Considerada a mais proeminente figura do teatro português do
século XX, recebeu da família o primeiro contacto com as artes - o pai,
Alexandre Rey Colaço, era pianista, compositor e professor dos príncipes, e a avó, Madame Reinhardt, tinha um salão literário e musical em
Berlim. Decidiu enveredar pelo teatro aos quinze anos, depois de assistir, na
Alemanha, às peças do encenador austríaco
Max Reinhardt. No regresso a
Portugal iniciou aulas de teatro com
Augusto Rosa. Corria o ano de
1917 quando se estreou no então Teatro República (hoje
Teatro São Luiz), na peça
Marinela de
Benito Pérez Galdós.
Para fazer a personagem, uma rude vagabunda, aprendeu, durante meses, a
andar descalça e a usar farrapos, no interior do jardim do seu
palacete.
Na direção da companhia atuou em vários planos - estruturou um grupo coeso e exigente, empenhou-se na dignificação social do
ator,
conquistando para ele um estatuto de superioridade, à medida que
organizava um reportório ambicioso, à revelia da censura. Chamou
pintores prestigiados para colaborarem na cenografia, casos de
Raul Lino,
Almada Negreiros ou
Eduardo Malta. Contratou nomes que eram ídolos do público de então, como
Palmira Bastos,
Nascimento Fernandes,
Alves da Cunha,
Lucília Simões,
Estêvão Amarante,
Maria Matos ou
Vasco Santana. Fazendo escola, revelou uma inteira geração de novos atores, como
Raul de Carvalho,
Álvaro Benamor,
Maria Lalande,
Assis Pacheco,
João Villaret,
Augusto de Figueiredo,
Paiva Raposo,
Eunice Muñoz,
Carmen Dolores,
Maria Barroso,
João Perry,
Madalena Sotto,
Helena Félix,
Rogério Paulo,
José de Castro,
Lurdes Norberto,
Varela Silva,
Ruy de Carvalho,
Filipe La Féria ou
João Mota. Alternando entre obras clássicas e modernas, abriu como nunca as portas à dramaturgia portuguesa, representando obras de
António Ferreira,
José Régio,
Alfredo Cortez,
Virgínia Vitorino,
Carlos Selvagem,
Romeu Correia,
Bernardo Santareno,
Luís de Sttau Monteiro, entre outros. Com ousadia, revelou autores como
Jean Cocteau,
Jean Anouilh,
Lorca,
Brecht,
Valle Ínclan,
Alejandro Casona,
Eugene O'Neill,
Tennessee Williams,
Arthur Miller,
Pirandello,
Eduardo De Filippo,
Max Frisch,
Ionesco,
Dürrenmatt e
Edward Albee.
Em princípios de
1974, Amélia Rey Colaço regressa ao
São Luiz, de onde partira. Pouco depois dá-se o
25 de abril e, percebendo que a vão encarar como um símbolo do
Estado Novo, suspende a companhia e sai de cena, assumindo a injustiça com discrição. Deixava para trás espetáculos antológicos, como
Castro,
Salomé,
Outono em Flor,
Romeu e Julieta,
O Processo de Jesus,
Topaze,
A Visita da Velha Senhora ou
Tango. O último grande papel vem, contudo, a desempenhá-lo aos oitenta e sete anos, na figura de
D. Catarina na peça
El-Rei D. Sebastião, de
José Régio. Em
1988, aquando da extinção oficial da companhia, Amélia Rey Colaço vê-se forçada a leiloar o recheio da casa do
Dafundo, cedida pela marquesa
Olga do Cadaval, e a abandoná-la. Em
1990 morre em
Lisboa, junto da sua filha,
Mariana Rey Monteiro.
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