sábado, dezembro 27, 2014

Há 35 anos, o líder afegão que convidou os soviéticos a invadir o seu pais foi executado por estes...

A 31 de outubro de 1979, informadores dentro do Forças Armadas do Afeganistão que estavam ao serviço da União Soviética, mandavam constantemente informações sobre os acontecimentos dentro do país, especialmente do ponto de vista militar. Enquanto isso, ligações de telecomunicação em áreas fora de Cabul foram interrompidas em parte, isolando a capital. Com a situação de segurança se deteriorando, vários contingentes das forças paraquedistas soviéticas começaram a desembarcar no coração do Afeganistão em dezembro. Ao mesmo tempo, Amin moveu o seu quartel-general para o palácio de Tajbeg, acreditando que lá seria mais seguro. De acordo com os generais Tukharinov e Merimsky, Amin estava ciente das movimentações militares russas acentuadas, pois foi ele mesmo que pediu por estas tropas. O general Dmitry Chiangov se encontrou com o comandante do 40º Corpo do Exército Soviético, antes das forças russas entrarem no país, para planejar a estratégia de invasão. Naquela altura, o Kremlin já havia decidido que derrubaria o regime de Hafizullah Amin.
Em 27 de dezembro de 1979, cerca de 700 soldados soviéticos, vestidos em uniformes afegãos, incluindo agentes da KGB e membros das forças especiais GRU dos Grupos Alpha e Zenith, se moveram para ocupar prédios e instalações militares em Cabul. Já um grupamento de Spetsnaz seguiu para o alvo principal, o palácio presidencial de Tajbeg. A operação começou às 19.00 horas, quando o grupo Zenith da KGB destruiu o prédio de comunicações em Cabul, cortando a ligação do Comando militar afegão com o resto do país. Às 19.15 horas, o ataque ao palácio de Tajbeg começou. Como planeado, o presidente Hafizullah Amin foi morto. Ao mesmo tempo, outras instalações (como o Ministério da Informação) também foram tomadas. Ao amanhecer de 28 de dezembro de 1979 as operações já estavam terminadas.
O comando soviético em Termez, no Uzbequistão, anunciou na Radio Kabul que o Afeganistão havia sido "libertado do regime de Amin". De acordo com o Politburo soviético, eles estavam em conformidade com o "Tratado de Amizade, Cooperação e Bons vizinhos" de 1978 e que Amin havia sido "executado por seus crimes", por condenação do Comité Central Revolucionário Afegão. Tal comité elegeu então como novo líder da nação o ex vice primeiro-ministro Babrak Karmal, que havia caído em desgraça quando a facção Khalq do partido comunista subiu ao poder.
Em 27 de dezembro, tropas soviéticas, comandadas pelo marechal Sergei Sokolov, entraram no Afeganistão. Naquela manhã, a 103ª Divisão Aerotransportada 'Vitebsk' lançou-se sobre o aeroporto de Bagram e forças adicionais do exército vermelho começaram a se mover por todo o país. A espinha dorsal da força invasora era o 40º Corpo do Exército Soviético, acompanhado por batalhões da 108ª e 5ª Divisão Mecanizada de Rifles, do 860º Regimento Mecanizado, da 56ª Brigada Aerotransportada e elementos do 36º Corpo Misto Aéreo. Grupos da 201ª e 58ª Divisão de Infantaria também entraram no Afeganistão, juntamente com outras unidades menores. A força de invasão inicial continha 1.800 tanques, 80.000 soldados de infantaria e outros 2.000 veículos blindados. Na semana seguinte, a força aérea soviética já tinha feito mais de 4.000 voos sobre Cabul. Mais tarde, duas divisões extras entraram no país, totalizando assim mais de 100.000 militares soviéticos na primeira onda de invasão.
 

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