Missão Artemis II regressou à Terra: 'Orion' amarou no Pacífico
Astronautas da missão Artemis II regressaram em segurança à Terra
Viagem até à Lua durou 10 dias. Quatro astronautas embarcaram a bordo da cápsula 'Orion' e bateram o recorde de distância da Apollo XIII em abril de 1970.
A madrugada deste sábado, 11 de abril de 2026, ditou o fim da missão da Artemis II - o primeiro voo tripulado em mais de cinquenta anos até à Lua. É esta a data que marca o regresso a 'casa' dos quatro astronautas que viajaram a bordo da cápsula 'Orion'. A amaragem da cápsula no Oceano Pacífico, ao largo de San Diego, na Califórnia, deu-se pelas 01.07 de Portugal continental (17.07 na Califórnia) tal como a NASA tinha previsto e tudo correu como planeado.
"Splash down confirm", foi assim que a NASA anunciou que a nave tinha amarado em segurança. O processo de reentrada no planeta durou apenas 13 minutos, seis deles foram passados sem comunicações. A cápsula viajou a 11 quilómetros por segundo. Para auxiliar a descida, foi acionada quase uma dúzia de paraquedas. De modo a atenuar os efeitos do retorno à gravidade e as náuseas provocadas pela reentrada da cápsula 'Orion' na Terra , os astronautas estiveram gradualmente a tomar medicação.
Assim que a cápsula amarou no Pacífico, as equipas de resgate norte-americanas aproximaram-se. A nave foi recolhida por uma navio da Marinha americana. Pela 01h21 (14 minutos após a amaragem), o comandante da tripulação informou que todos os astronautas se encontravam bem: "A tripulação está em excelente forma". Cerca de uma hora depois do regresso da tripulação à Terra, as portas da 'Orion' abriram e entraram médicos para confirmar se efetivamente os astronautas se encontravam bem.
As correntes marítimas dificultaram a retirada dos astronautas, acabando-se por se estender para lá do previsto. A retirada em segurança dos astronautas durou cerca de cinco minutos e o último a sair foi o comandante Reid Wiseman. Os astronautas que regressaram à Terra vestidos com 'trajes de compressão', são observados por equipas médicas e submetidos a vários exames.

Num vídeo partilhado pela NASA, os austronautas Christina e Victor mostram-se sorridentes enquanto esperavam para serem avaliados pelas equipas médicas e exames pós-missão.
O administrador da NASA, Jared Isaacman parabenizou os astronautas: "Os Estados Unidos voltaram a enviar astronautas à Lua e a trazê-los de volta em segurança. Reid, Victor, Christina e Jeremy fizeram um trabalho excecional".
A aventura de Reid Wiseman, Christina Koch, Jeremy Hansen e Victor J Glover, com início a 1 de abril, durou 10 dias. Para além do comandante, piloto e dos especialistas em missão, a tripulação tinha um quinto elemento - o peluche Rise que serviu como indicador de gravidade zero.
A NASA permitiu que cada astronauta levasse na bagagem um objeto pessoal. Considerado o mais bem-vestido da tripulação, o piloto Victor J Glover, de 49 anos e a primeira pessoa negra a orbitar a Lua, escolheu levar algo que lhe transmitisse a sensação de estar em 'casa'. Nesta viagem até ao satélite natural da Terra foi acompanhado pelas alianças de casamento, relíquias da família (tem quatro filhos) e Bíblia.
Os pensamentos de Reid Wiseman não serão esquecidos. O comandante, de 50 anos, decidiu eternizá-los registando-os num bloco de notas. Os últimos seis anos da sua vida não foram fáceis. Em 2020 perdeu a mulher, doente oncológica, e desde então foi-lhe dado "o maior desafio" que alguma vez enfrentou. Reid Wiseman foi responsável pela educação das duas filhas. No decorrer da missão, os astronautas fizeram chegar à NASA uma vontade: gostariam de batizar uma das novas crateras que identificaram no satélite natural da Terra com o nome de Carroll - como se chamava a mulher de Reid Wiseman.
Jeremy Hansen, especialista em missão e atualmente com 50 anos, viajou sob o mote "Moon and back". Com ele foram quatro pingentes em forma de lua como uma espécie de homenagem às quatro pessoas mais importantes da sua vida , a mulher e os três filhos.
A única mulher a bordo da cápsula 'Orion' optou pelo poder das palavras. Na bagageira da especialista em missão houve um espaço reservado para mensagens escritas à mão por pessoas que lhe são próximas. Ao recorde de voo especial mais longo realizado por uma mulher, Christina Koch passa a ser conhecida por outro altamente histórico. Na segunda-feira passada, os astronautas bateram o recorde de distância da Apollo XIII em abril de 1970. Nunca antes ninguém se tinha afastado tanto da Terra. A tripulação da Artemis II esteve a 406.777 quilómetros do planeta. Este recorde foi registado pelas 12.57 do centro da NASA (18.57 em Lisboa). O sobrevoo por mais de seis horas da face oculta da Lua levou os astronautas a ficarem incontactáveis durante quarenta minutos. Os astronautas referiram à NASA que viram na Lua novas cores e brilhos de impacto.
in CM
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