D.ª
Maria II (
Maria da Glória Joana Carlota Leopoldina da Cruz Francisca Xavier de Paula Isidora Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança;
Rio de Janeiro,
4 de abril de
1819 -
Lisboa,
15 de novembro de
1853) foi rainha de Portugal de 1834 a 1853. Era filha do
Pedro IV de Portugal (
Imperador do Brasil como
Pedro I) e da
arquiduquesa Dona Leopoldina de Áustria e irmã mais velha do Imperador do Brasil D.
Pedro II, também filho de Pedro IV com Leopoldina. Foi cognominada de
A Educadora ou
A Boa Mãe,
em virtude da aprimorada educação que dispensou ao seus muitos filhos.
Maria da Glória era loira, de pele muito fina, olhos azuis como a mãe
austríaca. Foi a 31ª Rainha de Portugal e dos
Algarves,
de iure, aquando da
abdicação do pai, de 1826 a 1828, e,
de facto, de 1834 a 1853.
(...)
Desde sua primeira gravidez, aos dezoito anos de idade, Maria II
enfrentou problemas para dar à luz, com trabalhos de parto prolongados e
extremamente dificultosos. Exemplo disso foi a sua terceira gestação,
cujo trabalho de parto durou 32 horas, findas as quais, foi retirada a
fórceps uma menina, batizada
in articulo mortis com o nome de Maria (1840).
Aos 25 anos de idade e na sua quinta gestação, a soberana tornou-se
obesa e seus partos tornaram-se ainda mais complicados. Em 1847 o
sofrimento fetal que precedeu o nascimento do seu oitavo filho – o
Infante Dom Augusto – trouxe ao mundo uma criança
"bastante arrouxada e com pouca respiração".
A perigosa rotina de gestações sucessivas, somada à obesidade (que
terminou por causar-lhe problemas cardíacos) e à frequência de
partos distócicos
(preocupante, especialmente por tratar-se de uma multípara) levaram os
médicos a alertarem a rainha sobre os sérios riscos que corria.
Indiferente aos avisos, Dona Maria II limitava-se a retrucar:
"Se morrer, morro no meu posto".
Em 15 de novembro de 1853, treze horas após o início do trabalho de parto do
natimorto infante Dom Eugénio, seu 11º filho, Dona Maria II morreu, aos 34 anos de idade. O anúncio da morte foi publicada no
Diário do Governo de 16 de novembro de 1853:
- "Paço das Necessidades, 15 de Novembro de 1853, à meia hora depois do meio dia.
- Sua Magestade a Rainha começou a
sentir annuncios do parto às nove horas e meia da noite de hontem.
Appareceram difficuldades no progresso do mesmo parto, as quaes
obrigaram os facultativos a recorrer a operações, pelas quaes se
conseguiu a extracção de um Infante, de tempo, que recebeu o baptismo
antes de extrahido.
- O resultado destas operações
teve lugar às dez horas da manhã. Desgraçadamente, passada hora e meia,
Sua Magestade, exhausta de todas as forças, rendeo a alma a Deos,
depois de haver recebido todos os sacramentos.
- - Francisco Elias Rodrigues da
Silveira. Dr. Kessler. Ignacio António da Fonseca Benevides. António
Joaquim Farto. Manuel Carlos Teixeira."
- "Às duas horas depois da
meia-noite do dia 14 para 15, recebi ordem para ir para o Paço, onde
cheguei perto das três. Achei já a Imperatriz
no quarto da Rainha, para onde entrei logo, achando Sua Majestade
incomodada e mesmo pouco fora do seu costume. Assim estivemos até às
cinco horas, e então saímos do quarto imediato e perguntámos ao Teixeira
o que achava, dizendo-nos: "Sua Majestade vai bem mas devagar". Eu não
gostei; e assim se foi passando até às oito horas e meia. Então é que o
Teixeira chamou os facultativos, que estavam fora e que não tinham
visto a Rainha, e, logo que a examinaram, decidiu-se a horrível
operação. Os facultativos eram o Teixeira, o Farto e o Kessler, e os
médicos eram o Elias e o Benevides. O Kessler deu logo o caso por muito
perigoso.
- Começou-se a operação. Eu subi
para cima da cama. Do lado direito, a Imperatriz, toda debulhada em
lágrimas; a Rainha com ânimo, sem ter um desmaio, mas com muito mau
parecer e, queixando-se de que sofria bastante, disse com a sua voz
natural: "Ó Teixeira? Se tenho perigo, diga-mo; não me engane".
- A Imperatriz desceu da cama, e disse-me: "A Rainha deve-se confessar"; e foi logo dizê-lo a El-Rei, que respondeu: "Chamem o Patriarca".
Ora a este tempo já o Farto tinha baptizado o menino. O Patriarca
entrou, e a operação não estava de todo acabada, e tudo era horroroso,
mas eram mais de dez horas. Acabou-se, e o Patriarca falou com a Rainha,
que estava bem mal, e disse-lhe que fizesse com ele o acto de
contrição para a absolver, mas, depois disto, pôde Sua Majestade
confessar-se, sacramentar-se e ungir-se, e às onze horas e meia
expirou.
- Não faço reflexões, mas tenho o maior sentimento de que não viessem o José Lourenço e Magalhães Coutinho, que os foram buscar quando não havia remédio.
- A Rainha dizia: "- Não é nada
como das outras vezes". E Ela já tinha passado por uma operação. Não
posso explicar a consternação de El-Rei D. Fernando e de todo o Paço.’’
- Triste embalsamação, que se fez
no dia 16, estando eu sempre, e durou a do Infante e a da Rainha sete
horas. Acabada esta aflição, foi a de se vestir, o que era quase
impossível, no estado da dissolução em que estava Sua Majestade, mas do
modo possível se fez, levando as Ordens e manto Real, mas foi preciso
fechar o caixão, porque não é possível pintar o estado de dissolução."
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