2010 durante uma expedição fotográfica na Indonésia.Prémios
- Prémio Príncipe de Astúrias das Artes, 1998.
- Prémio Eugene Smith de Fotografia Humanitária.
- Prémio World Press Photo
- The Maine Photographic Workshop ao melhor livro foto-documental.
- Eleito membro honorário da Academia de Artes e Ciências dos Estados Unidos
- Prémio pela publicação do livro Trabalhadores.
- Medalha da Inconfidência.
- Medalha de prata Art Directors Oub nos Estados Unidos.
- Prémio Overseas Press Oub oí America.
- Alfred Eisenstaedt Award pela Magazine Photography.
- Prémio Unesco categoria cultural no Brasil.
- 40º Prêmio Jabuti de Literatura: categoria reportagem
- Prémio Muriqui
- Doutoramento Honoris Causa pela Universidade Federal do Espírito Santo (2016)
- Doutoramento Honoris Causa pela Universidade Federal do Acre (2016)
- Prémio da Paz do Comércio Livreiro Alemão (2019)
- Doutoramento Honoris Causa pela Universidade de Harvard (2021)
- Praemium Imperiale (2021)



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