Família
Primeiros anos
Devido à revolta causada pelos
Saboia em uma série de outras casas reais (as italianas e outras relacionadas a elas, como os
Bourbon de
Espanha e
França) em
1859-
1860, apenas uma pequena parcela da
realeza estava disposta a estabelecer relações com a família reinante do recém criado
Reino da Itália, o que tornou a procura por uma noiva real para os filhos de Vítor Emanuel II uma tarefa bastante difícil. O conflito da família com a
Igreja Católica após a anexação dos
Estados Pontifícios dificultou ainda mais as negociações de casamento com pretendentes católicas.
Inicialmente, acertou-se o casamento de Umberto com a
arquiduquesa Matilde de Áustria-Teschen, descendente de um ramo colateral da
Casa de Habsburgo. No entanto, a arquiduquesa morreu aos dezoito anos de idade, vítima de um trágico acidente. O príncipe-herdeiro acabou casando-se com a princesa
Margarida de Saboia, sua prima em primeiro grau, em
21 de abril de
1868. Margarida foi uma das raras princesas, entre todas as casas reais da
Europa, com disponibilidade para contrair matrim
ónio com um membro da desprezada família Saboia (da qual ela também fazia parte). O casal teve um único filho, o futuro
Vítor Emanuel III.
Reinado
Ascendeu ao trono com a morte do pai, em
9 de janeiro de
1878. O novo rei adotou o título de
"Umberto I da Itália", em vez de "Umberto IV" (de Saboia), e permitiu que os restos mortais de Vítor Emanuel II fossem sepultados no
Panteão de Roma, em vez da cripta real da
Basílica de Superga, reforçando a ideia de uma Itália unificada.
Primeira tentativa de assassinato
Durante uma viagem a
Nápoles, a
17 de novembro de
1878, Umberto desfilava num carro aberto acompanhado do
primeiro-ministro Benedetto Cairoli quando foi atacado pelo
anarquista Giovanni Passannante. O rei repeliu o golpe com seu sabre, mas Cairoli, ao tentar defendê-lo, foi gravemente ferido na coxa. O pretenso assassino foi condenado à morte, embora a lei só permitisse tal condenação em caso de morte do rei. Umberto comutou a sentença em trabalhos forçados perpétuos, que Passanante cumpriu numa cela de apenas 1,4 metros de altura, sem saneamento e com 18 quilos de correntes em seu corpo. O anarquista viria a morrer em uma instituição psiquiátrica .
Política externa
Na política externa, Umberto I aprovou a
Tríplice Aliança com a
Áustria-Hungria e a
Alemanha, visitando
Viena e
Berlim diversas vezes. Muitos na Itália, no entanto, desaprovavam e viam com hostilidade uma aliança com seus antigos inimigos
austríacos, que ainda ocupavam áreas reivindicadas pela Itália.
Nas relações com a
Santa Sé, Umberto declarou, em um telegrama de
1886, Roma "intocável" e afirmou a permanência da posse italiana da "Cidade Eterna".
Desordem
O reinado de Umberto I corresponde a uma época de revolução social, embora fosse afirmado mais tarde que tenha sido uma tranquila
belle époque. Tensões sociais decorrentes da ocupação relativamente recente do
Reino das Duas Sicílias, a disseminação de ideias
socialistas, a hostilidade do povo em relação aos planos
colonialistas de vários gabinetes - especialmente o de
Francesco Crispi - e a repressão às
liberdades civis. Entre os opositores estava o jovem
Benito Mussolini, então membro do partido socialista. Em
22 de abril de
1897, Umberto I foi atacado novamente, por
Pietro Acciarito, um ferreiro desempregado, que tentou esfaqueá-lo perto de Roma.
Massacre de Bava Beccaris
O rei foi duramente criticado pela oposição socialista e anarquista-republicana por ter concedido a grã-cruz da
Ordem Militar de Saboia ao
general Fiorenzo Bava Beccaris que, em
7 de maio de
1898, ordenou o uso de canhões contra a multidão que participava do chamado "Motim de Milão" (também conhecido como o
protesto do estômago), uma manifestação popular provocada pela grande alta no custo dos cereais. Sob as ordens de Bava Beccaris, o exército protagonizou um massacre com pelo menos uma centena de mortos e mais de 500 feridos, segundo estimativas da polícia da época, embora alguns historiadores considerem que essas estimativas tenham sido subestimadas.
Após os eventos em Milão, o governo do general
Luigi Pelloux tomou um rumo autoritário, preparando-se para dissolver as organizações socialistas e radicais católicas e limitar a
liberdade de imprensa e de reunião. Esta atitude, no entanto, foi vetada pelo parlamento, onde os socialistas conseguiram forçar Pelloux a dissolver o governo e convocar novas eleições, com avanço acentuado da esquerda.
Pelloux renunciou e Umberto I, em respeito à legislação vigente, nomeou
Giuseppe Saracco como presidente do conselho de ministros, que deu início a uma política de reconciliação nacional. A concessão da condecoração ao general Bava Beccaris foi a causa do último e fatal ataque ao monarca, por
Gaetano Bresci.
O atentado fatal
Em
29 de julho de
1900, Umberto I foi convidado a
Monza para participar de uma cerimónia de entrega de prémios organizada pela
Società Ginnastica Monzese Forti e Liberi, evento que contou com equipes de atletas de
Trento e
Trieste. Embora ele costumasse usar uma cota de malha de proteção sob a camisa, decidiu não usá-la naquele dia, por causa do calor, atitude que contrariava as instruções de seus agentes de segurança. Entre os populares que o saudavam também se encontrava
Gaetano Bresci, com um revólver no bolso.
O rei permaneceu no local por cerca de uma hora e, segundo testemunhas, estava de bom humor: "Entre esses jovens inteligentes me sinto rejuvenescido.", teria declarado. Ele decidiu retornar ao palácio da Villa Reale di Monza por volta de 22.30 horas, caminhando entre a multidão e a banda de música, que iniciava a "Marcha Real".
Aproveitando-se da confusão, Bresci postou-se à frente do rei e disparou três tiros. Umberto, baleado no ombro, pulmão e coração, dirigiu-se ao general Ponzio Vaglia: "Vamos, acho que estou ferido!".
Logo após, a polícia prendeu Brescia (que não ofereceu nenhuma resistência), livrando-o do linchamento pela multidão. Enquanto isso, a carruagem chegava à Villa Reale onde a rainha, já avisada do ocorrido gritava: "Façam algo, salvem o rei!" Mas nada mais podia ser feito, o rei já estava morto.
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