Em julho de 1965, dois braços gigantescos de dinossauros repletos de garras ameaçadoras foram desenterrados no remoto deserto de Gobi, no Sul da Mongólia. Com 2,4 metros de comprimento, eram os maiores braços de uma criatura bípede conhecida na história da Terra. Mas faltava quase todo o resto, deixando os especialistas perplexos sobre a natureza desta criatura de braços monstruosos.
Proliferando numa região fluvial, este dinossauro era omnívoro, comendo peixes e plantas com um focinho desdentado em forma de bico, que se tornava mais largo nos lados como os dinossauros herbívoros bico-de-pato. O Deinocheirus tinha os pés largos, com dedos que terminavam em cascos, o que o deve ter ajudado a manter-se de pé em solos molhados.
Tinha ainda ancas largas e deslocava-se lentamente, mas era capaz de se defender graças ao seu enorme tamanho e três garras em cada pata dianteira. Era praticamente tão grande como um grande predador que existia na vizinhança – o Tarbosaurus, um primo do Tyrannosaurus rex.
Durante décadas, os cientistas especularam sobre o Deinocheirus. De forma correcta, era considerado um terópode, um ramo dos dinossauros (carnívoros e bípedes) que inclui gigantes como o T-rex e também a linhagem que evoluiu para as aves. Mas era um terópode de que tipo?
“O Deinocheirus permaneceu um dos dinossauros mais misteriosos do mundo. Agora ao descobrimos esqueletos quase completos de Deinocheirus, sabemos que aspecto tinha, quão grande era e o que comia”, disse o primeiro autor do artigo científico, o paleontólogo Yuong-Nam Lee, director do Museu Geológico do Instituto de Geociências e Recursos Minerais, em Daejeon, na Coreia do Sul.
O paleontólogo Thomas Holtz, da Universidade de Maryland (EUA), num comentário a acompanhar o estudo publicado na Nature, considera que ninguém podia prever o conjunto espantoso de atributos deste dinossauro: “Esperei literalmente a minha vida inteira para ver finalmente revelado o Deinocheirus.”
Mas o azar quase impedia esta revelação. Os dois novos esqueletos foram descobertos em 2006 e 2009 em locais distintos do deserto de Gobi. Só que lhes faltavam as cabeças e outras partes do corpo. Os cientistas aperceberam-se de que foram traficadas por coleccionadores ilegais de fósseis: essas partes dos esqueletos tinham sido vendidas a coleccionadores privados.
Os ossos em falta da escavação de 2009 acabaram num coleccionador na Alemanha. Acidentalmente, foram vistos pelo paleontólogo belga Pascal Godefroit, que reconheceu o que eram aqueles ossos e informou Yuong-Nam Lee, bem como outros cientistas.
Os investigadores conseguiram então persuadir o coleccionador a doar os fósseis por causa da sua importância para a ciência, contou Yuong-Nam Lee. E os fósseis regressaram à Mongólia em maio. Mas os ossos do exemplar descoberto em 2006 continuam desaparecidos.


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