Variações sobre
O POEMA POUCO ORIGINAL DO MEDO
de Alexandre O'Neill
Os ratos invadiram a cidade
povoaram as casas os ratos roeram
o coração das gentes.
Cada homem traz um rato na alma.
Na rua os ratos roeram a vida.
É proibido não ser rato.
Canto na toca. E sou um homem.
Os ratos não tiveram tempo de roer-me
os ratos não podem roer um homem
que grita não aos ratos.
Encho a toca de sol.
(Cá fora os ratos roeram o sol).
Encho a toca de luar.
(Cá fora os ratos roeram a lua).
Encho a toca de amor.
(Cá fora os ratos roeram o amor).
Na toca que já foi dos ratos cantam
os homens que não chiam. E cantando
a toca enche-se de sol.
(O pouco sol que os ratos não roeram).
Manuel Alegre


2 comentários:
Não conheço o caso para poder-me pronunciar sobre o mesmo... mas a frequência com que se começa a ouvir do abafamento da livre expressão; quer porque um bufo denuncia uma anedota, quer porque alguém sabe de mais, quer porque o medo da instabilidade laborar a isso recomenda; está a tornar-se demasiado elevado para ser considerado a sério e para vir ao cimo o poema da Trova do Vento que passa "Há sempre alguém que resiste, Há sempre alguém que diz não" e talvez seja a altura de alguém dizer basta!
Infelizmente é verdade, isto está ficar muito parecido com a II República...
Enviar um comentário