Vida
Ronald de Carvalho era filho do engenheiro naval Artur Augusto de Carvalho e de Alice Paula e Silva Figueiredo de Carvalho, concluindo o curso secundário no Colégio naval.
Entrou na
Faculdade Livre de Ciéncias Jurídicas e Sociaes do Rio de Janeiro, precursora da atual
Faculdade Nacional de Direito da
UFRJ, fazendo um bacharelato em 1912. Desde 1910 trabalhava como jornalista, no
Diário de Notícias, cujo diretor era
Ruy Barbosa.
Em 1924 dirigiu a Seção dos Negócios Políticos e Diplomáticos na Europa. Durante a gestão de
Félix Pacheco, esteve no
México, como hóspede de honra daquele governo. Em 1926 foi oficial de gabinete do ministro
Otávio Mangabeira. Em 1930, o seu poema
Brasil foi entusiasticamente lido na conferência
Poesia Moderníssima do Brasil, apresentada pelo professor Manoel de Souza Pinto, da Cadeira de Estudos Brasileiros da Faculdade de Letras de Coimbra (tal estudo saiu estampado depois no
Jornal do Commercio, do Rio de Janeiro, edição de domingo, 11 de janeiro de 1931). Exerceu cargos diplomáticos de relevância, servindo na Embaixada de Paris, com o embaixador Sousa Dantas, por dois anos, e depois em
Haia (
Países Baixos). Regressou a
Paris, de onde, em
1933, voltou para o Rio de Janeiro.
Foi secretário da Presidência da República, cargo que ocupava quando morreu. Em concurso realizado pelo
Diário de Notícias, em
1935, foi eleito
Príncipe dos Prosadores Brasileiros, em substituição a
Coelho Neto. Colaborou, com destaque, em
O Jornal e também se encontra colaboração da sua autoria nas revistas
Alma nova (1914-1930) e
Atlântida (1915-1920). Casou com Leilah Accioly de Carvalho, de quem teve quatro filhos.
Ronald de Carvalho faleceu com 41 anos de idade, vítima de acidente automobilístico, no
Rio de Janeiro, a 15 de fevereiro de 1935.
Literatura
Na biblioteca de Fernando Pessoa da Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, existe um exemplar do livro Luz Gloriosa - Poema de Ronald de Carvalho, com o seguinte colofon:
- «Terminou-se a impressão deste livro em Novembro do anno de MCMXIII, nas officinas graphicas da Casa Crès et Cie, Paris.»
Este exemplar foi oferecido a
Fernando Pessoa pelo autor e enviado, através de
Luís de Montalvor, no seu regresso a Lisboa, após dois anos como secretário da Embaixada de Portugal no Rio de Janeiro. O livro tem uma dedicatória escrita pelo punho de Ronald de Carvalho:
- «Para as mãos de Fernando Pessôa, fraternalmente Ronaldo de Carvalho. Rio MCMXIV»
Em 29 de fevereiro de 1915,
Fernando Pessoa escreveu ao autor, agradecendo o livro que este lhe oferecera e fazendo uma apreciação de
Luz Gloriosa:
«O seu livro é dos mais belos que recentemente tenho lido. Digo-lhe isto para que, não me conhecendo, me não julgue posto a severidade sem atenção às belezas do seu Livro. Há em si o com que os grandes poetas se fazem. De vez em quando a mão do escultor faz falar as curvas irreais da sua Matéria. E então é o seu poema sobre o Cais e a sua impressão do Outono, e este e aquele verso, caído dos deuses como o que é azul no céu nos intervalos da tormenta. Exija de si o que sabe que não pode fazer. Não é outro o caminho da Beleza.»
- in Correspondência (1905-1922) - Fernando Pessoa
A crítica de Fernando Pessoa parece ter influenciado o escritor brasileiro, que iria aderir ao
modernismo, destacando-se a sua intervenção na
Semana de Arte Moderna. cinco anos mais novo do que
Fernando Pessoa, Ronald de Carvalho viria a morrer, por coincidência, no mesmo ano do escritor português.
Ronald de Carvalho foi, em conjunto com
Luís de Montalvor, diretor do primeiro número da revista literária
Orpheu,
publicada em Lisboa, em março de 1915, causando enorme polémica. Esta
revista, de que se publicaram apenas dois números, foi uma das mais
importantes no panorama literário português, contribuindo decisivamente
para a introdução do modernismo em Portugal e exercendo uma duradoura
influência na literatura portuguesa do século XX. Para além desses dois
escritores,
Orpheu publicou grandes nomes das letras portuguesas, como
Fernando Pessoa,
Mário de Sá-Carneiro e
José de Almada-Negreiros.
Na folha de rosto do primeiro número da «revista trimestral de literatura»
Orpheu, correspondente ao primeiro trimestre de 1915, pode ler-se:
Nas páginas 21 a 25 a mesma revista contém os poemas de Ronald de
Carvalho «A Alma que Passa», «Lampada Nocturna», «Torre Ignota», «O
Elogio dos Repuxos» e «Reflexos (Poema da Alma enferma)».
Sem comentários:
Enviar um comentário