O Curso de Geologia de 85/90 da Universidade de Coimbra escolheu o nome de Geopedrados quando participou na Queima das Fitas.
Ficou a designação, ficaram muitas pessoas com e sobre a capa intemporal deste nome, agora com oportunidade de partilhar as suas ideias, informações e materiais sobre Geologia, Paleontologia, Mineralogia, Vulcanologia/Sismologia, Ambiente, Energia, Biologia, Astronomia, Ensino, Fotografia, Humor, Música, Cultura, Coimbra e AAC, para fins de ensino e educação.
Faz hoje, dia 25 de março de 2013, 74 anos que PEDRO
OLIVEIRA MARQUES DE MAGALHÃES RAMALHO nasceu, em Lisboa, no ano de 1939.
Faleceu, na mesma cidade, a 20 de janeiro de 2011.
Pedro Ramalho, era filho do engenheiro António Sobral Mendes de
Magalhães Ramalho e da Sra. D. Maria Luísa Oliveira Marques, sendo um de seis
irmãos. Três rapazes, Miguel, Pedro e Paulo e três raparigas, Maria do Rosário,
Maria de Jesus e Maria Margarida. Feita a Instrução Primária, o Pedro frequenta
o Liceu Camões, onde faz o curso secundário. Candidata-se ao Instituto Superior
Técnico, em Lisboa, passa no exame de admissão ao curso de engenharia mecânica,
está no primeiro ano em 1957, e conclui a licenciatura em 1964. Gostava de cantar
e tocar viola. Pertenceu ao Orfeão Académico de Lisboa, que tinha um Grupo de
Fados e Serenatas de Coimbra, onde o Pedro veio a ser um dos cantores.
Rapidamente passa a ser o cantor de serviço e de eleição, juntamente com
Almeida e Silva, e o Durão (do Sardoal), que também cantava bem. Nas guitarras
está o Eduardo Craveiro, filho de Coimbra, que era um seguidor de Artur
Paredes, depois o Durão, o Luís Penedo, e alguns outros. Nas violas, o Seixas,
o Henrique Azevedo (futuro cunhado), e muitos outros. Faziam serenatas pela
cidade, à moda de Coimbra, e as jovens deliciavam-se. Para completar o Teotónio
Xavier, amigo do Carlos Paredes, aparecia e imitava animais, sobretudo galos de
capoeira, pondo os animais a cantar, acordando toda a vizinhança, a altas horas
da noite, recebendo em troca alguns "mimos" que não devem ficar
escritos.
No “escritório”, a cave da casa paterna na Avenida
Defensores de Chaves, em Lisboa, juntava-se a rapaziada para conversar, tocar e
cantar. Ali faziam-se os ensaios. De Fado de Coimbra, e de tudo o que cheirasse
a canto e a música. O Grupo “Os Feiticeiros”, virados para o fado de Lisboa,
também lá ensaiavam. O Durão estava em todas, e ainda tinha tempo para dizer
poesia, e animar a malta. A rapaziada amiga, de Coimbra, quando vinha a Lisboa,
por lá passava. Se não conheciam a casa, ficavam a conhecer. O estúdio, “os
comes”, a confraternização tinha fama, e chegava às margens do Mondego. Também
lá iam o Carlos Paredes, o Fernando Alvim, e muitos outros. A família Magalhães
Ramalho, oriunda dos lados de Lamego, tinha profundas ligações a Coimbra.
Por volta de 1961, Carlos Paredes achou que o Pedro
Ramalho, devia cantar canções populares das Beiras. Nesse ano, Paredes tinha um
compromisso de ir à televisão num programa de Fados de Coimbra. O cantor vinha
da Lusa Atenas. Estava na tropa, e como estamos na crise académica de 1961, as
autoridades da altura decretam que a rapaziada fica de prevenção no quartéis.
Não vem o amigo de Coimbra, mas Carlos Paredes, não se atrapalha. Vai o Pedro
Ramalho, que era ainda estudante do Técnico, e não era dado a grandes
exposições. Por fim, lá convence o Pedro a ir, e com Paredes e Fernando Alvim a
acompanhar, faz um sucesso. Tudo correu bem como era de esperar. Carlos Paredes
não disse nada, mas estava tão nervoso, que parece que deu uma fífia, que a
malta não notou. Mal acaba o programa liga ao Teotónio Xavier a perguntar-lhe
se tinha visto o programa. O Teotónio diz-lhe que sim.
Ele pergunta: - E não viste que enganei no Si menor?
O Xavier diz-lhe: - Ó homem, ninguém deu por isso!
Era assim aquela rapaziada. Carlos Paredes tinha mais
14 anos que o Pedro Ramalho, mais 9 que o Alvim, mais 8 que o Xavier, mas havia
uma sã camaradagem, que só o ano de 1974, veio criar um certo afastamento.
Situações compreensíveis, mas que não vieram a afetar o que cada um pensava
dos outros.
O Pedro Ramalho, forma-se no IST, e casa com a Maria
João em outubro de 1964. Tem o seu primeiro emprego na Cometna. De 1965 a 1969,
está na vida militar. Nascem as filhas, a Catarina, a Mónica e a Susana. A
Maria João acompanha a prole, enquanto o Pedro lá vai seguindo a sua vida
profissional, que não possibilitava, nem grandes ensaios, nem atuações. Por
volta dos finais dos anos 70, do século passado, e por influência do Carlos
Couceiro (1933 – 2010), colega amigo, recomeça a cantar. Conhece o Dr. Carlos
Figueiredo (1923 -1999) e fazem uma serenata no castelo de S. Jorge. Nas
guitarras vai o Carlos Couceiro (1930 – 2010), o Francisco Vasconcelos, e o
Frias Gonçalves. Nas violas, para além de Carlos Figueiredo, contavam com o
Ferreira Alves (1933 – 1999), um verdadeiro mestre, prematuramente
desaparecido. Estavam todos “pendurados” na guitarra do Frias Gonçalves e na
viola do Ferreira Alves. Carlos Figueiredo, era um intérprete não muito
expressivo, mas um professor de alto gabarito. Sabia ensinar no canto, na
música, e tinha um grau de exigência muito elevado. Era um compositor com
canções muito bonitas, que estão bem cantadas e tocadas, no LP “Saudades da Rua
Larga – Fados de Coimbra”, editado em 1982, pela Rádio Triunfo Lda. O Pedro
Ramalho foi o único cantor, e este fonograma, foi o único que gravou. Neste
disco de 33 1/3 rpm, SPA, RT 10012, foi acompanhado nas guitarras, por Silva
Ramos, Fernando Xavier, Teotónio Xavier e Amado Gomes. Nas violas, por Ferreira
Alves e Carlos Figueiredo. Formavam por essa altura o Grupo de Fados
Guitarradas de Coimbra “Rua Larga”. Na contracapa do disco recolhem-se palavras
de simpatia e apoio, de Carlos Paredes, Lacerda e Megre (Pai) e de Carlos Couceiro,
este último, muito ausente do país, resultado da sua vida profissional. Carlos
Figueiredo, num parágrafo refere que o disco é uma homenagem à “Década de
Oiro”, dos anos 20, do Fado de Coimbra.
António Bernardino Pires dos Santos (Berna), nasceu
em 20 de agosto de 1941 em Óis da Ribeira, concelho de Águeda. Fez o
liceu em Aveiro onde deu os primeiros passos nas cantigas, não só na
Récita de Finalistas de 61/62, como também em inúmeras serenatas, tão em
voga na época. Do seu primeiro Grupo de Fados de Aveiro marcaram
presença António Andias, António Castro, Carlos Lima e Mário Cruz.
-
Chegou a Coimbra em 1963 e desde logo as suas grandes capacidades de
intérprete o guindaram à ribalta da Canção Coimbrã. Foram seus
companheiros nessa época António Portugal, os irmãos Melo (Eduardo e
Ernesto), Octávio Sérgio, Nuno Guimarães, Manuel Borralho, Francisco
Martins, Hermínio Menino, Jorge Rino, Rui Pato, Durval Moreirinhas e
Jorge Moutinho. Colaborou com quase todas as secções culturais da
Associação Académica de Coimbra (Orfeão, Tuna, CITAC, Coro Misto /
Danças Regionais) e nas manifestações académicas: Saraus, Serenatas
Monumentais, Latadas, Festas de Repúblicas, etc.
-
Gravou o seu primeiro disco em 1964 do qual faziam parte a “Samaritana”
e “Fado do 5º Ano Médico”. Alguns dos seus registos fonográficos,
nomeadamente os de contestação, não chegaram ao grande público, embora
existam alguns exemplares guardados religiosamente em coleções
particulares. Em 1969 grava o LP “Flores para Coimbra”, sem dúvida o seu
trabalho mais importante e que marcou um momento histórico de viragem.
-
António Bernardino considerou-se influenciado por José Afonso, Adriano
Correia de Oliveira e pela poesia de Manuel Alegre. Gravou oficialmente
cerca de 50 temas.
- Em 1967 foi mobilizado
para a guerra colonial, em Moçambique, local onde permaneceu até 1974.
Regressado de África, passou a residir em Lisboa a partir de 1975.
Licenciado em Ciências Geográficas, exerceu o cargo de Vice-presidente
dos Serviços Sociais da Universidade de Lisboa. Continuou sempre a
cantar e a participar em espetáculos, gravações de discos e programas
de televisão e rádio. Nesta fase foi acompanhado por António Portugal,
António Brojo, João Bagão, Octávio Sérgio, Aurélio Reis, Luis Filipe,
Rui Pato, Durval Moreirinhas e tantos outros.
-
António Bernardino foi, seguramente, o cantor que mais divulgou a
canção de Coimbra no estrangeiro. Dos Estados Unidos à ex-URSS, da América
Central à Tailândia, da América do Sul à Malásia, da África a Macau, a
todos levou um pouco da cultura coimbrã.
- No
dia 10 de junho de 1995, foi agraciado pelo então Presidente da
Republica, Dr. Mário Soares, com a comenda da Ordem do Infante D.
Henrique, por serviços relevantes prestados à cultura.
Textos, músicas, fotos e outros materiais aqui publicados são propriedade de seus autores, que são, sempre que possível, identificados e creditados e parte destes (por razões óbvias) não tem autorização prévia dos autores. O seu uso deve-se a razões estritamente culturais, científicas e didáticas, sem objetivo comercial ou usurpação de autoria. Pretendemos apenas expressar a admiração pela obra e autores citados, contribuindo para a sua divulgação, respeitando inteiramente a vontade de autores que manifestem a vontade de retirar os seus materiais.