sábado, março 09, 2019

Gagarin nasceu há 75 anos!

Yuri Alekseievitch Gagarin (Kluchino, 9 de março de 1934 - Kirjatch, 27 de março de 1968) foi um cosmonauta soviético e o primeiro homem a viajar pelo espaço, em 12 de abril de 1961, a bordo da Vostok 1, que tinha 4,4 m de comprimento, 2,4 m de diâmetro e pesava 4.725 quilos kg. Esta nave espacial possuía dois módulos: o módulo de equipamentos (com instrumentos, antenas, tanques e combustível para os retrofoguetes) e a cápsula onde ficou o cosmonauta.
   
Primeiros anos
Yuri Gagarin nasceu numa quinta coletiva na localidade de Kluchino, distrito de Gjatski (mais tarde batizada de Gagárin, em sua homenagem) - numa região a oeste de Moscovo, Rússia, parte da então União Soviética. Os seus pais, Aleksei Ivanovitch Gagarin e Anna Timofeievna Gagarina, trabalhavam numa kolkhoz (fazenda coletiva). Os trabalhadores manuais eram descritos nos relatórios oficiais como "camponeses", o que indica que isto pode ser uma simplificação no caso de seus pais - a mãe dele teria sido uma leitora voraz, e seu pai um hábil carpinteiro. Gagarin foi o terceiro de quatro filhos e sua irmã mais velha ajudou a criá-lo, enquanto os seus pais trabalhavam. Como milhões de pessoas na União Soviética, a família Gagarin sofreu durante a ocupação nazi na Segunda Guerra Mundial. Os seus dois irmãos mais velhos foram deportados para a Alemanha nazi em 1943, onde foram empregados como OST-Arbeiter's (escravos) e não voltaram até depois da guerra. Quando jovem, Gagarin passou a interessar-se pelo espaço e planetas, e começou a sonhar com uma viagem no espaço que um dia se tornaria uma realidade. Gagarin foi descrito pelos seus professores em Liubertsi, cidade-satélite de Moscovo, como inteligente e trabalhador, e por vezes malicioso. O seu professor de matemática e ciência tinha servido na Força Aérea Soviética durante a Segunda Guerra Mundial, o que provavelmente foi uma substancial influência para o jovem Gagarin.
Após iniciar um curso de moldador em uma escola profissionalizante próxima de Moscovo e de iniciar um estágio numa fábrica metalúrgica como fundidor, Gagarin foi selecionado para o ensino secundário técnico em Saratov. Enquanto isso, ele juntou-se ao "AeroClub", e aprendeu a pilotar um avião leve, um passatempo que assumiria uma proporção crescente do seu tempo. Em 1955, após concluir a sua formação técnica, entrou para treino de voo militar na Escola de Pilotos de Orenburg. Lá, ele conheceu Valentina Ivanovna Goryacheva, com quem casou em 1957, após ganhar as suas asas de piloto num MiG-15. Após formado, foi enviado à base aérea de Luostari, no Oblast de Murmansk, perto da fronteira norueguesa, onde o tempo terrível tornava os voos arriscados. Ele tornou-se tenente da Força Aérea Soviética a 5 de novembro de 1957 e, em 6 de novembro de 1959, recebeu a patente de tenente sénior.

Carreira no Programa Espacial Soviético
Em 1960, Gagarin foi um dos 20 pilotos selecionados, após difíceis processos de selecção física e psicológica, para o programa espacial soviético, e acabou por ser escolhido para ser o primeiro a ir ao espaço, pela sua excelente performance nos treinos, a sua origem camponesa – que contava pontos no sistema comunista - a sua personalidade magnética e esfuziante, e principalmente devido às suas características físicas – ele tinha 1,57 m de altura e 69kg – já que a nave programada para a viagem pioneira em órbita, a nave Vostok (que em russo significa "Oriente"), tinha um espaço mínimo para o piloto.
Minutos antes do embarque na nave Vostok 1, Gagarin disse o seguinte:
Queridos amigos, conhecidos e estranhos, meus conterrâneos queridos e toda a humanidade, em poucos minutos, possivelmente uma nave espacial irá me levar para o espaço sideral.



Toda a minha vida parece-me neste momento único e belo. Tudo que eu fiz e vivi foi para isso!
  
Primeiro Homem no Espaço
Cquote1.svg A Terra é azul. Como é maravilhosa. Ela é incrível! 10 Cquote2.svg
Iuri Gagarin
Com apenas 27 anos, Iuri Gagarin tornou-se o primeiro ser humano a ir ao espaço, a bordo da nave Vostok 1, na qual deu uma volta completa em órbita ao redor do planeta. Esteve em órbita durante 108 minutos, a uma altura de 315 km, num vôo totalmente automatizado, com uma velocidade aproximada de 28.000 km/h. Pela proeza, recebeu a medalha da Ordem de Lenin.

Órbita da Vostok 1 - um erro de cálculo fez com que a aterragem ocorresse a mais de 300 km do local da descolagem

A Viagem

A nave espacial entrou em órbita, e o foguete separou-se, a gravidade desapareceu.
No início, a sensação era de algo incomum, mas eu logo me adaptei...
Eu mantive contato com a Terra em diferentes canais por telefone e telégrafo.
Às nove horas e sete minutos da manhã (horário de Moscovo) do dia 12 de Abril de 1961, a cápsula com o foguete “Soyuz-R-7″ foi lançada de uma plataforma em Baikonur, no Cazaquistão. Neste voo ele disse as famosas frases:
A Terra é azul
Olhei para todos os lados, mas não vi Deus.

O Coronel Valentin Petrov afirmou em 2006 que o cosmonauta nunca disse tais palavras, e que a citação originou-se do discurso de Nikita Khrushchev, no plenário do Comité Central do PCUS sobre a campanha anti-religião do Estado, dizendo que "Gagarin voou para o espaço, mas não viu qualquer Deus lá." Como Gagarin era um membro da Igreja Ortodoxa Russa, é bem provável que ele realmente não tenha dito tais palavras.
Os cientistas russos calcularam erradamente (por duas vezes) a trajetória de aterragem da nave, (como pode ser percebido na imagem que mostra a órbita da naveespacial). Este erro fez com que a cápsula espacial de Gagarin aterrasse no Cazaquistão, a mais de 320 quilómetros do local inicialmente previsto (que era o local de descolagem). Isto fez com que no momento da aterragem não estivesse ninguém à sua espera.
Os soviéticos declararam que Gagarin aterrou no interior da cápsula espacial, quando na realidade o astronauta utilizou-se de um pára-quedas na sua aterragem. A União Soviética negou esse facto durante anos, com medo de o voo não ser reconhecido pelas entidades internacionais, já que o piloto não acompanhou a nave até ao final.
Promovido de tenente a major enquanto ainda estava em órbita, foi com esta patente que a Agência Tass soviética anunciou este espetacular feito ao mundo, que assim tomava conhecimento de que entrava numa nova era, a Era Espacial, a partir daquele momento.
Após o feito, Gagarin tornou-se instantaneamente uma celebridade soviética e mundial e passou a viajar pelo mundo promovendo a tecnologia espacial do seu país, sendo recebido como herói por reis, rainhas, presidentes e multidões por onde passava.
Na América, ele passou por Cuba e pelo Brasil, onde esteve no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Brasília. Em terras brasileiras, foi recebido e condecorado pelo então presidente Jânio Quadros com a Ordem do Cruzeiro do Sul (concedida a estrangeiros) e chamado de “Embaixador da Paz”. Nas entrevista aos jornais brasileiros, Gagarin declarou que “Os brasileiros são muito efusivos nas suas formas de extravasar a alegria.
Por ter se tornado uma celebridade, foi proibido de voltar ao espaço em agosto de 1967, uma vez que se tornou uma peça importante para a propaganda do seu país e da ideologia socialista. Não podendo voltar ao espaço, participou ativamente no treino de outros cosmonautas.
Porém, a fama e a popularidade começaram a afetar a personalidade de Gagarin, que se viu bastante afeito à fama, e passou a beber constantemente, tendo o seu casamento afetado por causa disso, chegando a se ferir num acidente causado pela bebida na Crimeia, em companhia de uma jovem enfermeira, em outubro de 1961. A partir de 1962, ocupou o cargo de deputado no Soviete Supremo da União Soviética até voltar à Cidade das Estrelas, o centro espacial soviético, para trabalhar no design de novos foguetões.
Depois de vários anos afastado, dedicado apenas ao programa espacial, Gagarin voltou ao curso de treino de pilotos, para uma requalificação como piloto de caça nos novos caças MiG da Força Aérea.

Morte e legado

Após ser retirado do programa espacial, Gagarin fora transferido para um centro de testes de aeronaves. Em 27 de março de 1968, durante um voo de treino de rotina num caça MIG-15 sobre a localidade de Kirzhach, ele e o instrutor de voo Vladimir Seryogin morreram na queda do jato, num acidente nunca devidamente explicado.
Um inquérito de 1986 sugeria que a turbulência de um avião interceptador Sukhoi Su-11 pode ter feito o avião de Gagarin sair do controle. Gagarin e Seryogin receberam honras de Estado e foram enterrados na muralha do Kremlin.
Documentos secretos russos, tornados públicos em março de 2003, mostraram que a KGB tinha conduzido a sua própria investigação do acidente, além de uma investigação governamental e de dois inquéritos militares. O relatório da KGB desmente várias teorias da conspiração, indicando que as ações do pessoal da base aérea contribuíram para o acidente. O relatório afirma que um controlador de tráfego aéreo forneceu a Gagarin informações desatualizadas sobre o tempo, e que no momento de seu voo, as condições deterioraram-se significativamente. A equipa de terra deixou também tanques de combustível externo ligados à aeronave. As atividades planeadas para o voo de Gagarin necessitavam tempo claro e nenhum tanque de popa. O inquérito concluiu que a aeronave de Gagarin entrou em  parafuso, ou devido a uma colisão de pássaro, ou por causa de um movimento repentino para evitar outra aeronave. Por causa do boletim meteorológico desatualizado, a tripulação acreditava que a sua altitude tinha que ser maior do que realmente era, e não puderam reagir adequadamente para trazer o MiG-15 para fora do seu movimento de rotação.
Em abril de 2011, entretanto, 50 anos após e no meio das comemorações na Rússia do histórico voo de Gagarin, as autoridades trouxeram a público documentos classificados como 'segredo de Estado' da época. Em entrevista à imprensa, o chefe dos arquivos do Kremlin, Alekandr Stepanov, colocou um ponto final na especulações e teorias sobre a morte do herói nacional russo, lendo o seguinte comunicado, extraído de um dos documentos até então secretos:
Conclusões da comissão: segundo as análises das circunstâncias do acidente aéreo e os elementos da inquérito, a causa mais provável da catástrofe seja uma manobra brusca (do piloto) para evitar uma sonda atmosférica.
De acordo com o documento até então desconhecido, a brusca manobra feita por Gagarin a bordo do jato para desviar do que seria uma sonda, fez com que a aeronave ficasse em condições críticas de estabilidade e caísse. Como sinal da importância do facto, estas conclusões foram inscritas num decreto do Comité Central do Partido Comunista da URSS, com data de 28 de novembro de 1968, e sob o selo de "segredo de Estado".
No entanto, em 2013, foi revelado o motivo do real acidente de Gagarin, o que até então era tratado oficialmente como um pássaro, descobriu-se que tratava-se de um jato SU-15, que estava sendo testado, e desobedeceu ao plano de voo. O SU-15 passou perigosamente perto do avião de Gagarin, fazendo-o desestabilizar e cair em espiral.

Rublo de 2001 com o rosto e a assinatura de Gagarin

Homenagem
Alçado ao título oficial de Herói da União Soviética, o centro de treinamento de cosmonautas no Cosmódromo de Baikonur, Cazaquistão, tem hoje o seu nome. A cidade próxima da aldeia natal de Gagarin, em 1968, após morte do cosmonauta, foi rebatizada na sua honra.
Em dezembro de 1993, a galeria Sotheby's, em Nova York, leiloou um grande lote de peças dos tempos gloriosos do programa espacial soviético. O uniforme usado por Gagarin foi arrematado por 112.500 dólares.
Gagarin foi condecorado com as mais altas honrarias da União Soviética (título de Herói da União Soviética, e a Medalha da Ordem de Lenine). Em 1966, ele foi nomeado membro honorário da Academia Internacional de Astronáutica. Símbolo do triunfo de uma ideologia, ele foi condecorado em inúmeros países do chamado Terceiro Mundo, como uma forma de aproximação à ideologia soviética (como no Brasil, onde recebeu a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul pelo então presidente Jânio da Silva Quadros).

1 comentário:

Reema dsouza disse...

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