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quinta-feira, abril 02, 2026

A URSS teve uma libertação acidental de antraz, em Sverdlovsk, há 47 anos...

 Эпидемия сибирской язвы в Свердловске 1979 года

   

Em 2 de abril de 1979, esporos de Bacillus anthracis (o agente causador do antraz) foram acidentalmente libertados de uma instalação de pesquisa militar soviética na cidade de Sverdlovsk, União Soviética (agora Ecaterimburgo, Rússia). O surto que se seguiu da doença resultou na morte de pelo menos 68 pessoas, embora o número exato de vítimas permaneça desconhecido. A causa do surto foi negada durante anos pelas autoridades soviéticas, que atribuíram as mortes ao consumo de carne contaminada da área e à exposição subcutânea devido aos talhos que manipulavam carne contaminada. O acidente foi a primeira grande indicação no Ocidente de que a União soviética tinha embarcado num programa ofensivo voltado para o desenvolvimento e produção em larga escala de armas biológicas

 

(...) 


Em abril de 1992, o presidente Boris Yeltsin emitiu um decreto sobre a garantia da implementação dos compromissos internacionais na esfera das armas biológicas. Sob o presidente reformador, havia um desejo, com o tempo, de mudar os institutos de armas biológicas do ministério da defesa da jurisdição militar para trabalhar para a economia civil. Foi nesse contexto que, em algum momento entre 1992 e 1994, um representante do banco de investimento e corretora de valores dos EUA e colegas tentaram sequenciar o genoma do B. anthracis de duas amostras retiradas de vítimas da fuga de antraz em Sverdlovsk. As amostras foram preservadas por patologistas russos locais que investigaram o surto enquanto ocorria. Mais tarde, eles compartilharam o material com o professor Meselson durante sua viagem investigativa em 1992. As amostras foram fixadas em formol e embebidas em parafina e o DNA foi, como resultado, muito degradado. No entanto, os pesquisadores americanos conseguiram isolar o DNA do patógeno e juntar todo o seu genoma, comparando-o com centenas de outros isolados de antraz. Keim e sua equipe relataram que não haviam encontrado nenhuma evidência genómica de que os militares soviéticos tivessem tentado cultivar uma cepa resistente a antibióticos ou vacinas ou a engenharia genética da cepa de qualquer forma. Meselson comentou que, embora fosse uma cepa perfeitamente comum, "isso não significa que não fosse desagradável. Foi extraída de pessoas que foram mortas por ela."

Zilinskas e Mauger em 2018 forneceram as informações mais atualizadas sobre o status atual das instalações militares de Sverdlovsk. No âmbito do sistema nacional de segurança química e biológica da Federação russa, foi concedido financiamento ao instituto de Sverdlovsk para a renovação de duas instalações para a produção de antibióticos. Tais produtos poderiam ser usados no setor médico civil. Também foram realizadas grandes obras de reconstrução de um edifício que produzia esporos de B. anthracis. Um edifício usado para produção de mídia e substrato também foi amplamente renovado. A reforma também está em andamento nos últimos anos de um local de teste ao ar livre – a chamada base de teste de campo Pyshma – para o instituto de Sverdlovsk. Uma vez concluído, pretendia ser utilizado para "avaliar a eficácia dos meios e métodos de prospeção biológica e a eliminação das consequências de situações em emergência". No final de 2015, este projeto de reforma permaneceu incompleto.

Em agosto de 2020, o Departamento de Indústria e Segurança (BIS) do Departamento de comércio dos Estados Unidos da América impôs restrições de "lista negra" a três institutos biológicos militares russos por seu suposto envolvimento com o programa russo de armas biológicas. Um deles foi o instituto de Sverdlovsk (agora operando sob o nome de 48º instituto central de pesquisa científica, Ecaterimburgo). Em 2 de março de 2021, sanções adicionais dos EUA foram impostas ao 48º Instituto central de pesquisa científica de Ecaterimburgo (também conhecido como 48º TsNIIYekaterinburg), juntamente com seus institutos militares de armas biológicas associados em Kirov e Sergiev Posad.
  

quarta-feira, abril 01, 2026

Rachmaninoff nasceu há cento e cinquenta e três anos...

  
Sergei Vasilievich Rachmaninoff (Semyonovo, 1 de abril de 1873 - Beverly Hills, 28 de março de 1943) foi um compositor, pianista e maestro russo, um dos últimos grandes expoentes do estilo romântico na música clássica europeia.
    
Rachmaninoff é tido como um dos pianistas mais influentes do século XX. Os seus trejeitos técnicos e rítmicos são lendários e as suas mãos largas eram capazes de cobrir um intervalo de uma 13ª no teclado (um palmo esticado de cerca de 30 centímetros). Especula-se se ele era ou não portador da Síndrome de Marfan, já que se pode dizer que o tamanho de suas mãos correspondia à sua estatura, algo entre 1,91 e 1,98 m. Ele também possuía a habilidade de executar composições complexas à primeira audição. Muitas gravações foram feitas pela Victor Talking Machine Company, com Rachmaninoff executando composições próprias ou de reportórios populares. 
 
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Rachmaninov morreu a 28 de março de 1943, em Beverly Hills, na Califórnia, apenas alguns dias antes de seu 70º aniversário, e foi enterrado em 1 de junho no cemitério de Kensico, em Valhalla. Nas horas finais de sua vida, ele insistia que podia ouvir música tocando nalgum lugar por perto. Após lhe ser repetidamente assegurado de que não era o caso, ele disse: "Então a música está na minha cabeça...". 
   
 

Nikolai Gogol nasceu há 217 anos


    
Nikolai Vasilievich Gogol (em russo: Николай Васильевич Гоголь; em ucraniano: Микола Васильович Гоголь; transliteração: Mykola Vassyliovytch Hohol; Sorochyntsi, Poltrávia, Império Russo, 20 de marçojul./ 1 de abril de 1809greg. - Moscovo, 21 de fevereirojul./ 4 de março de 1852greg.), foi um proeminente escritor do Império Russo. A sua nacionalidade é motivo de polémica, pois a sua cidade natal fazia parte do Império Russo na época, mas atualmente pertence à Ucrânia. Como consequência, tanto a Rússia quanto a Ucrânia reivindicam a sua nacionalidade. Apesar de muitos de seus trabalhos terem sido influenciados pela tradição ucraniana, Gogol escreveu em russo e a sua obra é considerada herança da literatura russa. Toda a sua obra é fundada no realismo, mas um realismo muito próprio, com rasgos do que viria a ser o surrealismo

 

Vida

Com vinte anos (1829), o jovem Gogol vai para São Petersburgo, onde conhece Alexandre Púchkin, o maior escritor russo de então, que lhe inspira devota amizade, fervorosa empatia e ideias novas para obras que ainda não tinham vindo à luz do dia, nomeadamente Noites na Herdade de Dikanka, sua obra de estreia, que viria a ser publicada em 1831, obtendo, então, Gogol o seu primeiro êxito. Mas, desde cedo, revela uma personalidade complexa.

Amante fervoroso da verdade, Gogol foi um homem repleto de preocupações místicas, religiosas e patrióticas. A sua obra reflete o lado moralista das questões que dizem respeito à condição humana, trágica e inapelavelmente prisioneira na sua jaula. Gogol não foi político, não possuía um programa de ação contra o regime, que fazia da Rússia da época um país "metade caserna, metade prisão".

O seu pai, antigo oficial cossaco, desenvolveu seu gosto pela literatura, mas nunca foi um amparo na infância de Nikolai, ainda que o jovem nutrisse, pelo seu pai, uma verdadeira amizade. A sua mãe transmitiu-lhe a fé religiosa, que veio a desencadear um misticismo doentio.

Depois de estudos medíocres, este jovem de fisionomia austera deixa a Ucrânia e encontra um modesto emprego de escritório ministerial em São Petersburgo. A distância de seu país natal e a nostalgia que dela resulta inspiraram alguns dos seus escritos. A panóplia de obras e romances do então "funcionário para sempre enclausurado" avivaram a sua carreira como autor, e após haver conhecido pessoalmente o romântico Alexandre Púchkin, sua obra despoletaria um realismo próprio - não diremos insuflado, mas uma fonte riquíssima em artifícios paradoxais, tal como Dostoiévski havia traçado em sua obra. Prova desse realismo típico veio a ser a novela O Capote, cujo herói se tornara arquétipo do pequeno funcionário russo.

De facto, a sua intervenção não é outra senão denunciar os vícios e abusos no interior da alma humana, humilhada e atravancada de emoções contraditórias. Em pleno desarranjo emocional, Gogól foge e recomeça a viajar pela Europa. A morte de Púchkin no ano de 1837, num desinteressante duelo, abala profundamente Gogol. "Agora tenho a obrigação de concluir a obra cuja ideia fora do meu amigo". Referia-se, naturalmente, ao alentado texto de Almas Mortas.

Tenta publicar a obra em Moscovo em 1841, mas o Comité Moscovita de Censura recusa. Não é senão após uma intervenção dos amigos do autor que o livro é publicado, em 1842. O romance é uma descrição em detalhe das preocupações do homem russo numa Rússia profunda; uma sátira às vezes impiedosa, que, porém, guarda, subjacente, o profundo e natural amor de Gogol pelo país. De 1837 a 1843, vive em Roma. Regressa à Rússia, doente. Um misticismo religioso acentuado induziu-o a abandonar as antigas ideias liberais para se tornar um defensor da autocracia. Essa fase mística virá a exacerbar-se após a sua viagem à Palestina, em 1849.

As tribulações recomeçam: Itália, França, Alemanha e outros. Em 1848, faz uma peregrinação a Jerusalém. A pouco e pouco, sua saúde se degrada, e ainda mais devido à sua irritável hipocondria que em nada o recompõe; seu sentimento religioso se exalta. Gogol se torna cada vez mais místico, impelido em ir buscar, pelo sentimento religioso, a salvação da alma.

De volta a Moscovo, redige a segunda parte de Almas Mortas. Mas o seu estado físico degrada-se incessante, mercê do sonho que o acompanha desde jovem: mesmo homem absolutamente sadio e regrado, o sua ânsia por uma nova ordem das coisas martiriza-o. No início de fevereiro de 1852, num momento de delírio, segundo dizem, ele queima, na lareira de seu quarto, todos os manuscritos inéditos - inclusive o fim da segunda parte de Almas Mortas. O romance é uma belíssima e irónica ficção sobre a corrupção de uma classe decadente que domina o povo ignorante e escravo do Estado. Mas nunca fora concluída.

Morreu em 21 de fevereiro de 1852, no calendário juliano que então vigora no Império Russo. Foram-lhe concedidas cerimónias e reconhecimento únicos: o seu corpo embalsamado segue insepulto por mais de um dia, carregado pelos estudantes, que oferecem homenagens acaloradas em memória do grande escritor. Foi enterrado no Cemitério Novodevichy, em Moscovo.

A sua obra fez de Nikolai Gogol o maior escritor de língua russa da primeira metade do século XIX, o verdadeiro introdutor do realismo na literatura russa e o precursor genial de todos os grandes escritores russos que se lhe seguiram. Como disse Dostoiévski: "Todos nós saímos de O Capote de Gógol". Toda a literatura russa, que já muito devia a Púchkin, colherá, em Gógol, os maiores ensinamentos.

 

terça-feira, março 31, 2026

Sergei Diaghilev, fundador dos Ballets Russes, nasceu há 154 anos

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Serguei Pavlovich Diaguilev ou Diaghilev (Perm, 31 de março de 1872Veneza, 19 de agosto de 1929), também conhecido como Serge, foi um empresário artístico russo e fundador dos Ballets Russes, companhia de bailado a partir da qual muitos famosos dançarinos e coreógrafos surgiram.
Nasceu em Perm, na Rússia, em 1872. De origem nobre, teve uma educação privilegiada. Jovem de grande capacidade e muito dinamismo, foi designado pelo príncipe Volkonski, então diretor dos teatros imperiais russos, no início do século XX, como delegado nas missões extraordinárias dos teatros imperiais e, assim, começou a dedicar-se ao ballet por pura casualidade.
Fundou o diário artístico “O Mundo da Arte”, que divulgava a pintura e arte russas em geral. Era um homem de notável cultura, podendo ser considerado como um autêntico símbolo do século XX.
Em 1905, após mais de um ano de viagens por diferentes regiões russas, Diaguilev organizou uma importante exposição de retratos russos no palácio Tauride, em São Petersburgo. No ano seguinte, levaria uma grande exposição de arte russa ao Petit Palais, em Paris, dando origem a uma estreita colaboração com a França. Já em 1907, apresentaria cinco concertos de música russa em Paris e, no ano seguinte, traria uma produção de Boris Godunov, de Mussorgsky, à Ópera de Paris.
Isto levaria a um convite para regressar a Paris no ano seguinte, não só com ópera, mas também com ballet e, assim, ao lançamento dos Ballets Russes.
Enquanto organizador e diretor dos Ballets Russes, Diaguilev pode ser considerado como um dos maiores produtores de ballet do mundo. Ambicioso e inteligente, absorvia com facilidade todas as novas correntes da arte. Dotado de uma personalidade muito forte e de notável cultura artística, bastante eclético, mas conservador no que tocava a preservar as tradições clássicas, Diaguilev, com a ajuda de alguns mecenas, conseguiu moldar à sua maneira grandes talentos e revelou ao mundo no campo da dança, da música, da cenografia, da pintura, da poesia, grandes nomes como o de Vaslav Nijinski, Anna Pavlova, Tamara Karsavina, Olga Spesivtzeva, Natalia Dubrovska, Adolf Bolm, Aleksandra Danilova, Serge Lifar, Léonide Massine, Stravinski, Glazunov Tcherepnine, Rimski-Korsakov, Benois, Bakst, Korovin, Serov, Gontcharova, George Balanchine, Debussy, Ravel, Satie, Prokofieff, Stravinsky, Matisse, Picasso ou Cocteau, entre muitos outros.
Diaguilev também encomendou música de bailado a compositores como Claude Debussy (Jeux, 1913), Maurice Ravel (Daphnis et Chloé, 1912), Erik Satie (Parade, 1917), Richard Strauss (Josephs-Legende, 1914), Sergei Prokofiev (Ala and Lolly, rejeitado por Diaghilev e transformado em Scythian Suite, e Chout, 1915), Ottorino Respighi (La Boutique Fantasque, 1918), Francis Poulenc (Les Biches, 1923) e outros.
O seu coreógrafo Mikhail Fokine adaptava frequentemente a música para bailado. Por sua vez, o diretor artístico dos Ballets Russes, Léon Bakst, ajudou a desenvolver uma forma de ballet mais complexa, com elementos espetaculares, destinados a apelar ao público em geral, e não apenas à aristocracia. O caráter exótico dos Ballets Russes terá também tido um efeito sobre pintores fauvistas e o então embrionário estilo Art Deco. Diz-se que Coco Chanel terá afirmado "Diaguilev inventou a Rússia para estrangeiros." [Rhonda K. Garelick].
Homossexual, teve várias ligações, sendo a mais famosa com o bailarino Vaslav Nijinski. Diaguilev ficou conhecido pelo seu caráter duro e exigente, mas muitos dos seus bailarinos recordaram também a sua generosidade, comparando-o a uma figura paternal austera, mas sempre preocupada com o seu bem-estar, e pondo muitas vezes a subsistência dos seus bailarinos acima da sua.
Por um período de vinte anos, Diaguilev maravilhou o mundo, mostrando a arte russa em todo o seu esplendor. Morreu em 1929, em Veneza; a sua sepultura encontra-se na ilha de San Michele, perto do túmulo de Stravinsky.
O filme The Red Shoes é tido como uma dramatização velada dos Ballets Russes. O departamento de Teatro e Performance do Victoria and Albert Museum, em Londres, alberga a Coleção Ekstrom da Fundação Diaghilev e Stravinsky, da qual fazem parte registos financeiros, cartas e telegramas, que dão conta da gestão dos Ballets Russes, bem como de outros aspetos pessoais e sociais da época.
 
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segunda-feira, março 30, 2026

A Rússia vendeu o Alasca há 159 anos...

  
Em 1867, os Estados Unidos da América compraram à Rússia o território do Alasca. A operação foi conduzida pelo Secretário de Estado norte-americano William Henry Seward.
À época, a transação foi considerada absurda e era referida como "a loucura de Seward" (William H. Seward's folly). O território comprado, com área aproximada de 1.600.000 km², constitui o atual estado americano do Alasca.
        
  
Situação prévia
O Império Russo estava em dificuldades financeiras e em vias de perder o território do Alasca sem compensação nalgum futuro conflito, sobretudo para o rival da época, o Império Britânico, que detinha o vizinho Canadá e cuja possante Royal Navy poderia facilmente tomar o controlo das costas, de difícil defesa para a Rússia. O Czar Alexandre II decidiu então vender o território aos Estados Unidos e encarregou o seu embaixador, o barão Edouard de Stoeckl, de abrir negociações com o Secretário de Estado William Seward, de quem era amigo, no início de março de 1867.
As negociações concluíram-se após discussões que duraram uma noite inteira e a assinatura do tratado foi feita às 04.00 horas da manhã de 30 de março com um preço de compra de 7.200.000 dólares americanos (equivalente a cerca de 1.670 milhões de dólares, a preços de 2006). A opinião pública americana foi muitíssimo desfavorável a esta compra, como indica um historiador, e as críticas foram numerosas [Oberholtzer, p: 541]:
"Already, so it was said, we were burdened with territory which we had no population to fill. The Indians within the present boundaries of the republic strained our power to govern aboriginal peoples. Could it be that we would now, with open eyes, seek to add to our difficulties by increasing the number of such peoples under our national care? The purchase price was large; the annual charges for administration, civil and military, would be yet greater, and continuing. The territory included in the proposed cession was not contiguous to the national domain. It lay away at an inconvenient and a dangerous distance. The treaty had been secretly prepared, and signed and foisted upon the country at four o'clock in the morning. It was a dark deed done in the night.... The New York World said that it was a "sucked orange." It contained nothing of value but furbearing animals, and these had been hunted until they were nearly extinct. Except for the Aleutian Islands and a narrow strip of land extending along the southern coast the country would be not worth taking as a gift.... Unless gold were found in the country much time would elapse before it would be blessed with Hoe printing presses, Methodist chapels and a metropolitan police. It was "a frozen wilderness".

Ponto de vista do governo federal
A compra foi à época vista como ridícula, considerada como "a loucura de Seward" (William H. Seward's folly), o "Frigorífico de Seward" (William H. Seward's icebox) e "o jardim de ursos-polares de Andrew Johnson" (Andrew Johnson's polar bear garden), pois considerava-se temerário gastar uma tal quantia por uma região remota.
O tratado foi apoiado pelo Secretário de Estado William Seward, partidário de longa data da expansão, e pelo presidente do comité do Senado, Charles Sumner. Os seus argumentos eram que os interesses estratégicos da nação obrigavam à assinatura deste tratado. A Rússia tinha sido um aliado de valor durante a Guerra da Secessão, enquanto o Reino Unido tinha sido quase um inimigo. Pareceria então normal ajudar a Rússia e "desconcertar" os britânicos. Havia ainda a questão de o território adjacente ser ainda colónia britânica (atual Canadá). Poderia então haver aí um valor estratégico para os britânicos de um dia adquirirem o Alasca. A compra, disse o editor do New York Herald, era um modo do Czar fazer entender ao Reino Unido e à França que não tinham "atividades no continente norte-americano." "Em resumo, era uma manobra de flanco" sobre o Canadá como disse o New York Tribune. Em breve o mundo veria no noroeste "um cockney hostil ladeado por dois Yankees atentos, um de cada lado" e "John Bull seria levado a compreender que a única coisa que poderia fazer era vender os seus interesses ao Brother Jonathan".
Em 9 de abril, Sumner fez um importante discurso para apoiar o tratado, cobrindo de modo exaustivo a história, o clima, a configuração natural, a população, os recursos - florestas, minas, prados, pescas - do Alasca. De modo erudito citou testemunhos de geógrafos e navegadores: Alexander von Humboldt, Joseph Billings, Yuri Lisiansky, Fyodor Petrovich Litke, Otto von Kotzebue, Portlock, James Cook, Meares, Ferdinand von Wrangel. Quando terminou, viu que "tinha feito um pouco mais que manter o equilíbrio da balança". Continuou com "uma vez que a razão e testemunhos deste lado eram os mais fortes". "Em breve", disse Sumner, "uma raça pragmática de intrépidos navegadores virão às suas costas, em todas as espécies de empresas, para negócios ou patriotismo. O comércio terá novos braços, o país novos defensores, a bandeira nacional novas mãos para a elevar bem alto." Recordando o republicanismo americano de todo o território, indicou que "reconhecereis que é melhor que tudo o que podereis receber, melhor que pilhas de peixes, areias de ouro, as melhores pastagens ou esplêndidos marfins." "A nossa cidade," exclamou Sumner, "não pode ser menos que o continente norte-americano com portas sobre todos os mares que o circundam." [Oberholtzer 1: 544-5]
O Dia de Seward, dia de celebração da compra do Alasca pelos Estados Unidos, é o dia de homenagem a William Henry Seward e feriado no Alasca (última segunda-feira de março).

Cheque utilizado, pelo governo dos Estados Unidos, para a compra do Alasca
   
Ratificação da compra
O Senado dos Estados Unidos da América ratificou o tratado em 9 de abril de 1867, com 37 votos a favor e 2 contra.
Estima-se que o Alasca contava na altura com 2.500 russos ou mestiços e 8.000 aborígenes, num total de 10.000 habitantes, sob o comando direto da companhia russa das peles, e cerca de 50.000 esquimós viviam sob esta jurisdição.
Os europeus viviam em 23 povoações situadas nas ilhas ou na costa. Em pequenos postos havia quatro ou cinco russos que se encarregavam do recebimento e armazenagem de peles trazidas pelos nativos e do reabastecimento de navios que vinham buscar a mercadoria. Havia duas cidades principais. A primeira, New Archangel, atualmente Sitka, foi fundada em 1804, como base de apoio ao rentável negócio de peles de leão marinho. Tinha cerca de 116 barracões que abrigavam 968 habitantes. A segunda era Saint-Paul, na ilha Kodiak, que, com 100 barracões e 283 habitantes, era o centro da indústria de peles de foca.
O nome aleúte Alasca foi escolhido pelos americanos. A cerimónia de transferência teve lugar em Sitka, em 18 de outubro de 1867. Soldados russos e americanos desfilaram junto à casa do governador; a bandeira russa foi arriada e a americana hasteada e saudada por salvas de artilharia. O capitão Alexis Pestchouroff disse "General Rousseau, pela autoridade de sua Majestade, o Imperador da Rússia, transfiro para os Estados Unidos da América o território do Alasca." Em retribuição, o general Lovell Rousseau aceitou o território. Numerosos fortes e fortins, construções de madeira, foram cedidos aos americanos. As tropas ocuparam as casernas e o general Jefferson C. Davis estabeleceu a sua residência na casa do governador. A maior parte dos russos voltaram para o seu país, salvo alguns comerciantes e homens do clero ortodoxo.
O Alaska Day celebra a transferência formal do Alasca, que ocorreu a 18 de outubro de 1867. Hoje em dia, o Alasca celebra o dia da compra, o Seward's Day, na última segunda-feira de março.
A data de 18 de outubro de 1867 é referente ao nosso atual calendário gregoriano, sendo feito às 9:01:20 horas (hora de Greenwich, atual UTC) teve efeito no dia seguinte no Alasca para substituir o calendário juliano e às 14.58.40 horas. Para os russos, que ainda usavam o calendário juliano, a transferência teve lugar a 7 de outubro de 1867.
   

domingo, março 29, 2026

Há dezasseis anos houve uns atentados terroristas em Moscovo


Os atentados terroristas no Metropolitano de Moscovo de 2010 foram dois atentados à bomba causados por terroristas suicidas, alegadamente duas mulheres e que ocorreram na manhã de 29 de março de 2010 no Metropolitano de Moscovo nas estações de Lubyanka e Park Kultury.

As primeiras notícias apontavam para a existência de 32 mortos neste duplo atentado, mas posteriormente esse número foi elevado para 37 mortos, de acordo com notícias oficiais, 25 das quais na estação Lubyanka. A BBC noticiou às 06.18 (GMT) que morreram 15 pessoas na segunda explosão. Há ainda dezenas de passageiros feridos.
  

sábado, março 28, 2026

Hoje é dia de ouvir música russa...

Rachmaninoff morreu há 83 anos...

   
Sergei Vasilievich Rachmaninoff (Semyonovo, 1 de abril de 1873 - Beverly Hills, 28 de março de 1943) foi um compositor, pianista e maestro russo, um dos últimos grandes expoentes do estilo romântico na música clássica europeia.
    
Rachmaninoff é tido como um dos pianistas mais influentes do século XX. Os seus trejeitos técnicos e rítmicos são lendários e as suas mãos largas eram capazes de cobrir um intervalo de uma 13ª no teclado (um palmo esticado de cerca de 30 centímetros). Especula-se se ele era ou não portador da Síndrome de Marfan, já que se pode dizer que o tamanho de suas mãos correspondia à sua estatura, algo entre 1,91 e 1,98 m. Ele também possuía a habilidade de executar composições complexas à primeira audição. Muitas gravações foram feitas pela Victor Talking Machine Company, com Rachmaninoff executando composições próprias ou de reportórios populares. 
 
(...)
 
Rachmaninov morreu em 28 de março de 1943, em Beverly Hills, na Califórnia, apenas alguns dias antes de seu 70º aniversário, e foi enterrado em 1 de junho no cemitério de Kensico, em Valhalla. Nas horas finais de sua vida, ele insistia que podia ouvir música tocando em algum lugar por perto. Após lhe ser repetidamente assegurado de que não era o caso, ele disse: "Então a música está na minha cabeça...". 
     
 

Mussorgsky morreu há 145 anos...

  
Modest Petrovich Mussorgsky
(Karevo, Pskov, 21 de março de 1839São Petersburgo, 28 de março de 1881), compositor e militar russo, conhecido por suas composições sobre a história da Rússia medieval. Foi membro do nacionalista Grupo dos Cinco, ao lado dos músicos Mily Balakirev, Aleksandr Borodin, César Cui e Nikolai Rimsky-Korsakov.
    
 

Marc Chagall morreu há 41 anos...

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Nascido Mojša Zacharavič Šahałaŭ, no seio de uma família judaica, na sua juventude entrou para o ateliê de um retratista famoso da sua cidade natal. Lá aprendeu não só as técnicas de pintura, como a gostar e a exprimir-se nesta arte. Ingressou, posteriormente, na Academia de Arte de São Petersburgo, de onde rumou para a próspera cidade-luz, Paris.
Ali entrou em contacto com as vanguardas modernistas que enchiam de cor, alegria e vivacidade a capital francesa. Conheceu também artistas como Amedeo Modigliani e La Fresnay. Todavia, quem mais o marcou, deste próspero e pródigo período, foi o modernista Guillaume Apollinaire, de quem se tornou grande amigo.
É também neste período que Chagall pinta dois dos seus mais conhecidos quadros: Eu e a aldeia e O Soldado bebé, pintados em 1911 e 1912, respetivamente.
Os títulos dos quadros foram dados por Blaise Cendrars. Coube a Guillaume Apollinaire selecionar as obras que seriam posteriormente expostas em Berlim, no ano em que a Primeira Guerra Mundial rebentou, em 1914.
Neste ano, após a explosão da guerra, Marc Chagall volta ao seu país natal, sendo, portanto, mobilizado para as trincheiras. Todavia, permaneceu em São Petersburgo, onde casou um ano mais tarde com Bella, uma rapariga que conheceu na sua aldeia.
Depois da grande revolução socialista na Rússia, que pôs fim ao regime autoritário czarista, foi nomeado comissário para as belas-artes, tendo inaugurado uma escola de arte, aberta a quaisquer tendências modernistas. Foi neste período que entrou em confronto com Kasimir Malevich, acabando por se demitir do cargo.
Retornou então, a Paris, onde iniciou mais um pródigo período de produção artística, tendo mesmo ilustrado uma Bíblia. Em 1927, ilustrou também as Fábulas de La Fontaine, tendo feito cem gravuras, somente publicadas em 1952. São também deste ano conhecidas as suas primeiras paisagens.
Visitou em 1931 a Palestina e, depois, a Síria, tendo publicado, em memória destas duas viagens o livro de carácter autobiográfico Ma vie (em português: "Minha vida").
Desde 1935, com a perseguição dos judeus e com a Alemanha prestes a entrar em mais uma guerra, Chagall começa a retratar as tensões e depressões sociais e religiosas que sentia na pele, já que também era judeu convicto.
Anos mais tarde, parte para os Estados Unidos, onde se refugia dos perigos dos alemães. Lá, em 1944, com o fim da guerra a emergir, Bella, a sua mulher, falece, facto que lhe causa uma enorme depressão, mergulhando novamente no mundo das evocações, dos chamamentos, dos sonhos. Conclui este período com um quadro que já havia iniciado em 1931: Em torno dela.
Dois anos depois do fim da guerra, regressa definitivamente à França, onde pintou os vitrais da Universidade Hebraica de Jerusalém.
Na França e nos Estados Unidos pintou, para além de diversos quadros, vitrais e mosaicos. Explorou também os campos da cerâmica, tema pelo qual teve especial interesse.
Em sua homenagem, em 1973 foi inaugurado o Museu da Mensagem Bíblica de Marc Chagall, na famosa cidade do sul da França, Nice e, em 1977, o governo francês condecorou-o com a Grã-cruz da Legião de Honra.
Tendo sido um dos melhores pintores do século XX, Marc Chagall faleceu em Saint-Paul-de-Vence, no sul da França, em 1985.
 
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O Violinista, 1912
 
  
Marc Chagall, 1912, Calvary (Golgotha), Museum of Modern Art, New York
    

sexta-feira, março 27, 2026

Rostropovich nasceu há 99 anos...

      
Mstislav Leopoldovitch Rostropovich (Baku, 27 de março de 1927 - Moscovo, 27 de abril de 2007) foi um violoncelista e maestro russo, naturalizado norte-americano. Para muitos, foi um dos maiores violoncelistas do século XX e o sucessor de Pablo Casals.
     
 

segunda-feira, março 23, 2026

O czar Paulo I da Rússia foi assassinado há 225 anos...

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Paulo I (São Petersburgo, 1 de outubro de 1754 – São Petersburgo, 23 de março de 1801) foi o Imperador da Rússia de 1796 até ao seu assassinato. Era o único filho do imperador Pedro III e da imperatriz Catarina II. Ele permaneceu na sombra de sua mãe até finalmente ascender ao trono. Como monarca, a sua maior realização foi instituir as Leis Paulinas para regular a sucessão ao trono russo. Paulo acabou alienando os seus conselheiros e a nobreza com as suas políticas, vistas como incómodas, sendo assassinado pelos condes Peter Ludwig von der Pahlen e Nikita Petrovich Panin e pelo almirante espanhol José de Ribas.

Através da numerosa família que Paulo I constituiu com a sua segunda esposa, atualmente quase todas as famílias reais da Europa (incluindo algumas não-reinantes) são descendentes diretas do antigo czar Paulo. São seus descendentes diretos o rei Guilherme Alexandre dos Países Baixos, a rainha Margarida II da Dinamarca, o rei Carlos XVI Gustavo da Suécia, Carlos III do Reino Unido (através do seu pai, o príncipe Filipe da Grécia e Dinamarca) e o rei Filipe VI da Espanha (através de sua mãe, a princesa Sofia da Grécia e Dinamarca). Também os herdeiros do trono de algumas nações onde a monarquia foi abolida são seus descendentes: Rússia, Alemanha, Grécia, Roménia e Sérvia. 

 


sábado, março 21, 2026

sexta-feira, março 20, 2026

Mussorgsky nasceu há 187 anos...

Modest Mussorgsky, Tretyakov Gallery, Moscow (1881)

Retrato de Mussorgsky de Ilya Repin (1881)
        
Modest Petrovich Mussorgsky (Karevo, Pskov, 21 de março de 1839São Petersburgo, 28 de março de 1881), compositor e militar russo conhecido por suas composições sobre a história da Rússia medieval. Foi membro do nacionalista Grupo dos Cinco, ao lado dos músicos Mily Balakirev, Aleksandr Borodin, César Cui e Nikolai Rimsky-Korsakov.
   
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Em 1880 é demitido de seu posto no serviço governamental. Internado num hospital em 1881, Modest Mussorgsky morreu, de excessos alcoólicos, uma semana após completar 42 anos. Está enterrado no Cemitério Tikhvin do Mosteiro Aleksandr Nevsky em São Petersburgo.  
       
   
 

quarta-feira, março 18, 2026

Rimsky-Korsakov nasceu há 182 anos...

Retrato de Rimsky-Korsakov - Ilya Repin
     

Nikolay Andreyevich Rimsky-Korsakov (Tikhvin, 18 de março de 1844 - Lyubensk, 21 de junho de 1908, usando o calendário gregoriano, que então não estava em vigor na Rússia) foi um militar, professor, e compositor russo, bem com um mestre em orquestração. A sua mais conhecida composição orquestral Capriccio Espagnol, e a suíte sinfónica Scheherazade são considerados básicos do reportório de música clássica. Foi um nacionalista destacado membro do Grupo dos Cinco da Rússia Imperial, juntamente com Mily Balakirev, Aleksandr Borodin, César Cui e Modest Mussorgsky.
   
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Vítima de angina, Nikolai Rimsky-Korsakov veio a falecer em Lyubensk em 1908. Encontra-se enterrado no Cemitério Tikhvin, no Mosteiro Aleksandr Nevsky, em São Petersburgo.
Teve sete filhos da sua esposa: Mikhail (1873), Sofia (1875), Andrey (1878-1940), Vladimir (1882), Nadezhda (1884), Margarita (1888-1893) e Slavchik (1889-1890). Nadezhda casou-se com o compositor Maximilian Steinberg em 1908. Andrey Rimsky-Korsakov foi musicologista, tendo inclusive escrito vários estudos sobre a vida e obra de seu pai, e um capítulo sobre sua mãe. Um sobrinho, Georgy Mikhaylovich Rimsky-Korsakov (1901-65), também foi compositor.
    
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Rimsky-Korsakov foi um compositor prolífico. Os seus maiores êxitos foram obtidos foram óperas – quinze no total, incluindo Kashchei, o imortal e O conto do Czar Saltan. Os motivos das óperas são os mais diversos: de melodramas históricos como A noiva do Czar a temas folclóricos como Noite de maio e lendas como A donzela de neve. Os mais conhecidos excertos no Ocidente são a Procissão dos Nobres de Mlada, Canção da Índia de Sadko e O voo do besouro de Czar Saltan, assim como as suítes de O galo de ouro e A lenda da cidade invisível de Kitezh.
Não obstante, a fama de Rimsky-Korsakov no Ocidente foi conquistada com suas composições orquestrais, principalmente o Capricho Espanhol, a abertura A grande Páscoa Russa e a suite sinfónica Scheherazade.
As suas composições incluem outras dezenas de canções, arranjos de músicas folclóricas, música de câmara e piano e obras corais.
    
 

domingo, março 15, 2026

Nicolau II, o último Czar da Rússia, abdicou há 109 anos...

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Nicolau II foi o último Imperador da Rússia, Rei da Polónia e Grão-Duque da Finlândia. Nasceu no Palácio de Catarina, em Tsarskoye Selo, próximo de São Petersburgo, em 18 de maio (6 de maio no calendário juliano) de 1868. É também conhecido como São Nicolau o Portador da Paixão pela Igreja Ortodoxa Russa. Oficialmente, era chamado Nicolau II, Imperador e Autocrata de Todas as Rússias.
Filho de Alexandre III, governou desde a morte do pai, em 1 de novembro de 1894, até à sua abdicação, em 15 de março de 1917, quando renunciou. em seu nome e em nome do seu herdeiro.

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O seu reinado terminou com a Revolução Russa de 1917, quando, tentando retornar do quartel-general para a capital, o seu comboio foi detido em Pskov e ele foi obrigado a abdicar. A partir daí, o czar e a a sua família foram aprisionados, primeiro no Palácio de Alexandre em Tsarskoye Selo, depois na Casa do Governador em Tobolsk e finalmente na Casa Ipatiev em Ecaterimburgo. Nicolau II, a sua mulher, o seu filho, as suas quatro filhas, o médico da família imperial, um servo pessoal, a camareira da imperatriz e o cozinheiro da família foram executados na cave da casa pelos bolcheviques, na madrugada de 16 para 17 de julho de 1918. É reconhecido que o massacre foi ordenado a partir de Moscovo por Lenine e pelo também líder bolchevique Yakov Sverdlov. Mais tarde Nicolau II, a sua mulher e os seus filhos foram canonizados como neomártires por grupos ligados à Igreja Ortodoxa Russa no exílio. 
    
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