Durante a sua vida, D. Amélia perdeu todos os seus familiares diretos: defrontou-se com o
assassinato do marido, o
Rei Carlos I, e do filho mais velho,
D. Luís Filipe (episódio conhecido como
regicídio de 1908); vinte e quatro anos mais tarde, recebeu a notícia da morte do segundo e último filho, o
Rei D. Manuel II; e também tinha ficado de
luto com a morte da sua filha, a Infanta D.
Maria Ana de Bragança, nascida num
parto prematuro, e, em 1920, com a morte do cunhado, o infante D. Afonso, Duque do Porto, único irmão do Rei D. Carlos I.
Esta frase estava entre as suas últimas palavras:
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Quero bem a todos os portugueses, mesmo àqueles que me fizeram mal.
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Família e infância
D. Amélia passou parte da infância em Inglaterra, onde nasceu, devido ao exílio a que a sua família estava sujeita, desde que
Napoleão III assumira o trono imperial da França, em
1848. Somente após a queda do Império, em
1871, os Orleães puderam regressar ao país. A princesa teve então a esmerada educação reservada às princesas, embora o seu pai apenas fosse pretendente à coroa.
A princesa cresceu em grandes casas e frequentemente viajava para a
Áustria e
Espanha, onde visitava os seus parentes da família real espanhola (sua avó materna era filha de
Fernando VII). D. Amélia adorava
teatro e
ópera. Uma ávida leitora, escrevia para seus autores favoritos e, ademais, tinha dons para
pintura.
Casamento
O matrimónio de D. Amélia de Orleães com o
Príncipe Real D.
Carlos, Duque de Bragança, ocorreu após falharem várias hipóteses de uma união com a família imperial austríaca e a família real espanhola.
É dito que
Otto von Bismarck foi contrário ao seu noivado com o arquiduque
Francisco Fernando da Áustria, cujo assassinato, após a tragédia de
Sarajevo, foi uma das causas da
Primeira Guerra Mundial. D. Amélia poderia ter ficado no lugar de
Sofia, Duquesa de Hohenberg, também assassinada na ocasião. Porém, ironicamente, ela acabou tendo uma experiência semelhante ainda antes da morte do arquiduque: o
Regicídio de 1908.
Apesar do casamento arranjado, D. Amélia e D. Carlos apaixonaram-se um pelo outro. A
18 de maio de
1886, a futura Duquesa de Bragança partiu de França. Ao chegar em
Pampilhosa, terá descido do
comboio com o pé esquerdo. No dia seguinte, em
19 de maio, às 5 horas da tarde, a princesa conheceu a corte em
Lisboa, que estava à sua espera. Foi bem recebida pelos sogros, o Rei D.
Luís I e a Rainha
Maria Pia.
O casamento foi celebrado no dia
22 de maio de
1886, na
Igreja de São Domingos, e grande parte do povo
lisboeta saiu às ruas para acompanhar a cerimónia. O Duque e a Duquesa de Bragança mudaram-se para sua nova residência, o
Palácio de Belém, onde nasceriam os dois filhos: D.
Luís Filipe e o futuro D.
Manuel II de Portugal. Eles também tiveram uma filha, D.
Maria Ana, nascida em
14 de dezembro de
1887, mas essa sobreviveu por poucas horas.
Brasão da Rainha Dona Amélia de Orleães e Bragança
Rainha de Portugal
Em outubro de
1889, com a morte do sogro, D. Amélia, então com apenas vinte e quatro anos, tornou-se
Rainha de Portugal. Contudo, o reinado de seu marido, titulado
Carlos I, enfrentava crises políticas, tais como o
Ultimato britânico de 1890, e a insatisfação popular; crescia o ódio à família real portuguesa. Em janeiro de
1891, em
Porto, houve uma rebelião
republicana, mas foi sufocada.
A propaganda republicana, que estava ganhando força, apelidava-a de "beata gastadora e leviana".
Como mãe, a rainha soube dar uma excelente
educação aos seus dois filhos, alargando-lhes os horizontes culturais com uma viagem pelo
Mediterrâneo, a bordo do
iate real
Amélia, mostrando-lhes as antigas civilizações romana, grega e egípcia.
Regicídio e exílio
O
regicídio de 1 de fevereiro de 1908 lançou-a num profundo desgosto, do qual D. Amélia jamais se recuperou totalmente. Retirou-se então para o
Palácio da Pena, em
Sintra, não deixando porém de procurar apoiar, por todos os meios, o seu jovem filho, o Rei
D. Manuel II, no período em que se assistiu ao degradar das instituições monárquicas. Encontrava-se justamente no Palácio da Pena, quando eclodiu a revolução de outubro de 1910.
Exílio, visita a Portugal e reconciliação familiar
Após o fim da guerra, em
8 de junho de
1945, regressou a Portugal, numa emocionante jornada, visitando o
Santuário de Fátima e todos os lugares que lhe estavam ligados, com exceção de
Vila Viçosa, apesar da grande afeição que sentia por esta vila alentejana.
Pouco antes da sua visita a Portugal, D. Amélia aceitara ser madrinha de baptismo de D.
Duarte Pio de Bragança, confirmando a reconciliação dos dois ramos da família Bragança.
Morte
No dia
25 de outubro de
1951, a rainha D. Amélia faleceu em sua residência em Versalhes, aos oitenta e seis anos. Tinha sido atingida por um fatal ataque de
uremia, morrendo às 09.35 horas da manhã. O corpo da rainha foi então trasladado pela
fragata Bartolomeu Dias para junto do marido e dos filhos, no panteão real dos Bragança, na
Igreja de São Vicente de Fora. Esse foi o seu último desejo, na hora de sua morte. O funeral teve honras de Estado e foi visto por grande parte do povo de Lisboa.
1 comentário:
Olá Ricardo! Obrigado pelo comentário - vou colocar no texto, como adenda. Sei que a Família Real portuguesa usava, daqui da região, azeviche, das minas da zona da Batalha, para fazer joias quando estavam de luto. Eu, por acaso, tenho uma amostra fantástica do mesmo...!
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