Afinal, as “piscinas da morte” mostram-nos como começou a vida

Estas crateras marcam a formação de poças de salmoura, a partir das quais o sal se infiltrou pelo fundo oceânico e incrustou o substrato adjacente
As chamadas “piscinas da morte” no fundo do Mar Vermelho podem ajudar a explicar como surgiram algumas das primeiras formas de vida na Terra, muito antes de a atmosfera ficar rica em oxigénio.
A oxidação de metais, como o manganês e o ferro, poderá ter fornecido a energia necessária aos primeiros microrganismos dos oceanos, sugere um estudo publicado na AGU Advances no passado dia 2 de setembro.
Estas piscinas de salmoura são semelhantes a lagos submersos, formados no fundo do mar. Têm concentrações muito elevadas de sal, não recebem luz e praticamente não contêm oxigénio, explica a autora de ciência Rebecca Dzombak no Eos. Durante anos, as “piscinas da morte” fizeram jus ao nome: eram consideradas ambientes sem vida, até que os cientistas descobrirem bactérias e arqueias extremófilas capazes de prosperar nestas condições.
Uma equipa de investigadores analisou sedimentos e matéria orgânica de uma piscina de salmoura ativa no Mar Vermelho, a cerca de 1770 metros de profundidade, além de três zonas normais do fundo marinho e de uma depressão que terá correspondido a uma antiga piscina entretanto extinta. A piscina ativa estava repleta de microrganismos.
Sob a camada microbiana, os sedimentos tinham concentrações muito elevadas de metais como manganês, ferro, molibdénio e cobre. Em algumas zonas, os valores eram mais de 100 vezes superiores aos registados nos sedimentos fora das piscinas de salmoura.
A antiga piscina, a quase 1.400 metros de profundidade e identificada através de anéis minerais em redor de uma depressão onde se acumulavam organismos marinhos mortos, revelou um padrão químico semelhante.
As análises genéticas detetaram também microrganismos capazes de oxidar manganês, incluindo bactérias do género Nitrospira.
Aliado à presença de compostos oxidados de ferro e manganês nos sedimentos, este resultado reforça a hipótese de que a oxidação microbiana destes metais poderia ter servido como fonte de energia antes do Grande Evento de Oxigenação, que aconteceu há cerca de 2,4 a 2,2 mil milhões de anos.
Os autores concluem que a acumulação de metais nos oceanos primitivos não dependia necessariamente da fotossíntese, mas admitem que são necessários estudos novos no futuro. A oxidação química de manganês e ferro poderá ter sido um dos motores metabólicos da vida mais antiga da Terra.
in ZAP

