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quarta-feira, março 25, 2026

Pedro Ramalho, um cantor de Fado de Coimbra, nasceu há 87 anos...


PEDRO MAGALHÃES RAMALHO (1939 – 2011) Cantor

Faz hoje, dia 25 de março de 2013, 74 anos que PEDRO OLIVEIRA MARQUES DE MAGALHÃES RAMALHO nasceu, em Lisboa, no ano de 1939. Faleceu, na mesma cidade, a 20 de janeiro de 2011.

Pedro Ramalho, era filho do engenheiro António Sobral Mendes de Magalhães Ramalho e da Sra. D. Maria Luísa Oliveira Marques, sendo um de seis irmãos. Três rapazes, Miguel, Pedro e Paulo e três raparigas, Maria do Rosário, Maria de Jesus e Maria Margarida. Feita a Instrução Primária, o Pedro frequenta o Liceu Camões, onde faz o curso secundário. Candidata-se ao Instituto Superior Técnico, em Lisboa, passa no exame de admissão ao curso de engenharia mecânica, está no primeiro ano em 1957, e conclui a licenciatura em 1964. Gostava de cantar e tocar viola. Pertenceu ao Orfeão Académico de Lisboa, que tinha um Grupo de Fados e Serenatas de Coimbra, onde o Pedro veio a ser um dos cantores. Rapidamente passa a ser o cantor de serviço e de eleição, juntamente com Almeida e Silva, e o Durão (do Sardoal), que também cantava bem. Nas guitarras está o Eduardo Craveiro, filho de Coimbra, que era um seguidor de Artur Paredes, depois o Durão, o Luís Penedo, e alguns outros. Nas violas, o Seixas, o Henrique Azevedo (futuro cunhado), e muitos outros. Faziam serenatas pela cidade, à moda de Coimbra, e as jovens deliciavam-se. Para completar o Teotónio Xavier, amigo do Carlos Paredes, aparecia e imitava animais, sobretudo galos de capoeira, pondo os animais a cantar, acordando toda a vizinhança, a altas horas da noite, recebendo em troca alguns "mimos" que não devem ficar escritos.
No “escritório”, a cave da casa paterna na Avenida Defensores de Chaves, em Lisboa, juntava-se a rapaziada para conversar, tocar e cantar. Ali faziam-se os ensaios. De Fado de Coimbra, e de tudo o que cheirasse a canto e a música. O Grupo “Os Feiticeiros”, virados para o fado de Lisboa, também lá ensaiavam. O Durão estava em todas, e ainda tinha tempo para dizer poesia, e animar a malta. A rapaziada amiga, de Coimbra, quando vinha a Lisboa, por lá passava. Se não conheciam a casa, ficavam a conhecer. O estúdio, “os comes”, a confraternização tinha fama, e chegava às margens do Mondego. Também lá iam o Carlos Paredes, o Fernando Alvim, e muitos outros. A família Magalhães Ramalho, oriunda dos lados de Lamego, tinha profundas ligações a Coimbra.
Por volta de 1961, Carlos Paredes achou que o Pedro Ramalho, devia cantar canções populares das Beiras. Nesse ano, Paredes tinha um compromisso de ir à televisão num programa de Fados de Coimbra. O cantor vinha da Lusa Atenas. Estava na tropa, e como estamos na crise académica de 1961, as autoridades da altura decretam que a rapaziada fica de prevenção no quartéis. Não vem o amigo de Coimbra, mas Carlos Paredes, não se atrapalha. Vai o Pedro Ramalho, que era ainda estudante do Técnico, e não era dado a grandes exposições. Por fim, lá convence o Pedro a ir, e com Paredes e Fernando Alvim a acompanhar, faz um sucesso. Tudo correu bem como era de esperar. Carlos Paredes não disse nada, mas estava tão nervoso, que parece que deu uma fífia, que a malta não notou. Mal acaba o programa liga ao Teotónio Xavier a perguntar-lhe se tinha visto o programa. O Teotónio diz-lhe que sim.
Ele pergunta: - E não viste que enganei no Si menor?
O Xavier diz-lhe: - Ó homem, ninguém deu por isso!
Era assim aquela rapaziada. Carlos Paredes tinha mais 14 anos que o Pedro Ramalho, mais 9 que o Alvim, mais 8 que o Xavier, mas havia uma sã camaradagem, que só o ano de 1974, veio criar um certo afastamento. Situações compreensíveis, mas que não vieram a afetar o que cada um pensava dos outros.
O Pedro Ramalho, forma-se no IST, e casa com a Maria João em outubro de 1964. Tem o seu primeiro emprego na Cometna. De 1965 a 1969, está na vida militar. Nascem as filhas, a Catarina, a Mónica e a Susana. A Maria João acompanha a prole, enquanto o Pedro lá vai seguindo a sua vida profissional, que não possibilitava, nem grandes ensaios, nem atuações. Por volta dos finais dos anos 70, do século passado, e por influência do Carlos Couceiro (1933 – 2010), colega amigo, recomeça a cantar. Conhece o Dr. Carlos Figueiredo (1923 -1999) e fazem uma serenata no castelo de S. Jorge. Nas guitarras vai o Carlos Couceiro (1930 – 2010), o Francisco Vasconcelos, e o Frias Gonçalves. Nas violas, para além de Carlos Figueiredo, contavam com o Ferreira Alves (1933 – 1999), um verdadeiro mestre, prematuramente desaparecido. Estavam todos “pendurados” na guitarra do Frias Gonçalves e na viola do Ferreira Alves. Carlos Figueiredo, era um intérprete não muito expressivo, mas um professor de alto gabarito. Sabia ensinar no canto, na música, e tinha um grau de exigência muito elevado. Era um compositor com canções muito bonitas, que estão bem cantadas e tocadas, no LP “Saudades da Rua Larga – Fados de Coimbra”, editado em 1982, pela Rádio Triunfo Lda. O Pedro Ramalho foi o único cantor, e este fonograma, foi o único que gravou. Neste disco de 33 1/3 rpm, SPA, RT 10012, foi acompanhado nas guitarras, por Silva Ramos, Fernando Xavier, Teotónio Xavier e Amado Gomes. Nas violas, por Ferreira Alves e Carlos Figueiredo. Formavam por essa altura o Grupo de Fados Guitarradas de Coimbra “Rua Larga”. Na contracapa do disco recolhem-se palavras de simpatia e apoio, de Carlos Paredes, Lacerda e Megre (Pai) e de Carlos Couceiro, este último, muito ausente do país, resultado da sua vida profissional. Carlos Figueiredo, num parágrafo refere que o disco é uma homenagem à “Década de Oiro”, dos anos 20, do Fado de Coimbra.

 

in Guitarra de Coimbra V (Cithara Conimbrigensis)

 

terça-feira, junho 17, 2025

António Bernardino morreu há 29 anos...

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António Bernardino Pires dos Santos (Berna), nasceu em 20 de agosto de 1941 em Óis da Ribeira, concelho de Águeda. Fez o liceu em Aveiro onde deu os primeiros passos nas cantigas, não só na Récita de Finalistas de 61/62, como também em inúmeras serenatas, tão em voga na época. Do seu primeiro Grupo de Fados de Aveiro marcaram presença António Andias, António Castro, Carlos Lima e Mário Cruz.

- Chegou a Coimbra em 1963 e desde logo as suas grandes capacidades de intérprete o guindaram à ribalta da Canção Coimbrã. Foram seus companheiros nessa época António Portugal, os irmãos Melo (Eduardo e Ernesto), Octávio Sérgio, Nuno Guimarães, Manuel Borralho, Francisco Martins, Hermínio Menino, Jorge Rino, Rui Pato, Durval Moreirinhas e Jorge Moutinho. Colaborou com quase todas as secções culturais da Associação Académica de Coimbra (Orfeão, Tuna, CITAC, Coro Misto / Danças Regionais) e nas manifestações académicas: Saraus, Serenatas Monumentais, Latadas, Festas de Repúblicas, etc.
- Gravou o seu primeiro disco em 1964 do qual faziam parte a “Samaritana” e “Fado do 5º Ano Médico”. Alguns dos seus registos fonográficos, nomeadamente os de contestação, não chegaram ao grande público, embora existam alguns exemplares guardados religiosamente em coleções particulares. Em 1969 grava o LP “Flores para Coimbra”, sem dúvida o seu trabalho mais importante e que marcou um momento histórico de viragem.
- António Bernardino considerou-se influenciado por José Afonso, Adriano Correia de Oliveira e pela poesia de Manuel Alegre. Gravou oficialmente cerca de 50 temas.
- Em 1967 foi mobilizado para a guerra colonial, em Moçambique, local onde permaneceu até 1974. Regressado de África, passou a residir em Lisboa a partir de 1975. Licenciado em Ciências Geográficas, exerceu o cargo de Vice-presidente dos Serviços Sociais da Universidade de Lisboa. Continuou sempre a cantar e a participar em espetáculos, gravações de discos e programas de televisão e rádio. Nesta fase foi acompanhado por António Portugal, António Brojo, João Bagão, Octávio Sérgio, Aurélio Reis, Luis Filipe, Rui Pato, Durval Moreirinhas e tantos outros.
- António Bernardino foi, seguramente, o cantor que mais divulgou a canção de Coimbra no estrangeiro. Dos Estados Unidos à ex-URSS, da América Central à Tailândia, da América do Sul à Malásia, da África a Macau, a todos levou um pouco da cultura coimbrã.
- No dia 10 de junho de 1995, foi agraciado pelo então Presidente da Republica, Dr. Mário Soares, com a comenda da Ordem do Infante D. Henrique, por serviços relevantes prestados à cultura.
- Faleceu a 17 de junho de 1996.