quarta-feira, abril 09, 2014

Adriano Correia de Oliveira nasceu há 72 anos

(imagem daqui)

Adriano Maria Correia Gomes de Oliveira (Porto, 9 de abril de 1942 - Avintes, 16 de outubro de 1982) foi um músico português que se mudou para Avintes ainda com poucos meses de vida.

Biografia
Filho de Joaquim Gomes de Oliveira e de sua mulher, Laura Correia, Adriano foi um intérprete do Fado de Coimbra e cantor de intervenção. A sua família era marcadamente católica, crescendo num ambiente que descreveu como «marcadamente rural, entre videiras, cães domésticos e belas alamedas arborizadas com vista para o rio». Depois de frequentar o Liceu Alexandre Herculano, no Porto, matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, em 1959. Viveu na Real República Ras-Teparta, foi solista no Orfeon Académico, membro do Grupo Universitário de Danças e Cantares, actor no CITAC, guitarrista no Conjunto Ligeiro da Tuna Académica e jogador de voleibol na Briosa. Na década de 1960 adere ao Partido Comunista Português, envolvendo-se nas greves académicas de 62, contra o salazarismo. Nesse ano foi candidato à Associação Académica de Coimbra, numa lista apoiada pelo MUD.
Data de 1963 o seu primeiro EP, Fados de Coimbra. Acompanhado por António Portugal e Rui Pato, o álbum continha a interpretação de Trova do vento que passa, poema de Manuel Alegre, que se tornaria uma espécie de hino da resistência dos estudantes à ditatura. Em 1967 gravou o álbum Adriano Correia de Oliveira, que, entre outras canções, tinha Canção com lágrimas.
Em 1966 casa-se com Maria Matilde de Lemos de Figueiredo Leite, filha do médico António Manuel Vieira de Figueiredo Leite (Coimbra, Taveiro, 11 de outubro de 1917 - Coimbra, 22 de março de 2000) e de sua mulher Maria Margarida de Seixas Nogueira de Lemos (Salsete, São Tomé, 13 de junho de 1923 - ?), depois casada com Carlos Acosta. O casal, que mais tarde se separaria, veio a ter dois filhos: Isabel, nascida em 1967 e José Manuel, nascido em 1971. Chamado a cumprir o Serviço Militar, em 1967, ficaria apenas a uma disciplina de se formar em Direito.
Em 1970 troca Coimbra por Lisboa, exercendo funções no Gabinete de Imprensa da FIL - Feira Industrial de Lisboa, até 1974. Ainda em 1969 vê editado o álbum O Canto e as Armas, revelando, de novo, vários poemas de Manuel Alegre. Pela sua obra recebe, no mesmo ano, o Prémio Pozal Domingues.
Lança Cantaremos, em 1970, e Gente d' aqui e de agora, em 1971, este último com o primeiro arranjo, como maestro, de José Calvário, e composição de José Niza. Em 1973 lança Fados de Coimbra, em disco, e funda a Editora Edicta, com Carlos Vargas, para se tornar produtor na Orfeu, em 1974. Participa na fundação da Cooperativa Cantabril, logo após a Revolução dos Cravos e lança, em 1975, Que nunca mais, onde se inclui o tema Tejo que levas as águas. A revista inglesa Music Week elege-o Artista do Ano. Em 1980 lança o seu último álbum, Cantigas Portuguesas, ingressando no ano seguinte na Cooperativa Era Nova, em ruptura com a Cantabril.
Vítima de uma hemorragia esofágica, morreu na quinta da família, em Avintes, nos braços da sua mãe.
A 24 de setembro de 1983 foi feito Comendador da Ordem da Liberdade e a 24 de abril de 1994 foi feito Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, em ambos os casos a título póstumo.
   
Discografia
Álbuns
  • 1967 - Adriano Correia de Oliveira (LP, Orfeu, XYZ 104)
  • 1969 – O Canto e as Armas (LP, Orfeu, STAT 003)
  • 1970 – Cantaremos (LP, Orfeu, STAT 007)
  • 1971 – Gente de aqui e de agora - LP STAT 010)
  • 1975 – Que nunca mais (LP, Orfeu, STAT 033)
  • 1980 – Cantigas Portuguesas (LP, Orfeu, STAT 067)
Compilações
  • 1973 - Fados de Coimbra
  • 1982 - Memória de Adriano
  • 1994 - Fados e baladas de Coimbra
  • 1994 - Obra Completa
  • 2001 - Vinte Anos de Canções (1960-1980)
  • 2007 - Obra completa
Singles e EP
  • Noite de Coimbra (EP, Orfeu, 1960) [Fado da Mentira/Balada dos Sinos/Canta Coração/Chula] Atep 6025
  • Balada do Estudante (EP, 1961) [Fado da Promessa/Fado dos Olhos Claros/Contemplação/Balada do Estudante] Atep 6033
  • Fados de Coimbra (EP, 1961) [Canção dos Fornos/Balada da Esperança/Trova do Amor Lusíada/Fado do Fim do Ano] Atep 6035
  • Fados de Coimbra (EP, 1962) [Minha Mãe/Prece/Senhora, Partem Tão Tristes/Desengano] Atep 6077
  • Trova do vento que Passa (EP, 1963) [Trova do Vento que Passa/Pensamento/Capa Negra, Rosa Negra/Trova do Amor Lusíada] Atep 6097
  • Adriano Correia de Oliveira (EP, 1964) [Lira/Canção da Beira Baixa/Charama/Para que Quero Eu Olhos] Atep 6274
  • Menina dos Olhos Tristes (EP, 1964) [Menina dos Olhos Tristes/Erguem-se Muros/Canção com Lágrimas/Canção do Soldado] Atep 6275
  • Elegia (EP, 1967) [Elegia/Barcas Novas/Pátria/Pescador do Rio Triste] Atep 6175
  • Adriano Correia de Oliveira (EP, 1968) [Para que Quero Eu Olhos/Canção da Terceira/Sou Barco/Exílio] Atep 6197
  • Rosa de Sangue (EP, Orfeu, 1968) Atep 6237
  • Cantar de Emigração (EP, Orfeu, 1971) Atep 6400
  • Trova do Vento Que Passa nº2 (EP, Orfeu, 1971) Atep 6374
  • Lágrima de Preta (EP, Orfeu, 1972) Atep 6434
  • Batalha de Alcácer-Quibir (EP, Orfeu, 1972) Atep 6457
  • O Senhor Morgado (EP, Orfeu, 1973) Atep 6542
  • A Vila de Alvito (EP, Orfeu, 1974) Atep 6588
  • Para Rosalía (EP, Orfeu, 1976) Atep 6604
  • Notícias de Abril (Single, Orfeu, 1978) [Se Vossa Excelência.../Em Trás-os-Montes à Tarde] KSAT 633


NOTA: no dia 25 de Abril irei cantar, com o meu filho, integrado no Coro dos Picollini Filarmónicos, da SAMP (Sociedade Artística Musical dos Pousos), a emblemática música que antes colocámos neste post, num espetáculo intitulado Pais e Filhos cantam 25 de Abril. O programa das festas, que será às 17.00 horas, no Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria, com entrada gratuita e mais de 700 lugares disponíveis, com o seguinte Programa:

..1 - Grândola – Zeca Afonso
..2 - E depois do adeus – Paulo de Carvalho
..3 - Venham mais cinco – Zeca Afonso
..4 - Trova do vento que passa – Adriano Correia de Oliveira
..5 - O primeiro dia – Sérgio Godinho
..6 - Balada do Sino – Zeca Afonso
..7 - Menino do Bairro Negro – Zeca Afonso
..8 - Pedra Filosofal – Manuel Freire
..9 - Eu vim de longe – José Mário Branco
10 - Somos Livres (Uma Gaivota) – Ermelinda Duarte


PS - vem cantar connosco - e traz um amigo também...

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