Biografia
Frequentou o
Liceu Passos Manuel e a Escola Técnica Machado de Castro, tendo escrito os seus primeiros poemas em
1936, o primeiro dos quais, intitulado
Narciso, publicou três anos mais tarde.
Durante os anos que se seguem até hoje, o poeta fez diversas viagens, foi convidado para participar em vários eventos e travou amizades com muitas personalidades da cultura portuguesa e estrangeira, como
Joel Serrão,
Miguel Torga,
Afonso Duarte,
Carlos Oliveira,
Eduardo Lourenço,
Joaquim Namorado,
Sophia de Mello Breyner Andresen,
Teixeira de Pascoaes,
Vitorino Nemésio,
Jorge de Sena,
Mário Cesariny, José Luís Cano,
Ángel Crespo,
Luis Cernuda,
Jaime Montestrela,
Marguerite Yourcenar,
Herberto Helder,
Joaquim Manuel Magalhães,
João Miguel Fernandes Jorge,
Óscar Lopes e muitos outros.
Apesar do seu enorme prestígio nacional e internacional, Eugénio de Andrade sempre viveu distanciado da chamada vida social, literária ou mundana, tendo o próprio justificado as suas raras aparições públicas com «essa debilidade do coração que é a amizade».
Faleceu a
13 de junho de
2005, no Porto, após uma doença neurológica prolongada.
Literatura
Estreou-se em 1939, com a obra
Narciso, torna-se mais conhecido em 1942 com o livro de versos
Adolescente. A sua consagração acontece em 1948, com a publicação de
As mãos e os frutos, que mereceu os aplausos de críticos como Jorge de Sena ou Vitorino Nemésio. A obra poética de Eugénio de Andrade é essencialmente lírica, considerada por
José Saramago como uma
poesia do corpo a que se chega mediante uma depuração contínua.
Entre as dezenas de obras que publicou encontram-se, na poesia,
Os amantes sem dinheiro (1950),
As palavras interditas (1951),
Escrita da Terra (1974),
Matéria Solar (1980),
Rente ao dizer (1992),
Ofício da paciência (1994),
O sal da língua (1995) e
Os lugares do lume (1998).
Em
prosa, publicou
Os afluentes do silêncio (1968),
Rosto precário (1979) e
À sombra da memória (1993), além das histórias infantis
História da égua branca (1977) e
Aquela nuvem e as outras (1986).
Foi também tradutor de algumas obras, como dos espanhóis
Federico García Lorca e
Antonio Buero Vallejo, da poetisa grega clássica
Safo (
Poemas e fragmentos, em 1974), do grego moderno
Yannis Ritsos, do francês
René Char e do argentino
Jorge Luís Borges.
Em setembro de 2003 a sua obra
Os sulcos da sede foi distinguida com o Prémio de Poesia do Pen Clube Português.
Retrato Ardente
Entre os teus lábios
é que a loucura acode
desce à garganta,
invade a água.
No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.
Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.
Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.
Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha.
in Obscuro Domínio (1971) - Eugénio de Andrade
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