domingo, dezembro 25, 2005

Natal - Torga

Último Natal

Menino Jesus, que nasces
Quando eu morro,
E trazes a paz
Que não levo,
O poema que te devo
Desde que te aninhei
No entendimento,
E nunca te paguei
A contento
Da devoção,
Mal entoado,
Aqui te fica mais uma vez
Aos pés,
Como um tição
Apagado,
Sem calor que os aqueça.
Com ele me desobrigo e desengano:
És divino, e eu sou humano,
Não há poesia em mim que te mereça.

Gaia, 24 de Dezembro de 1990

in Diário XVI (1993)

5 comentários:

Adelaide Martins disse...

É so para começarmos a preparar o 10.º Aniversário da morte deste Grande Poeta, daqui a uns dias...

Fernando Martins disse...

Queres dizer 11 anos...

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