terça-feira, janeiro 24, 2017

O último soldado da II Guerra Mundial foi capturado há 45 anos

Shoichi Yokoi (Saori, 31 de março de 1915Nagoia, 22 de setembro de 1997) foi um soldado japonês que se tornou mundialmente conhecido por ser encontrado escondido na ilha de Guam e ainda em guerra com os Estados Unidos, 27 anos após o terminus da Segunda Guerra Mundial.

O soldado Yokoi foi alistado no Exército Imperial Japonês em 1941 e enviado em 1944 para a Ilha de Guam, no Oceano Pacífico, então ocupada pelos japoneses, após o ataque a Pearl Harbor, que deu início ao conflito naquela região. Quando os norte-americanos recuperaram a ilha, em 1944, Yokoi embrenhou-se na selva para evitar a rendição às tropas inimigas.

Nos primeiros tempos em que se manteve escondido, ele caçava à noite, mantendo-se fora da vista durante o dia e usava as plantas nativas da ilha para fazer roupas, forro para cama e fornecimento de alimentos, que ele escondia numa caverna onde passou a habitar. Shoichi temia ser morto caso caísse nas mãos dos habitantes de Guam, devido ao tratamento dispensado à população civil da ilha pelos japoneses durante a guerra e por 28 anos escondeu-se numa gruta no terreno de uma parte desabitada da ilha evitando ser descoberto e recusando-se a entregar-se, mesmo após achar folhetos que anunciavam o fim da II Guerra Mundial.

Na tarde de 24 de janeiro de 1972 Shoichi Yokoi foi descoberto nas matas de Talofofo por dois caçadores locais, Jesus Duenas e Manuel DeGracia, que verificavam as suas armadilhas para camarões ao longo de um pequeno rio da região. A princípio eles imaginaram que Yokoi fosse um habitante local, mas identificando-o depois como japonês, subjugaram-no de surpresa e o prenderam, carregando-o para fora da selva com algumas contusões. Soldados japoneses extraviados haviam assassinado a sobrinha de DeGracia logo após o fim da Batalha de Guam e Duenas teve que convencer o seu companheiro de caçada a não matar o japonês ali, imediatamente.

"Foi muito constrangedor para mim ter regressado com vida", disse Yokoi ao regressar ao seu país, com o seu rifle de combate a tiracolo, numa frase que se tornaria um ditado popular no Japão.

O seu reaparecimento, quase trinta anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, transformou Shoichi numa celebridade e alvo de reportagens em todos os media mundiais. Após uma turnê tempestuosa por todo o Japão, quando despertou a atenção, simpatia e curiosidade de milhões de compatriotas, casou-se e estabeleceu-se na área rural de Aichi. Tendo vivido solitário, numa caverna, durante 28 anos, tornou-se uma figura popular na televisão japonesa e asiática e um defensor da vida austera. Em 1977 foi tema do documentário de sucesso Yokoi and His Twenty-Eight Years of Secret Life on Guam (Yakoi e os seus vinte e oito anos de vida secreta em Guam).

Em 1991, aos 75 anos de idade e dezanove anos após os seu reaparecimento, Shoichi Yokoi teve a maior honra de sua vida, ao ser recebido em audiência pelo Imperador do Japão, Akihito, ocasião para a qual chegou a preparar um discurso de arrependimento para ler a Sua Majestade. Meses depois, ele confessou a um jornalista japonês que tinha fortes e profundos motivos para se manter isolado da civilização durante tanto tempo. Segundo ele, a sua infância foi muito dura e seus parentes eram muito rudes, o que o fez se embrenhar na floresta para se manter afastado deles.

Yokoi morreu em 1997, aos 82 anos, de ataque cardíaco, em Nagoia, sendo enterrado no cemitério da cidade, no mesmo túmulo da sua mãe, ali enterrada em 1955, quando ele ainda era um solitário soldado, escondido nas selvas de Guam.

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