domingo, junho 23, 2013
A propósito da greve que os Professores vão (continuar a) fazer na 2ª-feira
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Fernando Oliveira Martins
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sábado, junho 22, 2013
Porque continua a Greve dos Professores...
Tem interesse regressar a duas questões nucleares que estão na base da escalada de insatisfação – há muito latente – dos professores, mesmo se estão longe de esgotar todos os aspectos que explicam o clima de crispação que se vive. Trata-se da questão da mobilidade especial e da relativa às 40 horas de trabalho semanal.
Mas antes gostava de colocar duas questões preliminares mais amplas, mas essenciais para se compreender tudo o que enquadra o conflito em presença. Antes de mais, gostava de sublinhar o meu desacordo em relação a todas as formulações que, a coberto do princípio da igualdade dos cidadãos perante a lei, optam por soluções legislativas concretas de cariz autoritário e quase totalitário, atropelando de forma cega as diferenças e tratando de forma igual aquilo que o não é. Para além disso, existe a afirmação de todas estas medidas resultarem do chumbo das normas do Orçamento de Estado pelo Tribunal Constitucional, o que é falso pois muito do que agora se apresenta já estava contido no discurso de diversos elementos ligados ao Governo, em particular a partir da divulgação no início deste ano do estudo encomendado pelo Governo ao FMI.
Mas passemos às duas questões centrais da nova investida governamental e das razões que levam os professores a resistir-lhes:
A mobilidade especial – a profissão docente é, no quadro da administração pública e mesmo num plano mais amplo, a carreira que apresenta um nível mais elevado de mobilidade geográfica, pois a larga maioria dos docentes, mesmo depois de pertencerem aos quadros, andam com enorme regularidade de escola em escola, de terra em terra. Essa é uma realidade que quase define o exercício da docência e que os concursos plurianuais não eliminaram, pois quase tudo permaneceu na mesma. Mais grave.
Oculta-se que o novo modelo de gigantescas unidades de gestão, em conjunto com a transformação dos quadros de escola em quadros de agrupamento, levou a que cada vez mais professores de carreira deixaram de ter um local de trabalho, passando a uma itinerância diária entre estabelecimentos de ensino do mesmo agrupamento, deslocando-se sem quaisquer ajudas de custo e com intervalos de tempo diminutos para percorrer, pelo seus meios, trajectos sem transportes públicos. Essa é uma realidade presente que quase ninguém destaca com clareza. Neste contexto, a mobilidade especial, tal como agora é apresentada, significa uma ainda maior pulverização da estabilidade do trabalho docente, em particular se cruzarmos essa medida com outras destinadas a reforçar a alegada autonomia da gestão escolar.
As 40 horas semanais de trabalho – já quase todos admitiram, de forma sincera ou hipócrita, que os professores trabalham efectivamente muitos mais de 40 horas por semana, não sendo esse referencial (na linguagem de alguns governantes) o que mais choca. O que está em causa é a falta de confiança acerca do que no futuro possa acontecer com a chamada componente lectiva, ou seja, do que é considerado trabalho efectivo com os alunos ou com as horas que os professores venham a ser obrigados a permanecer no espaço escolar. O MEC alega que no despacho de organização do próximo ano lectivo se mantiveram os 22 tempos lectivos (mais exactamente os 1100 minutos) e que os professores não têm razão para protestar, querendo fazer esquecer que esse total não poderia ser alterado sem revisão do Estatuto da Carreira Docente (o que não ocorreu) e que dessa componente lectiva foram retirados os tempos relativos à direcção de turma, que é o cargo mais importante que os professores podem desempenhar na ligação entre a escola e as famílias. Os governantes na área da Educação - e todos aqueles a quem tem apetecido falar sobre o assunto com escasso ou nulo conhecimento de causa – ocultam ainda que o tempo de permanência na escola pode ser aumentado, bastando considerar como não lectivas diversas tarefas realizadas com os alunos. Algo que tem acontecido com regularidade no passado recente, de forma transversal aos governos.
É impossível não recordar que Nuno Crato iniciou o seu mandato com a declaração de que era necessário os professores fazerem mais com menos. O problema é que os professores já fazem isso há muito, têm continuado a fazê-lo e cada vez se sentem os únicos pressionados para fazer mais com menos condições de trabalho. Um economista de formação deveria conhecer a clássica teoria dos rendimentos decrescentes, segundo a qual a pressão para o aumento da produção, em condições cada vez mais adversas, leva a uma diminuição gradual da produtividade. Esse ponto, no caso dos professores, já foi atingido e ultrapassado.
O autor é professor do ensino básico e autor do blogue A Educação do meu Umbigo.
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Pedro Luna
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segunda-feira, junho 17, 2013
Porque fiz greve hoje
A greve e as condições de trabalho dos professores

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Hoje é dia de Greve dos Professores...
Caros colegas,o colégio arbitral, legalmente constituído, considerou que a greve ao exame "não afeta de modo grave e irremediável o direito ao ensino na sua vertente de realização dos exames finais nacionais, não se estando por isso perante a violação de uma necessidade social impreterível".O Ministério e o Governo, valendo-se de uma arrogância já nossa familiar e que, agora que viram os seus intentos contrariados, mostrou as garras com todo o vigor, deu ordem às direções para que sejam convocados todos os professores. Assim, ouso fazer-vos este apelo:Mais do que nunca, façamos todos greve no dia 17,- respondamos à altura à arrogância destes políticos, que preferem impor a dialogar, prejudicando professores, alunos, todo o ensino, e insistindo no discurso de que são os professores que prejudicam os alunos;- os alunos já estão a ser prejudicados pela inflexibilidade do governo, sejamos capazes de não falhar no momento decisivo, fazendo com que tudo isto valha a pena;- há poucos anos, por muitíssimo menos, fomos capazes de nos unir numa greve, fechámos a escola, lembram-se?! sejamos capazes de fazer o mesmo próxima segunda, com um impacto muito maior - outras escolas seriam arrastadas por este impedimento numa escola. Temos mais poder do que imaginamos, sejamos capazes de dar o exemplo!- se estivermos todos unidos, será muito mais fácil para todos, sentir-nos-emos apoiados, seguros;- E tenham presente, segunda-feira não são os alunos que vão a exame, somos nós!Todos os olhos estarão virados para nós, não podemos falhar! Não agora!Os alunos, em setembro/outubro, estarão nos seus cursos, sem qualquer sombra de dúvida, seguirão os seus caminhos...E nós???? Se nada fizermos, muitos estarão no desemprego ou a entrar na mobilidade e os que ficam estarão com mais turmas, mais horas de trabalho, para ainda piorar no ano seguinte (lembram-se da intenção de mexer no 79º?), pois nunca mais poderemos invocar força, nunca mais nos levantaremos.Pensem nisso, por favor. Esqueçam tudo o acessório, centrem-se no essencial: este é o momento de dizerem se querem que eles continuem a destruir-nos a nós e ao ensino em Portugal.Fátima Gomes
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Fernando Oliveira Martins
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sábado, setembro 29, 2012
Lech Walesa nasceu há 69 anos
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Fernando Oliveira Martins
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segunda-feira, novembro 14, 2011
Contributo para a decisão dos docentes de (não) fazerem greve
Agarrem-Me Senão Eu Vou-Me A Ele

quarta-feira, dezembro 01, 2010
Porque a maior Greve Geral de sempre foi há uma semana...
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Fernando Oliveira Martins
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quarta-feira, novembro 24, 2010
Hoje é dia de Greve Geral...
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Fernando Oliveira Martins
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segunda-feira, novembro 22, 2010
Humor - a Cimeira da NATO, os Blindados e o a Greve Geral
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Fernando Oliveira Martins
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segunda-feira, janeiro 19, 2009
Cartoonista em greve
(c) Antero Valério - Blog anterozóide
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Fernando Oliveira Martins
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domingo, janeiro 18, 2009
Poesia para se reflectir num Dia de Greve
entrega as tuas mãos ao medo
e não viverás.
há um espaço de arbítrio - entre acaso, ética,
responsabilidade, dever -
uma fenda para a coragem.
a vida caminha pela terra
passos decididos
entre tudo e nada,
uma brevidade imperceptível
a roçar os nossos rostos.
nada restará
depois que as horas calarem.
entrega tua face ao medo
e não a verás viva.
Silvia Chueire
Porque o caminho se faz caminhando seja ele qual for e porque há por aí muitas espécies de MEDO. Quando eu era pequena e tinha medo do escuro, o meu Pai apagava a Luz e dizia:
- Para perderes o medo, tens de apagar a Luz.
Era como dizer:
- Tens de aprender a viver com a ausência... daquilo que pensas que te tira o medo.
in CleopatraMoon - ler post
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Pedro Luna
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5 boas razões para um professor fazer greve amanhã
"admito que perdi os professores, mas ganhei a opinião pública"
2. Valter Lemos, Assembleia da República, 24.01.2008:
"vocês [deputados do PS] estão a dar ouvidos a esses professorzecos"
3. Jorge Pedreira, Novembro.2008:
"caso haja grande número de professores a abandonar o ensino, sempre se poderiam recrutar novos no Brasil"
4. Jorge Pedreira, Auditório da Estalagem do Sado, 16.11.2008:
"quando se dá uma bolacha a um rato, ele a seguir quer um copo de leite!"
5. Margarida Moreira - DREN, Viana do Castelo, 28.11.2008:
"[os professores são] arruaceiros, covardes, são como o esparguete(depois de esticados, partem), só são valentes quando estão em grupo!"
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Fernando Oliveira Martins
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quarta-feira, dezembro 03, 2008
Respeito...
Com a devida vénia, uma música de Otis Redding, falecido no ano em que eu nasci e aqui na versão de Aretha Franklin também do mesmo ano...
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Fernando Oliveira Martins
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Perguntar não ofende (ainda)
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Pedro Luna
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GREVE - apelo
Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
Há alguns que pensam apenas no depois de amanhã e que irão trabalhar. A esses quero dizer que 30 moedas é muito pouco para pôr em causa tanta coisa - há que pensar para lá do fim do mês, no empréstimo do banco ou do Inglês ou Ballet da filha.
Por quanto nos iremos vender agora? E quem nos respeitará se não nos respeitarmos a nós próprios?
Tudo tem um limite - amanhã, muitos de nós iremos mostrar, à porta das nossas Escolas, que já não há mais caminho trilhar, porque o abismo está mesmo à nossa frente. Iremos enfrentar as vozes iradas de alguns pais (que só querem saber da Escola tal como o patrão do pastor, que quer saber se o redil tem redes altas e bem aramadas).
Iremos ser poucos à entrada de cada uma das nossas Escolas, mas, mesmo poucos, saberemos honrá-las e mostrar que ainda se pode defender as Escolas Públicas portuguesas...
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Pedro Luna
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