
João Villaret nasceu em Lisboa, em 1913, filho do médico Frederico
Villaret e de Josefina Gouveia da Silva Pereira. Frequentou o colégio
inglês na Rua Marquês de Abrantes e depois o Liceu de Passos Manuel,
onde foi bom aluno. Desde cedo revelou interesse pelas artes. Aos 15
anos ingressou no Conservatório Nacional de Lisboa. Amélia Rey Colaço e Robles Monteiro
tiveram um papel preponderante na sua iniciação teatral. Em 1930
concluiu o curso e a 16 de outubro de 1931 estreava-se interpretando um
papel na peça Leonor Teles, de Marcelino Mesquita.
Trabalhou no teatro, cinema e foi um grande declamador de poesia,
a sua maior paixão. Era um actor ecléctico, pois além do teatro
clássico também se dedicou ao teatro de revista. Fez várias digressões a
África e ao Brasil, onde esteve sete vezes. Nos últimos anos, aos
domingos, tinha um programa na RTP, onde declamava poesia e contava histórias curiosas do mundo cultural. Num desses episódios referiu que o seu amigo António Botto o apresentou a Fernando Pessoa, encontro que muito o impressionou.
Villaret era
diabético, mas era avesso a tratamentos e dietas. Em 1958, quando esteve em
Nova Lisboa
consultou um calista que ao extrair-lhe uma calosidade lhe provocou uma
ferida num pé, o que viria a ter consequências funestas. Viria a morrer
de
insuficiência renal em 1961, aos 47 anos.
Teatro
Mais tarde, fez parte da companhia teatral
Os Comediantes de Lisboa, fundada em 1944 por
António Lopes Ribeiro e o seu irmão Francisco, mais conhecido por
Ribeirinho.
Teve uma interpretação considerada antológica na peça
Esta Noite Choveu Prata, de
Pedro Bloch, em 1954, no extinto Teatro Avenida, em Lisboa.
Cinema
No cinema, Villaret surge em:
- O Pai Tirano, de António Lopes Ribeiro (1941), numa breve aparição, como pedinte mudo e cego;
- Inês de Castro, de Leitão de Barros (1945), onde representa Martin, o bobo;
- Camões, de Leitão de Barros (1946);
- Três Espelhos, de Ladislao Vadja (1947), onde representa o inspector;
- Frei Luís de Sousa, de António Lopes Ribeiro (1950), no papel de criado;
- O Primo Basílio, de António Lopes Ribeiro (1959).
Declamador
Nos anos 50, com o aparecimento da televisão, transpõe para este meio
de comunicação a experiência que adquirira no palco e em cinema, assim
como em programas radiofónicos. Aos domingos declamava na
RTP, com graça e paixão, poemas dos maiores autores nacionais.
Ficaram célebres, entre outras, as suas interpretações de:
Encontram-se no mercado edições, em CD, do trabalho de Villaret como declamador.
Música
Na música, Villaret também deu cartas, sendo criador de grandes
sucessos, como "Rosa Araújo", "Santo António" (proibidos pela Censura do
Estado Novo) e "Sinfonia do Ribatejo", na revista "Não Faças Ondas", em
1956, e do poema-canção "Recado a Lisboa", que até hoje predomina como
um verdadeiro clássico da história da Música Portuguesa.
A sua mais conhecida obra, devido à sua originalidade, é a seguinte:
Fado falado, de Nelson de Barros, com versos de Aníbal de
Nazaré, criado pelo próprio na revista "Tá Bem ou Não 'Tá?" (1947), e
satirizada com mestria nos anos 50, onde se pode ouvir esta frase
emblemática: «Se o fado se canta e chora, também se pode falar».
Homenagens
Em Lisboa o Teatro Villaret recebeu o seu nome como homenagem pela sua carreira.
Em Loures há uma escola com o nome de João Villaret. A escola ensina crianças desde o 5.º até ao 9.º ano.