
| Batalha de Asseiceira | |||
|---|---|---|---|
| Guerra civil | |||
| Data | 16 de maio de 1834 | ||
| Local | Asseiceira | ||
| Desfecho | Vitória dos liberais | ||
| Beligerantes | |||
| Comandantes | |||
| |||
| Forças | |||
| |||
| Baixas | |||
| |||
O Curso de Geologia de 85/90 da Universidade de Coimbra escolheu o nome de Geopedrados quando participou na Queima das Fitas. Ficou a designação, ficaram muitas pessoas com e sobre a capa intemporal deste nome, agora com oportunidade de partilhar as suas ideias, informações e materiais sobre Geologia, Paleontologia, Mineralogia, Vulcanologia/Sismologia, Ambiente, Energia, Biologia, Astronomia, Ensino, Fotografia, Humor, Música, Cultura, Coimbra e AAC, para fins de ensino e educação.

| Batalha de Asseiceira | |||
|---|---|---|---|
| Guerra civil | |||
| Data | 16 de maio de 1834 | ||
| Local | Asseiceira | ||
| Desfecho | Vitória dos liberais | ||
| Beligerantes | |||
| Comandantes | |||
| |||
| Forças | |||
| |||
| Baixas | |||
| |||
Postado por Fernando Martins às 19:20 0 comentários
Marcadores: batalha da Asseiceira, D. Miguel I, D. Pedro IV, guerras liberais
Usando do direito que a Constituição me concede, declaro que tenho muito voluntariamente abdicado na pessoa de meu muito amado e prezado filho, o Senhor D. Pedro de Alcântara.Boa Vista, 7 de abril de mil oitocentos e trinta e um, décimo da Independência e do Império
Pedro
Postado por Fernando Martins às 19:50 0 comentários
Marcadores: abdicação, absolutismo, Brasil, D. Maria II, D. Miguel I, D. Pedro IV, dignidade, Imperador D. Pedro II, liberalismo, Monarquia
Casou com Nicolaas Johannes Maria van Uden, no dia 13 de outubro de 1945, em Viena, Áustria. Do casamento, nasceram seis filhos.
Viveu em Viena, Áustria, trabalhando como enfermeira e assistente social. Durante a Segunda Guerra Mundial, quando havia bombardeamentos, deslocava-se durante a noite para os locais atingidos, para prestar ajuda às vítimas. Integrou um movimento de Resistência alemã, tendo sido condenada à morte pela Gestapo. O então presidente do Conselho de Ministros, António de Oliveira Salazar, interveio junto dos alemães, afirmando que Maria Adelaide era cidadã nacional. Esta intervenção da diplomacia portuguesa resultou na sua libertação e deportação imediata, tendo-se estabelecido na Suíça, onde vivia o seu irmão, Duarte Nuno de Bragança. Após a guerra, a família finalmente voltou para a Áustria e casou-se com Nicolaas Johannes Maria van Uden, estudante de medicina holandês, que conhecera quando ambos socorriam as vítimas dos bombardeamentos em Viena.
Em 1949, Maria Adelaide voltou para Portugal. Enquanto isso, o marido formou-se em medicina na Universidade de Viena, especializando-se em doenças de pele. Todavia, quando Nicolaas van Uden chegou a Portugal, não lhe foi dada equivalência, pelo que não pôde exercer a profissão. Vai então trabalhar num pequeno laboratório de pesquisa na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, até que chega a oportunidade para trabalhar, em parceria com a Fundação Calouste Gulbenkian. Assim nasceu o Instituto Gulbenkian de Ciência, que promove a investigação científica em diversas áreas desde os anos 50.
Originalmente, a família Van Uden instalou-se na Quinta do Carmo, em Almada. Maria Adelaide começou a trabalhar como assistente social em algumas iniciativas locais, dado que a Trafaria e o Monte da Caparica eram locais muito pobres.
Em 31 de janeiro de 2012, data do centenário do seu nascimento, foi agraciada, pelo Presidente da República Aníbal Cavaco Silva, com o grau de grande-oficial da Ordem do Mérito. Morreu na Quinta do Carmo, na Caparica, concelho de Almada, a 24 de fevereiro de 2012.
Postado por Fernando Martins às 00:14 0 comentários
Marcadores: casa de Bragança, D. Duarte Pio de Bragança, D. Miguel I, dignidade, Maria Adelaide de Bragança van Uden, resistência
O «trovador» João de Lemos, como era conhecido desde o tempo de Coimbra, onde se formou em direito, pela publicação do jornal poético O Trovador, interessantíssimo repositório das produções poéticas dum grupo de moços estudantes. Além dele, alma e diretor dessa publicação, faziam parte do Trovador Luís da Costa Pereira, António Xavier Rodrigues Cordeiro, Luís Augusto Palmeirim, José Freire de Serpa, Augusto Lima e Couto Monteiro.
Ultra romântico e intrépido miguelista, um adepto furibundo do ancien-regime e da monarquia absoluta que sempre ansiou, com todo o ardor que ressuscitasse, nasceu muito prosaicamente no Peso da Régua, em 1819, às vésperas, portanto, da revolução de 1820. Mas toda a sua vida dedicou-a ele ao seu ideal político, tendo usufruído de grande prestígio dentro da corte dos talassas da época.
Colaborou em diversas outras publicações periódicas, de que são exemplo o jornal humorístico A Comédia Portuguesa começado a publicar em 1888, a Revista Universal Lisbonense (1841-1859) e a Revista Contemporânea de Portugal e Brasil (1859-1865).
in Wikipédia
A lua de Londres
É noite. O astro saudoso
Rompe a custo um plúmbeo céu,
Tolda-lhe o rosto formoso
Alvacento, húmido véu,
Traz perdida a cor de prata,
Nas águas não se retrata,
Não beija no campo a flor,
Não traz cortejo de estrelas,
Não fala de amor às belas,
Não fala aos homens de amor.
Meiga Lua! Os teus segredos
Onde os deixaste ficar?
Deixaste-os nos arvoredos
Das praias de além do mar?
Foi na terra tua amada,
Nessa terra tão banhada
Por teu límpido clarão?
Foi na terra dos verdores,
Na pátria dos meus amores,
Pátria do meu coração!
Oh! que foi!... Deixaste o brilho
Nos montes de Portugal,
Lá onde nasce o tomilho,
Onde há fontes de cristal;
Lá onde viceja a rosa,
Onde a leve mariposa
Se espaneja à luz do sol;
Lá onde Deus concedera
Que em noite de Primavera
Se escutasse o rouxinol.
Tu vens, ó Lua, tu deixas
Talvez há pouco o país
Onde do bosque as madeixas
Já têm um flóreo matiz;
Amaste do ar a doçura,
Do azul e formosura,
Das águas o suspirar.
Como hás-de agora entre gelos
Dardejar teus raios belos,
Fumo e névoa aqui amar?
Quem viu as margens do Lima,
Do Mondego os salgueirais;
Quem andou por Tejo acima,
Por cima dos seus cristais;
Quem foi ao meu pátrio Douro
Sobre fina areia de ouro
Raios de prata esparzir
Não pode amar outra terra
Nem sob o céu de Inglaterra
Doces sorrisos sorrir.
Das cidades a princesa
Tens aqui; mas Deus igual
Não quis dar-lhe essa lindeza
Do teu e meu Portugal.
Aqui, a indústria e as artes;
Além, de todas as partes,
A natureza sem véu;
Aqui, ouro e pedrarias,
Ruas mil, mil arcarias;
Além... a terra e o céu!
Vastas serras de tijolo,
Estátuas, praças sem fim
Retalham, cobrem o solo,
Mas não me encantam a mim.
Na minha pátria, uma aldeia,
Por noites de lua cheia,
É tão bela e tão feliz!...
Amo as casinhas da serra
Co'a Lua da minha terra,
Nas terras do meu país.
Eu e tu, casta deidade,
Padecemos igual dor;
Temos a mesma saudade,
Sentimos o mesmo amor.
Em Portugal, o teu rosto
De riso e luz é composto;
Aqui, triste e sem clarão.
Eu, lá, sinto-me contente;
Aqui, lembrança pungente
Faz-me negro o coração.
Eia, pois, ó astro amigo,
Voltemos aos puros céus.
Leva-me, ó Lua, contigo,
Preso num raio dos teus.
Voltemos ambos, voltemos,
Que nem eu nem tu podemos
Aqui ser quais Deus nos fez,
Terás brilho, eu terei vida,
Eu já livre e tu despida
Das nuvens do céu inglês.
João de Lemos
Postado por Fernando Martins às 01:36 0 comentários
Marcadores: absolutismo, D. Miguel I, João de Lemos, poesia, ultrarromantismo, Universidade de Coimbra
Postado por Fernando Martins às 01:05 0 comentários
Marcadores: D. Miguel I, Grão-Duque de Luxemburgo, Luxemburgo, Monarquia Constitucional
Após o fim da Guerra Civil (1832–1834), com a Convenção de Évora Monte, seguiu para o exílio. Casou em 1851 em Kleinheubach, na Alemanha, com a princesa Adelaide de Löwenstein-Wertheim-Rosenberg, de quem teve um filho e seis filhas. Entre a sua descendência encontram-se diversos monarcas reinantes da Europa, como os atuais Rei dos Belgas, Grão-Duque do Luxemburgo e Príncipe do Liechtenstein.
Faleceu em Wertheim, na Alemanha, a 14 de novembro de 1866, e foi sepultado no Convento dos Franciscanos de Engelberg, em Grossheubach, tendo o seu corpo chegado a Lisboa, de avião, já durante a República, a 5 de abril de 1967, para ser solenemente trasladado, juntamente com a sua consorte, para o Panteão da Dinastia de Bragança, no Mosteiro de São Vicente de Fora, da mesma cidade.Postado por Fernando Martins às 01:59 0 comentários
Marcadores: D. Miguel I, Duque de Bragança, El-Rei
Postado por Fernando Martins às 02:23 0 comentários
Marcadores: D. Miguel I, dinastia de Bragança, guerra civil, Monarquia
Postado por Fernando Martins às 19:20 0 comentários
Marcadores: 24 de julho de 1833, absolutismo, constitucionalismo, D. Maria II, D. Miguel I, D. Pedro IV, dinastia de Bragança, Duque da Terceira, Duque do Cadaval, El-Rei, guerra civil, Lisboa, Monarquia Constitucional
Postado por Fernando Martins às 00:19 0 comentários
Marcadores: Batalha do Cabo de São Vicente, D. Maria II, D. Miguel I, D. Pedro IV, guerra civil portuguesa
D. Miguel I, considerado rei legítimo pelos seus partidários, após a sua aclamação pelas Cortes, mas visto como um usurpador do trono da sua sobrinha D. Maria da Glória pelos liberais, havia perdido as grandes batalhas da guerra civil no Ribatejo (Pernes, Almoster e Asseiceira) no primeiro semestre de 1834, e refugiara-se, com o seu quartel-general, no Alentejo, a única região do Reino que lhe continuava formalmente fiel.
Com um exército pouco motivado para continuar a sua luta por uma causa já perdida, com inúmeras baixas e algumas deserções para o lado que acabaria por sair vencedor, D. Miguel instalou-se no então concelho de Évora-Monte com o seu Conselho de Guerra. Ponderando a hipótese de uma derradeira e decisiva batalha às portas de Évora, a manutenção de uma guerra de guerrilha no Baixo Alentejo e Algarve, a retirada para Espanha para auxiliar a causa carlista de seu primo Carlos de Bourbon, Conde de Molina (pretendente ao trono da Espanha, que o disputava à sua sobrinha Isabel II), ou a rendição pura e simples, acabou o Conselho de Guerra por deliberar, no dia 23 de maio, pedir um armistício aos chefes liberais, para que cessassem imediatamente as hostilidades.
Viria a ser precisamente em Evoramonte, na casa de Joaquim António Saramago (onde ainda hoje se encontra uma lápide comemorativa do evento), que se assinou o acordo que pôs fim às guerras entre liberais e tradicionalistas (chamados absolutistas ou miguelistas pelos liberais), em Portugal. Para esse efeito, reuniram-se os generais Azevedo e Lemos, comandante-em-chefe do exército tradicionalista, com os generais João Carlos de Saldanha Oliveira e Daun, Conde (futuro Marquês) de Saldanha, e António José Severim de Noronha, Conde de Vila Flor (futuro Duque da Terceira), comandantes das forças de D. Pedro IV, na presença de um legado do britânico, John Grant, a fim de se discutirem as condições definitivas para a paz em Portugal.
Saldanha e Terceira fizeram saber a Lemos que o governo do Duque de Bragança, em nome da rainha D. Maria II, aceitaria somente uma rendição incondicional das forças miguelistas; mais acrescentaram que as forças que comandavam prosseguiriam inexoravelmente a sua caminhada triunfal até Évora (onde o exército de D. Miguel se acantonara), até que este se rendesse.
Incapaz de prosseguir o esforço de guerra, D. Miguel aceitou os termos propostos pelos liberais para esta rendição incondicional. D. Pedro, porém, procurou não impor mais nenhuma condição aviltante para o irmão ou seus partidários, procurando assim sanar todos os conflitos e evitar o agravamento de dissensões entre todos os Portugueses - condição que na altura pareceu a mais premente e imperativa para que se pudesse estabelecer a paz geral.
Postado por Fernando Martins às 19:10 0 comentários
Marcadores: Convenção de Évora Monte, D. Miguel I, D. Pedro IV, guerra civil, liberais, miguelistas
![]()
| Batalha de Asseiceira | |||
|---|---|---|---|
| Guerra civil | |||
| Data | 16 de maio de 1834 | ||
| Local | Asseiceira | ||
| Desfecho | Vitória dos liberais | ||
| Beligerantes | |||
| Comandantes | |||
| |||
| Forças | |||
| |||
| Baixas | |||
| |||
Postado por Fernando Martins às 19:10 0 comentários
Marcadores: batalha da Asseiceira, D. Miguel I, D. Pedro IV, guerras liberais
Usando do direito que a Constituição me concede, declaro que tenho muito voluntariamente abdicado na pessoa de meu muito amado e prezado filho, o Senhor D. Pedro de Alcântara.Boa Vista, 7 de abril de mil oitocentos e trinta e um, décimo da Independência e do Império
Pedro
Postado por Fernando Martins às 19:40 0 comentários
Marcadores: abdicação, absolutismo, Brasil, D. Maria II, D. Miguel I, D. Pedro IV, dignidade, Imperador D. Pedro II, liberalismo, Monarquia
Casou com Nicolaas Johannes Maria van Uden, no dia 13 de outubro de 1945, em Viena, Áustria. Do casamento, nasceram seis filhos.
Viveu em Viena, Áustria, trabalhando como enfermeira e assistente social. Durante a Segunda Guerra Mundial, quando havia bombardeamentos, deslocava-se durante a noite para os locais atingidos, para prestar ajuda às vítimas. Integrou um movimento de Resistência alemã, tendo sido condenada à morte pela Gestapo. O então presidente do Conselho de Ministros, António de Oliveira Salazar, interveio junto dos alemães, afirmando que Maria Adelaide era cidadã nacional. Esta intervenção da diplomacia portuguesa resultou na sua libertação e deportação imediata, tendo-se estabelecido na Suíça, onde vivia o seu irmão, Duarte Nuno de Bragança. Após a guerra, a família finalmente voltou para a Áustria e casou-se com Nicolaas Johannes Maria van Uden, estudante de medicina holandês, que conhecera quando ambos socorriam as vítimas dos bombardeamentos em Viena.
Em 1949, Maria Adelaide voltou para Portugal. Enquanto isso, o marido formou-se em medicina na Universidade de Viena, especializando-se em doenças de pele. Todavia, quando Nicolaas van Uden chegou a Portugal, não lhe foi dada equivalência, pelo que não pôde exercer a profissão. Vai então trabalhar num pequeno laboratório de pesquisa na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, até que chega a oportunidade para trabalhar, em parceria com a Fundação Calouste Gulbenkian. Assim nasceu o Instituto Gulbenkian de Ciência, que promove a investigação científica em diversas áreas desde os anos 50.
Originalmente, a família Van Uden instalou-se na Quinta do Carmo, em Almada. Maria Adelaide começou a trabalhar como assistente social em algumas iniciativas locais, dado que a Trafaria e o Monte da Caparica eram locais muito pobres.
Em 31 de janeiro de 2012, data do centenário do seu nascimento, foi agraciada, pelo Presidente da República Aníbal Cavaco Silva, com o grau de grande-oficial da Ordem do Mérito. Morreu na Quinta do Carmo, na Caparica, concelho de Almada, a 24 de fevereiro de 2012.
Postado por Fernando Martins às 00:13 0 comentários
Marcadores: casa de Bragança, D. Duarte Pio de Bragança, D. Miguel I, dignidade, Maria Adelaide de Bragança van Uden, resistência
O «trovador» João de Lemos, como era conhecido desde o tempo de Coimbra, onde se formou em direito, pela publicação do jornal poético O Trovador, interessantíssimo repositório das produções poéticas dum grupo de moços estudantes. Além dele, alma e diretor dessa publicação, faziam parte do Trovador Luís da Costa Pereira, António Xavier Rodrigues Cordeiro, Luís Augusto Palmeirim, José Freire de Serpa, Augusto Lima e Couto Monteiro.
Ultra romântico e intrépido miguelista, adepto furibundo do ancien-regime e da monarquia absoluta que sempre ansiou, com todo o ardor que ressuscitasse, nasceu muito prosaicamente no Peso da Régua, em 1819, às vésperas, portanto, da Revolução de 1820. Mas toda a sua vida dedicou-a ele ao seu ideal político, tendo usufruído de grande prestígio dentro da corte dos talassas da época.
Colaborou em diversas outras publicações periódicas, de que são exemplo o jornal humorístico A Comédia Portuguesa começado a publicar em 1888, a Revista Universal Lisbonense (1841-1859) e a Revista Contemporânea de Portugal e Brasil (1859-1865).
in Wikipédia
A lua de Londres
É noite. O astro saudoso
Rompe a custo um plúmbeo céu,
Tolda-lhe o rosto formoso
Alvacento, húmido véu,
Traz perdida a cor de prata,
Nas águas não se retrata,
Não beija no campo a flor,
Não traz cortejo de estrelas,
Não fala de amor às belas,
Não fala aos homens de amor.
Meiga Lua! Os teus segredos
Onde os deixaste ficar?
Deixaste-os nos arvoredos
Das praias de além do mar?
Foi na terra tua amada,
Nessa terra tão banhada
Por teu límpido clarão?
Foi na terra dos verdores,
Na pátria dos meus amores,
Pátria do meu coração!
Oh! que foi!... Deixaste o brilho
Nos montes de Portugal,
Lá onde nasce o tomilho,
Onde há fontes de cristal;
Lá onde viceja a rosa,
Onde a leve mariposa
Se espaneja à luz do sol;
Lá onde Deus concedera
Que em noite de Primavera
Se escutasse o rouxinol.
Tu vens, ó Lua, tu deixas
Talvez há pouco o país
Onde do bosque as madeixas
Já têm um flóreo matiz;
Amaste do ar a doçura,
Do azul e formosura,
Das águas o suspirar.
Como hás-de agora entre gelos
Dardejar teus raios belos,
Fumo e névoa aqui amar?
Quem viu as margens do Lima,
Do Mondego os salgueirais;
Quem andou por Tejo acima,
Por cima dos seus cristais;
Quem foi ao meu pátrio Douro
Sobre fina areia de ouro
Raios de prata esparzir
Não pode amar outra terra
Nem sob o céu de Inglaterra
Doces sorrisos sorrir.
Das cidades a princesa
Tens aqui; mas Deus igual
Não quis dar-lhe essa lindeza
Do teu e meu Portugal.
Aqui, a indústria e as artes;
Além, de todas as partes,
A natureza sem véu;
Aqui, ouro e pedrarias,
Ruas mil, mil arcarias;
Além... a terra e o céu!
Vastas serras de tijolo,
Estátuas, praças sem fim
Retalham, cobrem o solo,
Mas não me encantam a mim.
Na minha pátria, uma aldeia,
Por noites de lua cheia,
É tão bela e tão feliz!...
Amo as casinhas da serra
Co'a Lua da minha terra,
Nas terras do meu país.
Eu e tu, casta deidade,
Padecemos igual dor;
Temos a mesma saudade,
Sentimos o mesmo amor.
Em Portugal, o teu rosto
De riso e luz é composto;
Aqui, triste e sem clarão.
Eu, lá, sinto-me contente;
Aqui, lembrança pungente
Faz-me negro o coração.
Eia, pois, ó astro amigo,
Voltemos aos puros céus.
Leva-me, ó Lua, contigo,
Preso num raio dos teus.
Voltemos ambos, voltemos,
Que nem eu nem tu podemos
Aqui ser quais Deus nos fez,
Terás brilho, eu terei vida,
Eu já livre e tu despida
Das nuvens do céu inglês.
João de Lemos
Postado por Fernando Martins às 01:35 0 comentários
Marcadores: absolutismo, D. Miguel I, João de Lemos, poesia, ultrarromantismo, Universidade de Coimbra
Textos, músicas, fotos e outros materiais aqui publicados, parte sem prévia autorização, são propriedade de seus autores, que são, sempre que possível, identificados e creditados. O seu uso deve-se a razões culturais, científicas e didáticas, sem objetivo comercial ou usurpação de autoria. Pretendemos apenas expressar admiração pelos autores, contribuindo para a sua divulgação, respeitando inteiramente pedidos de retirar os seus materiais.