Nicolau Tolentino de Almeida (
Lisboa,
10 de setembro de
1740 -
23 de junho de
1811) foi um
poeta português.
Os seus versos continham sempre pedidos, lutando por um cargo na
secretaria de estado, até que este foi satisfeito, com a nomeação como
oficial de secretaria.
Foi um
professor
durante quinze anos, mas esta vida não lhe agradava, era inadaptado e
descontente até conseguir o posto na Secretaria dos Negócios do Reino.
Obteve tudo quanto pretendeu, o que não o fez deixar de deplorar uma
suposta miséria.
Bom metrificador, compôs
sátiras descritivas e caricatural,
sonetos e
odes, que reuniu em 1801 num volume chamado
Obras Poéticas.
Ficando pela superfície, mostrava bem os erros e ridículos da época, a
sua visão cómica consistia no agravamento das proporções, hipertrofiando os
exageros que encontrava.
Em curto josezinho rebuçado,
Loiro peralta a rua passeava;
Seus votos pela adufa lhe aceitava
Com brando riso um rosto delicado;
O pai da moça, que era ginja honrado,
E o caso havia dias espreitava,
De membrudo caixeiro se escoltava,
Com bengala na mão, chambre traçado:
Fugira o moço, qual ligeira pela,
Se as fivelas, de marca agigantada,
Deixassem navegar a nau à vela;
Mas viu uma entre esquinas encalhada;
E, se ninguém comprou maior fivela,
Também ninguém levou maior maçada.
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