domingo, junho 07, 2026

Notícia sobre a geologia de São Pedro de Moel e o Doutor Luís Vítor Duarte, do DCT/UC

São Pedro de Moel tem o registo mais completo do mundo de período crítico da história da Terra

 

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São Pedro de Moel (Cortesia da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra)


Arribas de São Pedro de Moel guardam o registo geológico mais completo do mundo de um período crítico do Jurássico.

São Pedro de Moel entra nos registos importantes da investigação arqueológica a nível mundial.

As arribas costeiras de São Pedro de Moel e das Astúrias (Espanha) conservam o registo mais completo conhecido a nível mundial de um período crítico da história da Terra.

O período em causa é a transição entre os andares Sinemuriano e o Pliensbaquiano, ocorrida há cerca de 193 milhões de anos, no Jurássico Inferior.

A revelação surge num novo estudo, que contou com investigadores do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente da Universidade de Coimbra.

Estas duas regiões ibéricas são autênticos “laboratórios naturais”, lê-se em comunicado. A análise detalhada de fósseis de amonites permitiu refinar a escala de tempo geológico com uma precisão sem precedentes.

Foram analisados, ao detalhe, fósseis de amonites, antigos moluscos cefalópodes marinhos; assim, os investigadores conseguiram refinar a escala do tempo geológico com uma precisão sem precedentes.

As secções de Água de Madeiros (Marinha Grande) e Pedra do Ouro (Alcobaça) são referências globais pela sua continuidade estratigráfica e riqueza fóssil, superando em detalhe muitas outras regiões europeias.

“Como os fósseis estão muito bem preservados e aparecem de forma contínua, é possível comparar com grande precisão estas camadas em Portugal e noutros países da Europa, ajudando a construir uma escala do tempo geológico mais exata a nível global”, analisa Luís Vítor Duarte, coautor do estudo.

Esta investigação mostra que variações significativas no nível do mar e alterações no ciclo global do carbono, identificadas através de análises geoquímicas, estiveram associadas a episódios de extinção de grupos de amonites e ao aparecimento de novas espécies mais adaptadas às mudanças ambientais.

Assim se percebe, de forma mais clara, como as crises ambientais influenciaram a evolução da vida marinha há cerca de 190 milhões de anos.

Cada “horizonte” de amonites – unidade fundamental usada na datação destes registos geológicos – corresponde em média a cerca de 100 mil anos, possibilitando uma leitura de alta resolução do passado da Terra.

Este também fornece novos elementos para compreender as ligações paleobiogeográficas entre diferentes bacias marinhas do Jurássico Inferior, incluindo discussões relacionadas com o chamado “Corredor Hispânico”, uma antiga ligação marinha entre o Tétis e o Pacífico que poderá ter facilitado a dispersão de organismos marinhos.

 

in ZAP

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