Em
1911 já estava formado em Direito pela respectiva
universidade e no final do ano de
1912, escrevia a comunicar a sua «conversão à Monarquia e ao Catolicismo - "
as únicas limitações que o homem, sem perda de dignidade e orgulho, pode ainda aceitar". E abençoava "
esta República trágico-cómica que (o vacinara) a tempo pela lição da experiência...".
A
lusitana antiga liberdade do verso de
Luís de Camões era uma referência dos integralistas, tendo no municipalismo e no sindicalismo duas palavras-chave de um ideário político que não dispensava o Rei, entendido como o
Procurador do Povo e o melhor garante e defensor das liberdades republicanas.
António Sardinha era
anti-maçónico e na sua sequência
anti-iberista, em
1915, tendo prenunciar-se na
Liga Naval de Lisboa uma conferência onde alertava para o perigo de uma absorção de
Portugal por
Espanha. Em vez da fusão dos
estados desses dois países, propunha uma forte liga entre todos os povos hispânicos, a lançar por intermédio de uma aliança entre os dois, ambos reconduzidos à
monarquia. A
Aliança Peninsular entre as duas e seus reinos seria, na sua perspectiva, o ponto de partida para a constituição de uma ampla Comunidade Hispânica (dos povos de língua portuguesa e espanhola), a base mais firme onde assentaria a sobrevivência da civilização
ocidental.
Ao regressar a Portugal, 27 meses depois, tornou-se director do diário
A Monarquia.
António Sardinha morreu jovem, com apenas 37 anos.
MEMÓRIA
Meu coração de lusitano antigo
bateu às portas de Toledo, a estranha.
Mais roto e ensanguentado que um mendigo.
só a saudade as passos lhe acompanha.
Pois a saudade ali me deu abrigo.
ao pé do Tejo que a Toledo banha.
Levava os dias a falar comigo,
como um pastor com outro na montanha.
Em todo o mundo há terra portuguesa,
desde que a alma a tenha na lembrança
e a sirva sempre com fervor igual.
Talvez por isso, em horas de tristeza,
eu pude à sua amada semelhança
criar pra mim um novo Portugal!
in Na Corte da Saudade (1922) - António Sardinha
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