Fez parte da geração de estudantes africanos que viria a desempenhar um papel decisivo na independência dos seus países naquela que ficou designada como a
Guerra Colonial Portuguesa. Foi preso pela
PIDE, a polícia política do regime
salazarista então vigente em Portugal, e deportado para o
Tarrafal, uma prisão política em
Cabo Verde; sendo-lhe depois fixada residência em
Portugal, de onde fugiu para o
exílio. Aí assumiu a direcção do
Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), do qual já era presidente honorário desde
1962. Em paralelo, desenvolveu uma actividade literária, escrevendo nomeadamente poemas.
Agostinho Neto dirigiu a partir de
Argel e de
Brazzaville as actividades políticas e de guerrilha do MPLA durante a
Guerra de Independência de Angola, entre 1961 e 1974, e durante o processo de descolonização, 1974/75, que opôs o MPLA aos dois outros movimentos nacionalistas, a
FNLA e a
UNITA Tendo o MPLA saído deste último processo como vencedor, declarou a independência do país em
11 de novembro de
1975, assumindo as funções de Presidente da República, mantendo as de Presidente do MPLA, e estabelecendo um regime mono-partidário, inspirado no modelo então praticado nos países do Leste europeu.
Durante este período, houve graves conflitos internos no MPLA que puseram em causa a liderança de Agostinho Neto. Entre estes, o mais grave consistiu no surgimento, no início dos anos 1970, de duas tendências opostas à direcção do movimento, a "Revolta Activa" constituída no essencial por elementos intelectuais, e a "Revolta do Leste", formada pelas forças de guerrilha localizadas no Leste de Angola; estas divisões foram superadas num intrincado processo de discussão e negociação que terminou com a reafirmação da autoridade de Agostinho Neto. Já depois da independência, em 1977, houve um levantamento, visando a sua liderança e a linha ideológica por ele defendida; este movimento, oficialmente designado como
fracionismo, foi reprimido de forma sangrenta, por suas ordens.
Agostinho Neto, que era casado com a portuguesa Eugénia Neto, morreu num hospital em Moscovo no decorrer de complicações ocorridas durante uma operação a um
cancro hepático de que sofria, poucos dias antes de fazer 57 anos de idade. Foi substituído na presidência de Angola e do MPLA por
José Eduardo dos Santos.
Mausoléu de Agostinho Neto em Luanda Ao falecer em Moscovo, a 10 de setembro de 1979, Agostinho Neto deixou atrás de si um país em chamas. Não era só Angola que vivia uma guerra civil. O MPLA também. Na
cadeia de São Paulo, em Luanda, e em campos de concentração espalhados por diversos pontos do território angolano, antigos militantes e dirigentes do MPLA, que se haviam oposto à liderança de Agostinho Neto - dos simpatizantes de
Nito Alves aos intelectuais da
Revolta Activa -, partilhavam celas e desditas com os jovens da
Organização Comunista de Angola, OCA, com mercenários portugueses, ingleses e americanos, militares congoleses e sul-africanos, e gente da
UNITA e da
FNLA.
José Eduardo Agualusa no Público (Lisboa) - 26.08.2012
Havemos de voltar
Às casas, às nossos lavras
às praias, aos nossos campos
havemos de voltar
Às nossos terras
vermelhas de café
brancas de algodão
verdes dos milharais
havemos de voltar
às nossas minas de diamantes
ouro, cobre, de petróleo
havemos de voltar
Aos nossos rios, nossos lagos
às montanhas, às florestas
havemos de voltar
À frescura da mulemba
às nossas tradições
aos ritmos e às fogueiras
havemos de voltar
À marimba e ao quissangue
ao nosso carnaval
havemos de voltar
À bela pátria angolana
nossa terra, nossa mãe
havemos de voltar
Havemos de voltar
À Angola libertada
Angola independente
Cadeia do Aljube de Lisboa
Outubro de1960
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