Boris Spassky em 1984
Aprendeu a jogar xadrez aos cinco anos de idade e, aos 18 ganhou o
Campeonato do Mundo de Xadrez de Juniores, disputado na cidade belga de
Antuérpia, e tornou-se
GMI (
grandmaster - Grande Mestre Internacional, distinção atribuída no mundo do xadrez segundo critérios muito restritivos).
Spassky
era considerado um jogador equilibrado, podendo adaptar o seu estilo
de jogo ao adversário, o que lhe conferiu uma boa vantagem para levar
de vencida muitos
grandmasters de topo. Por exemplo, no
match
final do torneio dos candidatos (onde o vencedor será o contendor do
campeão do mundo em título, disputando-lhe o título) contra
Mikhail Tal, um táctico lendário (
Tbilisi,
1965), Spassky consegui conduzir o jogo evitando a força da táctica de Tal. Esta vitória conduziu-o para o seu primeiro
match pelo Campeonato do Mundo contra
Tigran Petrosian em
1966.
Spassky acabou por perder por 12,5 – 11,5, mas ganhou o direito a
desafiar Petrosian novamente três anos depois. Mais uma vez, a
flexibilidade do estilo de Spassky foi a chave para a vitória que acabou
por celebrar contra Petrosian, por 12,5 – 10,5, no campeonato de
1969 – ao adaptar-se ao estilo de Petrosian.
O
reinado de Boris Vasilievich Spassky como Campeão do Mundo durou
apenas três anos, uma vez que perder o título para o americano
Bobby Fischer em
1972. A disputa foi em
Reykjavík, capital da
Islândia, no auge da
Guerra Fria e consequentemente foi vista como um símbolo da confrontação política existente. Fischer ganhou e Spassky voltou para a
URSS em desgraça, apesar disso Spassky continuou a jogar ganhando vários campeonatos incluindo o
Campeonato Soviético em
1973.
Em
1974, no apuramento dos candidatos, Spassky perdeu para a estrela em ascensão
Anatoly Karpov
em Leningrado, +1 -4. Karpov reconheceu publicamente a superioridade
de Spassky, mas após uma série de jogos soberbos, Karpov conquistou os
pontos suficientes para conquistar o
match.
Nos
anos seguintes Spassky mostrou-se relutante a dedicar-se totalmente ao
xadrez. Confiando no seu talento natural soberbo para o jogo, e por
vezes preferia jogar uma partida de
ténis,
em vez de trabalhar afincadamente no tabuleiro. Com efeito, o
Campeonato Mundial de 1972 e o match dos candidatos contra Karpov em
1974 assinalaram o início duma fase descendente da carreira de Spassky.
Spassky casou-se com uma senhora francesa na década de 70, adquirindo
a nacionalidade francesa em
1978.
Em 1992, Fischer, após um afastamento de vinte anos do xadrez, reapareceu para jogar contra Spassky em
Belgrado e
Montenegro, reeditando o Campeonato Mundial de 1972. Na altura, Boris Spassky ocupava a 106ª posição no ranking da
FIDE, enquanto Fischer, devido à sua inactividade durante 20 anos, nem aparecia na lista. Este
match
foi basicamente o último grande desafio de Boris, infelizmente
problemas de saúde não lhe permitiram apresentar uma performance
credível exceptuando em algumas partidas – o resultado foi +5 -10 =1.