Após ter terminado o ensino básico, Manuel da Fonseca prosseguiu os seus estudos em
Lisboa. Estudou no Colégio Vasco da Gama,
Liceu Camões, Escola Lusitânia e
Escola de Belas-Artes. Apesar de não ter sobressaído na área das Belas-Artes, deixou alguns registos do seu traço sobretudo nos retratos que fazia de alguns dos seus companheiros de tertúlias lisboetas como é o caso do de
José Cardoso Pires. Durante os períodos de interregno escolar, aproveitava para regressar ao seu Alentejo de origem. Daí que o espaço de eleição dos seus primeiros textos seja o Alentejo. Só mais tarde e a partir de
Um Anjo no Trapézio é que o espaço das suas obras passa a ser a cidade de Lisboa.
Membro do
Partido Comunista Português (PCP), Manuel da Fonseca fez parte do grupo do
Novo Cancioneiro e é considerado por muitos como um dos melhores escritores do
neo-realismo português. Nas suas obras, carregadas de intervenção social e política, relata como poucos a vida dura do Alentejo e dos alentejanos.
Solidão
Que venham todos os pobres da Terra
os ofendidos e humilhados
os torturados
os loucos:
meu abraço é cada vez mais largo
envolve-os a todos!
Ó minha vontade, ó meu desejo
— os pobres e os humilhados
todos
se quedaram de espanto!...
(A luz do Sol beija e fecunda
mas os místicos andaram pelos séculos
construindo noites
geladas solidões.)
in Poemas Dispersos - Manuel da Fonseca
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