sexta-feira, fevereiro 18, 2022

O planeta anão Plutão foi descoberto há 92 anos

     
Plutão, formalmente designado 134340 Plutão, é um planeta anão do Sistema Solar e o décimo objeto mais massivo observado diretamente orbitando o Sol. Originalmente classificado como um planeta, Plutão é atualmente o maior astro membro do cinturão de Kuiper.
Como outros membros do cinturão de Kuiper, Plutão é composto primariamente de rocha e gelo e é relativamente pequeno, com aproximadamente um quinto da massa da Lua e um terço de seu volume. Ele tem uma órbita altamente inclinada e excêntrica que o leva de 30 a 49 UA do Sol. Isso faz Plutão ficar periodicamente mais perto do Sol do que Neptuno. Atualmente Plutão está a 32,32 UA do Sol.
Até 2006, Plutão foi considerado o nono planeta do Sistema Solar. No final da década de 1970, com a descoberta de 2060 Chiron e o reconhecimento da sua pequena massa, sua classificação como um planeta começou a ser questionada. No início do século XXI, vários outros objetos similares a Plutão foram descobertos no Sistema Solar externo, incluindo Éris, que é 27% mais massivo do que ele. Em 24 de agosto de 2006, a União Astronómica Internacional (UAI) criou uma definição de planeta formal, que fez Plutão deixar de ser planeta e ganhar a nova classificação de planeta anão, juntamente com Éris e Ceres. Depois da reclassificação, Plutão foi adicionado à lista de corpos menores do Sistema Solar e recebeu a identificação 134340. Porém, há cientistas que afirmam que Plutão não deveria ser considerado planeta anão, mas voltar a ser classificado como planeta.
Plutão e sua maior lua, Caronte, são às vezes considerados um planeta binário porque o baricentro de suas órbitas não se encontra em nenhum dos corpos, e sim no espaço livre entre eles. É possível que a UAI ainda faça uma definição de planeta binário, que provavelmente classificará Plutão e Caronte como um planeta anão binário. Plutão também tem quatro outras luas menores, Nix e Hidra, descobertas em 2005, Cérbero, descoberta em julho de 2011, e Estige, descoberta em julho de 2012.
    
Descoberta
Em 1840, usando mecânica newtoniana, Urbain Le Verrier previu a posição de Neptuno, que na época não tinha sido descoberto ainda, com base em perturbações na órbita de Urano. Observações subsequentes de Neptuno no final do século XIX fizeram astrónomos especularem que a órbita de Urano estava sendo perturbada por outro planeta. Em 1906, Percival Lowell, fundador do Observatório Lowell, iniciou um grande projeto de procurar um possível nono planeta, que ele chamou de Planeta X. Em 1909, Lowell e William H. Pickering sugeriram várias possíveis coordenadas celestiais para esse planeta. Lowell continuou observando o céu à procura do Planeta X até à sua morte, em 1916, mas não achou nada. Apesar disso, fotografou Plutão duas vezes, mas não o reconheceu.
Depois da morte de Lowell, a busca pelo Planeta X ficou parada até 1929, quando Vesto Melvin Slipher deu a tarefa de achar o Planeta X a Clyde Tombaugh, que tinha acabado de chegar ao Observatório Lowell. A tarefa de Tombaugh foi fotografar o céu noturno e depois de duas semanas tirar outra foto, e então examinar os pares de fotos para ver se houve movimento de algum objeto. Em 18 de fevereiro de 1930, depois de cerca de um ano de observações, Tombaugh descobriu um possível objeto em movimento, em fotografias tiradas em 23 de janeiro e em 29 de janeiro daquele ano. Uma imagem de menor qualidade, tirada em 21 de janeiro, ajudou a confirmar o movimento. Depois de observações feitas para confirmar o movimento, notícias da descoberta foram telegrafadas para o Harvard College Observatory a 13 de março de 1930.
    
(...)
   
Depois de uma intensa batalha política, foi concedido financiamento para uma outra missão para explorar Plutão, chamada de New Horizons. A sonda New Horizons foi lançada com sucesso a 19 de janeiro de 2006. O líder da missão, Alan Stern, confirmou que algumas das cinzas de Clyde Tombaugh, que morreu em 1997, foram colocadas a bordo dela.
No início de 2007, a sonda usou a gravidade assistida de Júpiter. A sua maior aproximação de Plutão ocorreu em 14 de julho de 2015. Observações científicas começaram cinco meses da aproximação máxima e continuaram por um mês depois dela. A New Horizons tirou as suas primeiras fotos de Plutão no final de setembro de 2006, durante um teste do Long Range Reconnaissance Imager (LORRI). As imagens, tiradas de uma distância de aproximadamente 4,2 mil milhões de quilómetros, confirmaram a habilidade da sonda em seguir objetos distantes, algo importante para ir em direção a Plutão e outros objetos do cinturão de Kuiper.
A sonda New Horizons conta com diversos instrumentos científicos, como instrumentos para criar mapas da superfície, para fazer análises atmosféricas e espectrómetros. A energia elétrica usada por esses instrumentos é fornecida por um único gerador termoelétrico de radioisótopos, que geralmente é usado em missões que não podem utilizar a energia solar.
As luas Nix e Hidra poderiam gerar desafios imprevistos para a New Horizons. Detritos de colisões entre os objetos do cinturão de Kuiper e elas, com as suas velocidades de escape relativamente baixas, pode produzir um pequeno anel de poeira. Se a sonda voar num sistema de anéis assim, havia uma possibilidade de ser atingida por micrometeoritos, que poderiam desabilitá-la, o que não aconteceu.

  

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