
Quinta-feira, Julho 31, 2008
Geologia no Verão com espeleólogos - fotos

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Fernando Martins
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7/31/2008 09:46:00 PM
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Geologia no Verão com espeleólogos

Foi, como as anteriores actividades da SPE na Geologia no Verão a que fui, excelente. Os locais visitados eram, do ponto de vista geológico, ambiental e espeleológico, uma agradável surpresa. Pudemos ver, na base oeste da Serra dos Candeeiros, junto à localidade de Pedreiras (Porto de Mós), vestígios de uma arriba fóssil (associada a uma falha e com conservação de areias de praia nessa falha). Neste local havia, junto à Casa do Caçador, um arenito coberto por uma brecha calcária e que foi explorado (dando origem a uma pseudo-gruta) para a obtenção de areia a construção civil. Depois fomos em direcção à Ataíja onde vimos dolinas e toponímia associada às depressões cársicas. De seguida fomos para o Vale Canhão do Mogo, onde vimos, na Chiqueda, exsurgências, fauna e flora associadas à água existente na ribeira, um limígrafo, a exploração de água para Alcobaça, o Poço Suão (um algar que é uma exsurgência temporária) e a Gruta da Ervideira (uma lapa na zona do canhão mais bonita...).
Pelo convívio, pelo almoço partilhado, pela troca de conhecimentos e, sobretudo, pela excelente cavidade cársica visitada (os espeleotemas eram lindíssimos e bastante bem conservados) foi uma actividade relativamente fácil e que recomendamos vivamente (eu para o ano, se houver, volto a fazê-la e levar muita da minha malta...).
No próximo post irei colocar uma selecção de fotografias do evento, que o Blog Geopedrados recomenda vivamente (e este ano ainda vai haver mais vezes esta actividade).
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Fernando Martins
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7/31/2008 07:27:00 PM
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Publicidade enganosa - Magalhães
Primeiro foram as notícias que davam conta de uma nova fábrica da Intel em Portugal. Um sucesso, garantia-se, que já tinha 4 milhões de encomendas ainda antes de ser instalada a primeira pedra. Um investimento que iria criar 1000 postos de trabalho qualificados, na zona de Matosinhos, graças à diligência do Governo. A apresentação foi ontem. Com pompa e circunstância a imprensa andou dois dias a anunciar o “primeiro portátil português”. O Magalhães é um computador inspirado no navegador, diziam ontem as televisões em coro. Para dar credibilidade à coisa, o mais famoso relações públicas nacional e o presidente da Intel subiram ontem ao palco do Pavilhão Atlântico para a "apresentação mundial" deste computador de baixo custo.
Um único problema. Não só o computador não tem nada de novo como a única coisa portuguesa é a localização da fábrica e o capital investido. A "novidade mundial" ontem apresentada, já tinha sido anunciada a 3 de Abril - no Intel Developer Forum, em Shangai - e foi analisada pela imprensa internacional vai agora fazer quatro meses. O tempo que tem a segunda geração do Classmate PC da Intel, que é o verdadeiro nome do Magalhães. De resto, o primeiro computador mundial para as crianças dos 6 aos 11 anos, características que foram etiquetadas pela imprensa lusa por ser resistente ao choque e ter um teclado resistente à agua, já está à venda na Índia e Inglaterra. No primeiro país com o nome de MiLeap X, no segundo como o JumpPC. O “nosso” Magalhães é isso mesmo, uma versão produzida em Portugal sob licença da Intel, uma história bem distinta da habilmente "vendida" pelo governo para criar mais um caso de sucesso do Portugal tecnológico.
Fábrica da Intel nem vê-la e os tão falados 1000 novos postos de trabalho ainda menos, tudo se ficando por uma extensão da actual capacidade de produção da fábrica da JP Sá Couto. Serão 80 novos empregos, 250 se conseguirem exportar para os Palops. Os tais 4 milhões, que já estavam assegurados, lembram-se? Só que as 4 milhões encomendas não passam de wishfull tinking do nosso primeiro. E muito pouco credível. Em todos os países onde o computador está à venda é produzido através de licenças com empresas locais. Como explicou o presidente da Intel, a empresa continua à procura de parceiros locais para ganhar quota de mercado com o Classmate PC, não o Magalhães.
A guerra de Intel é outra, como se pode perceber no relato que um dos mais reputados sites tecnológicos - a Arstechnica, do grupo editorial da New Yorker - faz da apresentação da Intel e do governo português: espetar o derradeiro prego no caixão do One Laptop for Child, o projecto de Nicholas Negroponte e do MIT para destinar um computador a cada criança dos países do terceiro mundo. É essa a importância estratégica para a Intel. O resto é fogo de vista para português ver.
PS: Não tenho nada contra a iniciativa em si, parecendo-me meritório um projecto para garantir um contacto precoce de milhares de alunos com a informática. Mas isso não quer dizer que aceite gato por lebre. Não seria nada mau sinal se a imprensa nacional, que andou a vender uma história ficcionada, também cumprisse o seu papel.
ADENDA: O computador é interessante (embora eu ache que o dinheiro poderia ser mais bem aproveitado...). Se não tiver obrigatoriedade de Internet (a farsa do programa e-escola teve direito a Internet do século passado a preços do nosso século) acho que o meu filho comprar um para brincar com os avós aos computadores... Quanto às especificações técnicas, pode vê-las AQUI.
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7/31/2008 05:11:00 PM
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Geotermia - Energia para um futuro sustentável

A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e a empresa GeoVita, do Grupo Patris Capital, assinaram recentemente um acordo de transferência de conhecimento que visa a prospecção e pesquisa de recursos geotérmicos do tipo EGS em Portugal; este acordo tem por base estudos da responsabilidade de investigadores do Departamento de Ciências da Terra (DCT).
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7/31/2008 03:52:00 PM
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Música para Geopedrados
Norah Jones - Sunrise
Sunrise
Looks like morning in your eyes
But the clock's held 9:15 for hours
Sunrise
Sunrise
Couldn't tempt us if it tried
Cuz the afternoon's already come and gone
And I said
Hooo, hooo, hooo
To you
Surprise
Surprise
Couldn't find it in your eyes
But I'm sure it's written all over my face
Surprise
Surprise
Never something I could hide
When I see we made it through another day
Then I say
Hooo, hooo, hooo
To you
And now the night
Will throw its cover down, ooo, on me again
Ooh, and if I'm right
It's the only way to bring me back
Hooo, hooo, hooo
To you
Hooo, yeah, hooo, hooo
To you
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Fernando Martins
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7/31/2008 03:49:00 PM
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Eclipse solar de amanhã na Internet
Amanhã há um eclipse total do Sol, não visível em Portugal (mas na próxima Lua Cheia temos um eclipse parcial da Lua...). A seguinte figura, retirada do site da NASA sobre eclipses, mostra os locais onde este é visível.
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Fernando Martins
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7/31/2008 03:30:00 PM
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Fim de semana de 5 e 6 de Julho - fotos


















ADENDA: Mais informações nos seguintes posts do Blog GeoLeiria:
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Fernando Martins
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7/31/2008 02:51:00 PM
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Geomonumentos açoreanos na National Geographic
Reconhecidamente, a revista National Geographic, inclusive a sua versão portuguesa, não necessita de publicidade, mas mais uma vez chegou-me às mãos uma publicação para divulgação, precisamente a última edição desta revista, Julho de 2008, por apresentar um trabalho especial sobre a geologia do Açores.

Trata-se de um suplemento desdobrável intitulado "Geomonumentos dos Açores, descodificar e proteger a paisagem", onde são apresentadas e explicadas, de uma forma simples, várias estruturas geológicas que se podem encontrar nas várias ilhas deste arquipélago.
O destacável vai mais além dos geomonumentos. Procura caracterizar os vários tipos de erupções que formaram os Açores e o próprio aparecimento destas ilhas no contexto de "deriva" dos continentes.Apresentando ainda publicamente, julgo que em primeira mão, a nova rede de áreas protegidas dos Açores, que neste momento já se encontra em aprovação no Parlamento da Região Autónoma dos Açores.
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7/31/2008 02:35:00 PM
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Quarta-feira, Julho 30, 2008
Mina de Sal Gema de Loulé - visita no âmbito de exposição

Este ano fintaram-me - eu marquei as férias no Algarve na 2ª quinzena de Agosto e eles marcaram as actividades da Geologia no Verão na 1ª quinzena (uma desilusão...). Mas, como quem porfia sempre alcança, um e-mail ao amigo Alex (engenheiro geólogo Alexandre Andrade) veio-nos com uma resposta com uma proposta de outra actividade, com ida à Mina (o meu objectivo...) e com fins culturais. É claro que já me inscrevi (eu e mais 14... até porque assim o meu João pode ir... ) e que eu recomendo vivamente. A actividade é esta:
JOÃO MARIA GUSMÃO E PEDRO PAIVA
Mina Campina de Cima, Loulé
Comissário: Nuno Faria
Produção: Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Porto
A intervenção de João Maria Gusmão e Pedro Paiva nas Mina de Sal-gema, em Loulé, no âmbito exposição Articulações, constitui-se como mais um tomo do projecto Abissologia inaugurado com a exposição recentemente realizada na Cordoaria Nacional, em Lisboa.
O desafio é, a um tempo, simples e complexo: trata-se de tornar materialmente concretas algumas das questões que consubstanciam o projecto Abissologia. Para tal, propomos uma descida ao interior da terra, a trezentos metros de profundidade, lá onde o tempo se mede em unidades que em muito transcendem a vida de cada um daqueles que visita ou trabalha naquele lugar.
Este enorme espaço em negativo, de cujas paredes escuras brotam alvas estalactites de sal e onde podemos avaliar o movimento milenar da terra, dá a ver, indiscernivelmente, a quem fizer a experiência desta exposição, a superação do tempo físico remetendo-nos, enquanto seres, para um horizonte de irredutível materialidade de onde foi expurgada qualquer sombra de transcendência.
Nas galerias em quadrícula pombalina da Mina, poderemos visitar em apresentação inédita o Museu Abissológico, um conjunto de objectos recolhidos e produzidos no âmbito da investigação do projecto Abissologia, para além de filmes em 16 mm e de instalações especificamente concebidas para o espaço.
João Maria Gusmão e Pedro Paiva, que trabalham em dupla desde 2001, têm vindo a construir um sólido e idiossincrático projecto autoral que tem merecido ampla atenção crítica, quer a nível nacional quer internacional.
Visitas guiadas: Sábados às 11h00
Marcação obrigatória.
Mina Campina de Cima (exposição no interior da mina)
Rua Quinta de Betunes, Parque Mineiro, Loulé
Terça a Sexta-feira das 15.00 às 21.00 horas (última entrada)
Sábado das 09.00 às 13.00 horas (última entrada)
Marcação e uso de calçado fechado obrigatório. Grupos de 24 pessoas a cada 45 minutos. Maiores de 6 anos.
Não existe acesso para pessoas com mobilidade reduzida.
Entrada 3 € / 1,50 € para menores de 25 e maiores de 60 anos.
5 € bilhete conjunto para o Convento de Santo António, Mina Campina de Cima, Quinta da Fonte da Pipa e Lagar das Portas do Céu.
Informações e marcações: 963 819 200
ADENDA: Algumas fotos do local, para se roerem de inveja, da Geologia no Verão do ano passado:







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Fernando Martins
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7/30/2008 06:27:00 PM
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Geologia no Verão: materiais de apoio e agradecimentos
1. Cartaz de Divulgação nas Escolas de Leiria
Foi enviado a todas as Escolas e Colégios do Concelho de Leiria pela Directora do nosso Centro de Formação de Leiria (ia dizer saudoso, pois o Ministério da Educação vai extingui-lo, mas não há-de ser nada...).
2. Diploma para os participantes
Foi feito por mim e melhorado pelo Doutor Jorge Dinis - será enviado por e-mail aos participantes interessados (a ser pedido através de mensagem para fernando.oliveira.martins-at-gmail.com).
3. Sites para consulta
Sugere-se a visita aos seguintes sites ou o download dos seguintes documentos:
- Corbário
- ADM - notícia
- CERAM - Sistema de Informação de Matérias Primas Minerais com Utilização na Indústria Cerâmica (ex-INETI)
- Olhos de Água do MCE
- Lenda dos Olhos de Água da Caranguejeira
- Menino do Lapedo
- Notícia do Jornal de Leiria sobre a actividade (pdf)
- Texto no Notícias das Colmeias
- Fotos do texto no Notícias das Colmeias
- Mapas das zonas visitadas no Googlemaps
4. Agradecimentos
Agradece-se às seguintes pessoas e instituições:
- Doutor Jorge Dinis (pela realização e organização da actividade)
- Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Coimbra (pela realização e organização da actividade)
- Centro de Formação de Leiria (pela divulgação da actividade)
- Escolas e Colégios de Leiria (pela divulgação da actividade)
- Junta de Freguesia de Espite (pela simpatia e permissão de consultar documentação)
- Corbário (pela autorização de visita e abertura das instalações)
- Adelino Duarte da Mota - ADM (pela autorização de visita e abertura das instalações)
- Funcionários da Corbário e ADM (em geral, mas em particular ao amigo geólogo Mário)
- CisterBus (pelo excelente autocarro com ar condicionado que nos alugou e pelo simpático motorista)
- Participantes (por nos terem ouvido com atenção e participado com entusiasmo)
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Fernando Martins
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7/30/2008 02:07:00 PM
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Terça-feira, Julho 29, 2008
Geologia no Verão: outras fotos e balanço final
E agora as últimas fotos (clicar para aumentar...), de autoria do Doutor Jorge Dinis:
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Fernando Martins
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7/29/2008 06:25:00 PM
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Geologia no Verão em fotos
Corbário: ouvindo explicações sobre as argilas - I
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Fernando Martins
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7/29/2008 02:49:00 PM
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Geologia no Verão 2008 na imprensa de Leiria - III
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Fernando Martins
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7/29/2008 02:25:00 PM
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Geologia no Verão 2008 na imprensa de Leiria - II
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Fernando Martins
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7/29/2008 02:08:00 PM
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Geologia no Verão 2008 na imprensa de Leiria
Fernando João Fernandes Oliveira Martins - Geólogo e Professor
Todos os anos, entre Julho e Setembro, decorre um fantástico programa de divulgação científica intitulado “Ciência Viva no Verão”, organizado por uma agência do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior: a Associação Ciência Viva – Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica. Inicialmente este projecto começou pela Astronomia (a famosa Astronomia nas Praias, em 1996), passou no ano seguinte a ser Astronomia no Verão e, em mais um ano, com a entrada da Geologia no Verão, passou a ser Ciência Viva no Verão, proporcionando hoje actividades de Astronomia, Biologia, Engenharia, Faróis e Geologia a todos os interessados.
Eu, que já organizei algumas (na área da Astronomia) e participei em ainda mais (em todas as áreas excepto em Engenharia) acho este programa fascinante e muito útil. Haverá melhor maneira de explicar Geologia do que pegar num professor da Universidade e num grupo de interessados e fazer-se ao campo para, com um geólogo, partir pedra, recolher fósseis, ver minas, observar falhas ou ouvir explicações? Ou recolher espécies e explicações com um biólogo, com os pés na água, enquanto o suave calor do Verão nos aquece a alma? Ou ainda poder manusear um telescópio com ajuda de um astrónomo e olhar para estrelas duplas, nebulosas, os anéis de Saturno ou os satélites de Júpiter?
Todos os anos há actividades fantásticas: eu já fiz espeleologia (andar com capacete e luz na cabeça dentro de grutas), já subi a um Farol e ouvi as explicações do faroleiro, apanhei moluscos na maré baixa com uma bióloga a explicar tudo, andei de caiaque no Mondego com professores da Universidade, fui de veleiro ver a geologia da Serra da Boa Viagem junto à Figueira da Foz, desci 230 metros para andar dentro de uma Mina de Sal-Gema quase no centro da Cidade de Loulé, orientei actividades de observação astronómica com milhares de pessoas e muitas coisas que valem sempre a pena fazer.
Já na nossa região tem havido algumas actividades interessantes mas raramente feitas na freguesia das Colmeias (com, talvez, duas excepções: uma Astronomia no Verão, em 15 de Agosto de 1997, feita pela Associação Nacional de Observação Astronómica, da qual fui dirigente no passado, e uma Geologia no Verão, em 3 de Setembro de 2001, intitulada “200 Milhões de Anos de História na Região de Leiria - Monte Real”, feita pelo então Mestre Pedro Dinis e pelo Doutor Pedro Callapez, docentes do Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Coimbra e meus amigos). Na primeira eu não participei (estava em férias) mas na segunda estive presente, indo a locais como Marrazes, Padrão, Gesseira de Souto da Carpalhosa, Montijos, Leiria, Vieira de Leiria e Barracão, tendo-se visitado, dentro da freguesia das Colmeias (quase nos seu limite) um Barreiro, podendo-se ver métodos de exploração e tendo ainda sido possível recolher alguns fósseis vegetais.
Assim, este ano, resolvemos tentar mudar um pouco as coisas e sugerir a um amigo, doutor e professor na vetusta Universidade de Coimbra mas residente no nosso concelho, que se avançasse para uma actividade tendo como ponto fulcral a Geologia das Colmeias e zonas envolventes, pelo que o Doutor Jorge Dinis acabou por propor uma actividade à Universidade de Coimbra e à Ciência Viva que, penso, será de agrado de todos os habitantes da nossa zona interessados no passado geológico da região.
Deste modo, em 19 de Julho de 2008, haverá uma Geologia no Verão aberta ao público em geral, sem custos mas com pré-inscrição, intitulada "Usar e não abusar: descoberta da Geologia da região das Colmeias". A partida será feita a partir de local ainda a definir em Leiria, com partida às 10.00 e chegada às 17.00 horas, levando os participantes farnel. Esta terá como objectivos os seguintes:
- Abordagem elementar ao trabalho de campo em Geologia: ler a paisagem, as rochas e as suas disposições no espaço.
- Proporcionar uma explicação da História Geológica da região baseada nas rochas observadas.
- Realçar a importância da exploração de recursos geológicos para a Sociedade e para a economia da região de Colmeias, bem como a necessidade da sua exploração sustentável.
- Referenciar as riquezas geológicas (exploradas no passado, exploradas actualmente e que poderão ser exploradas eventualmente no futuro) da região.
- Enfatizar a Geologia como disciplina fundamental para compreender e preservar o Ambiente.
Para os interessados em sugestões, eu costumo compilar algumas actividades da Ciência Viva no Verão num nos dos meus Blogues (o Geopedrados, que é o blog do meu curso – 1985/1990 - de Geologia, na Universidade de Coimbra - http://geopedrados.blogspot.com/) pelo que, em meados de Julho, logo que haja oficialmente lista de actividades, eu dedicarei um post ao assunto.
Quer participem nesta actividade da Geologia no Verão nas Colmeias e zona envolvente quer participem em qualquer outra actividade da Ciência Viva no Verão, tenho a certeza que não se irão arrepender, pois estas actividades são excelentes do ponto de aprendizagem, de convívio e de descoberta, em todos os sentidos. Sugerimos então a ida ao site Ciência Viva - http://www.cienciaviva.pt/veraocv/ - para descobrirem o que vale a pena fazer este Verão, pois onde quer que estejam haverá sempre muitas e boas actividades para realizar…
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Fernando Martins
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7/29/2008 12:46:00 PM
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Domingo, Julho 27, 2008
Sismo em Portugal Continental
Foi alvo de diversas notícias:
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Mª Adelaide Martins
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7/27/2008 09:38:00 PM
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Sexta-feira, Julho 25, 2008
Palestra on-line na Internet
Podem assistir on-line AQUI...
NOTA (23.00 horas) - já terminou...
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Fernando Martins
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7/25/2008 10:06:00 PM
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Música para Geopedrados - Hino da Alegria
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Fernando Martins
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7/25/2008 04:23:00 PM
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Quinta-feira, Julho 24, 2008
Quem é o Senhor Teodoro Obiang Nguema...?

O nosso Zé vai desencantá-los aos sítios mais bizarros e cada vez de melhor qualidade, uma coisa é certa e devemos fazer-lhe justiça, ele tem mesmo jeito para se relacionar bem com malfeitores… Após o rol, que num post atrás enunciei, ainda um está a levantar voo, já outro está a chegar, neste caso, Teodoro Obiang Nguema, mais um dos tiranos e corruptos ladrões que pululam por África explorando o seu povo, que morre da doença e da fome, enquanto as fortunas destes malandretes engorda brutalmente a cada dia que passa. Parece que está na moda esta corja vir pavonear-se a Portugal, ou o nosso Zé ir lá fora lutar pela vida, como se isto fosse um covil de ditadores, aliás, não sei se terá sido por acaso que o nosso amigo disse ao Chávez para se sentir em casa… O que, ao que consta, já o próprio Hugo tinha dito que se sentia, só não sei se se puseram os dois em pantufas a queixarem-se dos joanetes e dos calos que os malditos sapatos de cerimónia fazem…
Mas, ainda voltando ao Obiang, vejamos de quem se trata… está considerado como um dos mais ricos presidentes e está no poder desde 1979, após ter chefiado um golpe de estado que derrubou o seu tio, o sanguinário Macias Nguema (parece ser de família) que ele mandou matar, continuou a governar o país como o titio e é suspeito de quase tudo, desde o assassínio ao tráfico de droga, passando pelo canibalismo… Quem o conhece bem são os espanhóis e, quando viu que ninguém o recebia em Espanha, o Rei, o Zapatero, nenhum ministro, nem sequer um porteiro, apesar de ser o dia do seu país na Expo de Zaragoza, decidiu vir até cá falar com o zequinha que recebe toda a gente e, pelos vistos, parece que gosta. Porém, uma vez que vimos o artista, convém ver o seu povo, para se ter uma ideia do que se fala...
Em primeiro plano as crianças, confiantes no futuro próspero que as espera graças às enormes jazidas de hidrocarbonetos do país e, em segundo plano, o novo conceito de habitação social que, se calhar, vem a Portugal apresentar como solução para a crise habitacional e para o problema dos ciganos de Loures. É este simpático ditador que nos visita e que receberá os sorrisos e quem sabe festinhas do nosso Zé. Vamos lá ver se ele não lhe come uma orelha... ou outra coisa...
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7/24/2008 06:50:00 PM
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Ditadores, petróleo e José Socrates
VII Cimeira da CPLP
Petróleo da Guiné Equatorial traz Presidente Obiang a Lisboa
24.07.2008 - 08h48 Lurdes Ferreira
A Guiné Equatorial, pequeno país da África Central de pouco mais de meio milhão de habitantes, será um observador especial na cimeira da CPLP, que hoje começa em Lisboa. O país dominado por Teodoro Obiang Nguema e pelo seu círculo próximo revelou ser, nos últimos anos, um ponto comum na rota dos interesses portugueses, brasileiros e angolanos.
A expectativa das petrolíferas norte-americanas nas reservas de petróleo e gás natural da Guiné Equatorial é tão grande que a tratam por "Kuwait de África". Foi também o petróleo que motivou há alguns meses a visita de uma delegação portuguesa a Malabo, com a ajuda da Líbia, aliada histórica de Obiang. Enquanto com os "vizinhos" angolanos se estabeleceram laços de cooperação no domínio da energia (petróleo e electricidade) e dos transportes, com o Brasil a relação passa, para já, pela exploração de um bloco promissor em offshore.
A aproximação a Angola foi formalizada já em 2003, à data com um acordo de cooperação bilateral para o petróleo, electricidade e transportes. Por essa altura, os dois países tinham também uma sociedade conjunta de transporte aéreo, a Sonagesa, tendo como vice-presidente um dos filhos de Obiang, também secretário de Estado para os Hidrocarbonetos.
Em 2006, a brasileira Petrobras ganhou 50 por cento da participação no contrato de partilha do bloco L, na bacia do rio Muni. Para a petrolífera brasileira, o montante de 17 milhões de dólares de investimento necessário até pode ser "considerado baixo" face à perspectiva de um prémio que "pode ser a localização de reservas de 450 milhões de barris de petróleo".
Quanto a Portugal, o Governo começou por negociar com o líder líbio Muammar Kadhafi a entrada da Galp Energia (da qual a Sonangol é grande accionista) na Guiné Equatorial. Em Dezembro passado, o entendimento resultou em tornar a Galp parceira do fundo soberano da Líbia (LAP), para explorar e produzir petróleo e gás natural não só naquele país, mas nas regiões vizinhas, nomeadamente na Guiné Equatorial. Em Fevereiro último, o presidente da Galp Energia, Manuel Ferreira de Oliveira, e o administrador Fernando Gomes deslocaram-se à capital equato-guineense para estudar oportunidades de negócio, que podem passar também pela distribuição de combustíveis.
Produção quintuplicou
Num percurso recente e discreto, depois de ter percebido no início da década de 1990 que tinha reservas de petróleo importantes, a antiga colónia espanhola já é o terceiro maior produtor de hidrocarbonetos da África subsariana, com uma produção diária de 363 mil barris em 2007, segundo o relatório anual da BP, cinco vezes mais do que há uma década. As suas reservas provadas de petróleo não ultrapassam ainda os 0,1 por cento do total mundial, mas os especialistas consideram que é só por falta de estudos geológicos, os quais, a serem feitos, poderão elevar esse montante para 10 por cento, dado o seu rico e extenso offshore no Golfo da Guiné.
O potencial de crescimento tem motivado a "reconquista" da Guiné Equatorial pelos interesses petrolíferos, com os Estados Unidos a liderar o negócio - o maior investidor anunciou, no início do ano, sete mil milhões de dólares em novos investimentos - e os chineses a ganharem quota. A grande fonte de riqueza do país é também a sua grande fonte de controvérsia. Obiang tem em curso um programa de abertura económica mantendo um regime totalitário, sentado em elevadas taxas de crescimento: a economia cresceu à média anual de 15,8 por cento entre 2002 e 2006 e desacelerou para seis por cento em 2007.
Por um lado, a economia cresce suportada pelas exportações de petróleo e mais recentemente de gás natural, representando no seu conjunto mais de 90 por cento das exportações do país. Por outro, o país padece de um clima de corrupção, envolvendo o Presidente e a sua família, e que atingiu diversas petrolíferas dos EUA. O banco Riggs, por exemplo, era usado para depósito de "centenas de milhões de dólares" numa conta controlada pelo próprio Obiang. À data, a maioria da população da Guiné Equatorial vivia com menos de um dólar por dia.
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Fernando Martins
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7/24/2008 06:45:00 PM
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Tese de Mestrado em Educação Ambiental
Vários autores defendem que a Educação para o Desenvolvimento Sustentável se enquadra na Educação Ambiental. Estas formas de educação pretendem essencialmente levar à mudança de consciências e atitudes; processo este imprescindível na construção de novas formas de desenvolvimento, alternativas aos modelos mais clássicos, que hoje se apresentam claramente em ruptura.
Neste âmbito surge a defesa em prol das saídas de campo, como forma de incutir nos alunos os propósitos anteriormente referidos. Caracterizaram-se sítios de interesse para o estudo da Geodiversidade Mariense, recorrendo ao estudo da cartografia, à realização de saídas de campo e pesquisas bibliográficas.

Esse património possui diversos valores: intrínseco, cultural, estético, ecológico, funcional, social, económico, científico e educacional. "Entende-se que a paisagem física não é apenas a flora e fauna é também, e sobretudo a do suporte geológico que a condiciona."As políticas de Conservação da Natureza, normalmente, estão circunscritas à protecção e conservação da biodiversidade, revogando os factores abióticos (geodiversidade) para um plano inferior de protecção, daí a urgência em integrar estratégias de conservação tanto da biodiversidade como da geodiversidade.
Na presente tese, elaborou-se um percurso interpretativo que saindo do Cais/Marina de Vila do Porto, passando pelo Miradouro da Pedra Rija, Poço da Pedreira, Miradouro do Espigão, Miradouro da Vigia da Baleia e Miradouro da Macela, levava os alunos a apreender conceitos de geologia e a valorizar a geodiversidade da ilha de Santa Maria.

Os resultados obtidos, de âmbito pedagógico, permitem afirmar que os alunos da turma experimental apresentam evoluções notórias relativamente às concepções subjacentes a conceito de "desenvolvimento sustentável" relativamente aqueles que não foram submetidos a este percurso de interpretativo.
Post roubado ao Blog Teses do Campus de Angra do Heroísmo - Universidade dos Açores
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Fernando Martins
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7/24/2008 02:08:00 PM
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Diz-me com quem andas...
Para bom entendedor meia palavra ou quatro fotos bastam:




PS - Com amigos destes, por que raio não estão ainda, nesta espantosa galeria de fotos, os camaradas Castro, Kim ou Ahmadinejad...? O menino d'ouro está a deixar ficar embaraçada a lusa pátria...
ADENDA: Nem de propósito: parece que vem aí mais um amigo de Portugal, ditador e milionário de um país africano, posto no poder após abater um tio e reconhecido como o digno sucessor de Idi Amin, em gostos culinários - na confecção de pratos de carne de um mamífero bípede chamado Homo sapiens...

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Fernando Martins
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7/24/2008 10:36:00 AM
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Geologia no Verão - actividade do fim de semana passado
Para começar, mapas dos locais visitados...
NOTA: o percurso foi entre Palmeiria e Carrasqueira, por dentro do Vale Canhão do Lapedo (mapa do Sapo AQUI).
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Fernando Martins
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7/24/2008 12:31:00 AM
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Sismos recentes em Portugal
Sismo de 2008-07-19 - 22.11 horas
Foi sentido com intensidade II na escala de Mercalli na zona de S.º Tirso e Valongo. Teve magnitude 2,0 na escala de Richter.
Sismo de 2008-07-19 - 05.04 horas
Foi sentido com intensidade II na escala de Mercalli na zona a Nordeste de Ribeirinha (Faial). Teve magnitude 2,2 na escala de Richter.
Sismo de 2008-07-04 - 02.07 horas
Foi sentido com intensidade III na escala de Mercalli na zona das Furnas (S. Miguel). Teve magnitude 2,6 na escala de Richter.
FONTE: Instituto de Meteorologia (que está com o site bastante renovado - ainda não sei se gosto...)
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7/24/2008 12:04:00 AM
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Quarta-feira, Julho 23, 2008
Novo sismo no Japão
Japão: balanço provisório de feridos no sismo sobre para 43
23.07.2008 - 21h40 Agências
O violento sismo de 6,8 na escala de Richter que abalou o Japão na noite de quarta para quinta-feira (hora local do país) fez pelo menos 43 feridos e elevados danos materiais de acordo com um balanço provisório. No mês de Junho a mesma zona tinha já sofrido um tremor de terra que chegou aos 7,2.
O abalo aconteceu às 00h26 (16h26 de Lisboa) e o seu epicentro foi localizado a 120 quilómetros de profundidade na região de Iwate, na cidade de Hachinohe, segundo dados da agência meteorológica japonesa, que indicou não ter sido accionado um alerta para tsunami.
As televisões japonesas mostraram imagens de pessoas apavoradas nas ruas, objectos a cair e alguns pequenos focos de incêndio. Os prédios de Tóquio, 500 km ao sul do epicentro, também balançaram.
Por sua vez, a estação de televisão Asahi, citada pela Reuters, adiantou que pelo menos três carros ficaram soterrados após um aluimento de terras provocado pelo sismo, cuja intensidade causou ainda o corte do abastecimento de electricidade de perto de dez mil casas. Ainda segundo os media japoneses, várias instalações atómicas situadas na região de Aomori, nomeadamente o complexo de reciclagem de combustível nuclear de Rokkasho, não sofreram qualquer dano aparente.
Situado na confluência de quatro placas tectónicas, o Japão regista 20 por cento dos terramotos do planeta.
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7/23/2008 11:36:00 PM
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Notícia sobre fósseis de ostracodos descobertos na Antártida
Descoberta de fóssil de crustáceo revela Antárctida com clima mais quente
23.07.2008 - 19h05 Nicolau Ferreira
Os Vales Secos na Antárctida parecem imutáveis. Milhares de quilómetros quadrados de rocha seca, gelada e sem vida. Mas um grupo de cientistas do Reino Unido e dos Estados Unidos descobriu fósseis com 14 milhões de anos de um tipo de crustáceos chamados ostracode. A descoberta obriga os investigadores a imaginar aquela paisagem agora inóspita como uma região com vegetação, lagos e com um clima mais temperado.
“Na Antárctida é a primeira vez que se encontram fósseis destes”, disse Mark Williams do departamento de Geologia da Universidade de Leicester, referindo-se aos fósseis de um milímetro de comprimento, que pertenciam a organismos que viviam em lagos.
No Monte Bóreas, situado na ponta do vale McKelvey, um dos três que formam a região, os cientistas encontraram outros fósseis. Mas, no meio das diatomáceas (algas microscópicas), dos musgos e dos escaravelhos, foram os ostracode que surpreenderam os investigadores.
“Temos pernas, partes bucais e os órgãos reprodutores. Até conseguimos ver os pêlos das pernas”, disse o geólogo, entusiasmado com o grau de conservação dos fósseis.
A segunda surpresa é que a descoberta obriga a rever a cronologia climática do continente. “A presença de ostracode que vivem no lago a estas latitudes - 77 graus Sul - é notável. Na distribuição moderna, os mais a sul estão a 60 graus”, explica o investigador.
Por isso, o clima não podia ser igual. Há 14 milhões de anos naquela região existia uma vegetação típica de tundra, com lagos alimentados pelos glaciares e com um clima mais ameno.
Segundo Adam Lewis da Universidade do Dacota do Norte, nos Estados Unidos, em 250 mil anos os glaciares que rodeavam aquela área deixaram de alimentar os lagos, o clima arrefeceu e gradualmente a região foi se tornando como hoje a conhecemos. "Passado 13,8 milhões de anos não existe água, é seco e frio”, disse o investigador à BBC News.
A descoberta foi publicada na revista científica “Proceedings of the Royal Society B” e vai ajudar a compreender a evolução do clima terrestre. “Temos este enorme salto climático que aconteceu há cerca de 14 milhões de anos, quando os oceanos se reorganizaram e a Antárctida congelou”, explica Williams. Para o investigador, os fósseis precedem a mudança e são o seu testemunho.
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7/23/2008 11:30:00 PM
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O trabalho escravo nestes tempos difíceis e o ex-INETI
Eles são cientistas mas o Estado emprega-os nos seus laboratórios como técnicos superiores
23.07.2008 - 09h57 Teresa Firmino
Há algumas dezenas de cientistas a trabalhar nos laboratórios do Estado como técnicos superiores, o que implica um salário inferior ao dos seus colegas investigadores, apesar de desempenharem as mesmas funções.
Enquanto a reforma dos laboratórios do Estado se encontra em curso, esses cientistas doutorados alertam para que as novas instituições contem com eles na carreira de investigação e se acabe com uma situação que consideram discriminatória há vários anos.
Receiam, no entanto, que tal não venha a suceder, porque o decreto-lei de 2006 que estabelece o regime de mobilidade entre serviços dos funcionários da administração pública considera que as transições de pessoal se processam para igual categoria e remuneração do serviço de origem.
A reforma dos 11 laboratórios do Estado foi anunciada em meados de 2006 pelo ministro da Ciência, Mariano Gago. Quando as extinções, fusões e criações de laboratórios estiverem concluídas, o Estado ficará com nove instituições científicas sob a sua tutela.
Por exemplo, o Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação (INETI) já foi extinto em Outubro de 2007. A partir dele nasceu o Laboratório Nacional de Energia e Geologia, ainda sem conselho directivo, o que aflige os funcionários do ex-INETI, que dizem estar num processo de morte lenta (outros recursos humanos, científicos e materiais do INETI vão ser distribuídos por diversas instituições).
Também nasceu o Instituto Nacional de Recursos Biológicos, este já com conselho directivo, a partir da fusão do Instituto de Investigação Agrária, das Pescas e do Mar e do Laboratório Nacional de Investigação Veterinária e, ainda, da integração das competências na área da investigação da Direcção-Geral de Protecção de Culturas.
"Situação insustentável"
O caso foi apresentado por um conjunto de técnicos superiores doutorados do INETI à Provedoria da Justiça, que no início de 2006 lhes deu razão.
"Existe um aproveitamento do trabalho especializado mediante contrapartida financeira mais reduzida, ou seja, o INETI beneficia da prestação de trabalho e tarefas inerentes ao investigador em clara violação do princípio de igualdade", lê-se na carta enviada pela provedoria àquele instituto.
"A manutenção da actual situação afigura-se insustentável, por injusta e lesiva, retirando daqui o Estado um benefício indevido", continua o documento da provedoria.
O PÚBLICO quis saber se estes cientistas vão ser integrados na carreira de investigação nas novas instituições que estão a ser criadas, mas o Ministério da Ciência não fez quaisquer comentários.
Em Abril do ano passado, o ministério deu uma resposta aos investigadores em causa, dizendo-lhes: "A situação de permanência na carreira técnica superior de doutorados a desempenharem funções de investigação é uma preocupação deste ministério, que está a acompanhar o assunto no quadro das alterações em curso nos laboratórios do Estado".
in Público - ler notícia (texto a negrito da nossa responsabilidade)
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7/23/2008 11:22:00 PM
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Achado arqueológico - notícia no Público
Ossos de neandertais na gruta da Oliveira
14.07.2008, Teresa Firmino
Em Portugal, os restos de neandertais são poucos. Limitavam-se a dois dentes isolados, um encontrado na gruta Nova da Columbeira (Bombarral) e outro na gruta da Figueira Brava (Sesimbra) e, ainda, a quatro fragmentos ósseos descobertos na gruta da Oliveira.
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7/23/2008 11:09:00 PM
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Discurso - Carlos Paredes
O meu pai dizia que, quando morresse, queria que lhe partissem a guitarra e a enterrassem com ele.
Eu desejaria fazer o mesmo. Se eu tiver de morrer.”
NOTA: Tu nunca morres, Carlos Paredes (e todos os teus antepassados que ao nome Paredes deram a eternidade). Não enquanto houver registos da tua música e enquanto houver memória...
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7/23/2008 06:59:00 PM
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Carlos Paredes - 4 anos de saudade
Da Wikipédia, um pequeno resumo da sua vida:
Carlos Paredes (Coimbra, 16 de Fevereiro de 1925 — Lisboa, 23 de Julho de 2004) foi um compositor e guitarrista português.
Foi um dos grandes guitarristas e é um símbolo ímpar da cultura portuguesa. É um dos principais responsáveis pela divulgação e popularidade da guitarra portuguesa e grande compositor. Carlos Paredes é um guitarrista que para além das influências dos seus antepassados - pais, avós, tios, todos eles exímios guitarristas de Coimbra - mantém um estilo Coimbrão, a sua guitarra é de Coimbra, e própria afinação. A sua vida em Lisboa marcou-o e inspirou-lhe muitos dos seus temas e composições.
Filho, neto e bisneto dos famosos guitarristas Artur, Gonçalo Paredes e José Paredes, começou a estudar guitarra portuguesa aos quatro anos com o seu pai, embora a mãe preferisse que o filho se dedicasse ao piano; frequenta o Liceu Passos Manuel, começando também a ter aulas de violino na Academia de Amadores de Música. Na sua última entrevista, recorda: "Em pequeno, a minha mãe, coitadita, arranjou-me duas professoras de violino e piano. Eram senhoras muito cultas a quem devo a cultura musical que tenho".
Em 1934, muda-se para Lisboa com a família, e abandona o violino para se dedicar, sob a orientação do pai, completamente à guitarra. Carlos Paredes fala com saudades desses tempos: "Neste anos, creio que inventei muita coisa. Criei uma forma de tocar muito própria que é diferente da do meu pai, do meu avô, bisavô e tetratavô".
Carlos Paredes inicia em 1939 uma colaboração regular num programa de Artur Paredes na Emissora Nacional e termina os estudos secundários num colégio particular. Em 1943 faz exame de admissão ao Curso Industrial do Instituto Superior Técnico, que não chegou a concluir e inscreve-se nas aulas de canto da Juventude Musical Portuguesa, tornando-se em 1949 funcionário administrativo do Hospital de São José.
Em 1957 grava o seu primeiro disco, a que chamou simplesmente "Carlos Paredes".
Em 1958, é preso pela PIDE por fazer oposição a Salazar, é acusado de pertencer ao Partido Comunista Português, de que era de facto militante, sendo libertado no final de 1959 e expulso da função pública na sequência de julgamento. Durante este tempo andava de um lado para o outro da cela fingindo tocar música, o que levou os companheiros de prisão a pensar que estaria louco - de facto, o que ele estava a fazer, era compor músicas na sua cabeça. Quando voltou para o local onde trabalhava no Hospital, uma das ex-colegas, Rosa Semião, recorda-se da mágoa do guitarrista devido à denúncia de que foi alvo: «Para ele foi uma traição, ter sido denunciado por um colega de trabalho do hospital. E contudo, mais tarde, ao cruzar-se com um dos homens que o denunciou, não deixou de o cumprimentar, revelando uma enorme capacidade de perdoar!»
Em 1962, é convidado pelo realizador Paulo Rocha, para compor a banda sonora do filme Os Verdes Anos: «Muitos jovens vinham de outras terras para tentarem a sorte em Lisboa. Isso tinha para mim um grande interesse humano e serviu de inspiração a muitas das minhas músicas. Eram jovens completamente marginalizados, empregadas domésticas, de lojas - Eram precisamente essas pessoas com que eu simpatizava profundamente, pela sua simplicidade». Recebeu um reconhecimento especial por “Os Verdes anos”.
Tocou com muitos artistas, incluindo Charlie Haden, Adriano Correia de Oliveira e Carlos do Carmo. Escreveu muitas músicas para filmes e em 1967 gravou o seu primeiro LP "Guitarra Portuguesa".
Quando os presos políticos foram libertados depois do 25 de Abril de 1974, eram vistos como heróis. No entanto, Carlos Paredes sempre recusou esse estatuto, dado pelo povo. Sobre o tempo que foi preso nunca gostou muito de comentar. Dizia «que havia pessoas, que sofreram mais do que eu!». Ele é reintegrado no quadro do Hospital de São José e percorre o país, actuando em sessões culturais, musicais e políticas em simultâneo, mantendo sempre uma vida simples, e por incrível que possa parecer, a sua profissão de arquivista de radiografias. Várias compilações de gravações de Carlos Paredes são editadas, estando desde 2003 a sua obra completa reunida numa caixa de oito CDs.
A sua paixão pela guitarra era tanta que, conta que certa vez, a sua guitarra se perdeu numa viagem de avião e ele confessou a um amigo que «pensou em se suicidar».
Uma doença do sistema nervoso central (mielopatia), impediu-o de tocar durante os últimos 11 anos da sua vida. Morreu em 23 de Julho de 2004 na Fundação Lar Nossa Senhora da Saúde em Lisboa, sendo decretado Luto Nacional.
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Fernando Martins
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7/23/2008 06:52:00 PM
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Música para iniciar a preparação do novo ano lectivo
I love you
But I gotta stay true
My morals got me on my knees
I'm begging please stop playing games
I don't know what this is
'Cos you got me good
Just like you knew you would
I don't know what you do
But you do it well
I'm under your spell
You got me begging you for mercy
Why wont you release me
You got me begging you for mercy
Why wont you release me
I said release me
Now you think that I
Will be something on the side
But you got to understand
That I need a man
Who can take my hand yes I do
I dont know what this is
But you got me good
Just like you knew you would
I dont know what you do
But you do it well
I'm under your spell
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Fernando Martins
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7/23/2008 12:52:00 PM
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Terça-feira, Julho 22, 2008
Revista on-line sobre Gestão Costeira Integrada
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Fernando Martins
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7/22/2008 09:04:00 PM
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Pavilhão do Conhecimento faz nove anos
Dia 25 de Julho é dia de festa.Na próxima sexta-feira o Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva faz nove anos e preparou uma programação especial para o seu aniversário. Como todos os anos, a entrada é gratuita.
Neste dia, e a partir das 10h00, oferecemos a nós próprios e ao nosso público um presente muito especial: o início das transmissões regulares do Ciência Viva TV - Canal Online. Reportagens, entrevistas, vídeos temáticos e notícias científicas vão preencher a programação deste canal de divulgação da ciência e da tecnologia, disponível 24 horas por dia no endereço www.cvtv.pt.
Mas neste dia não queremos que fique em casa a ver televisão no computador. Venha até ao Pavilhão do Conhecimento e assista à emissão em directo do CVTV através dos ecrãs que estarão espalhados pelas várias áreas expositivas. E não perca a oportunidade de ver como é a produção de um canal de televisão nos nossos estúdios montados no foyer e abertos ao público.
Participe nas reportagens que a equipa do CVTV fará em directo durante todo o dia com os visitantes, conheça a ciência que se esconde atrás dos tachos no espaço de A Cozinha é um Laboratório, coloque as suas dúvidas científicas e desvende alguns mitos urbanos, ponha as Mãos no Gelo, assista à mesa-redonda sobre cozinha molecular, viaje até Marte com as reportagens do CVTV e descubra que é possível levar a ciência no seu telemóvel através dos podcasts que pedimos a dois cientistas que gravassem para o nono aniversário do Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva.
Venha comemorar connosco e ajude-nos a soprar as velas.
PROGRAMA:
10.00 - Início das transmissões do CVTV
11.00 - Lançamento oficial do CVTV com a presença do ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior
18.00 - Bolo de Aniversário e Parabéns ao Pavilhão do Conhecimento
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7/22/2008 08:56:00 PM
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Palestra de Astronomia sobre a Teoria de Milankovitch
Centro de Astronomia e Astrofísica da Universidade de Lisboa
Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa
A próxima sessão decorrerá no dia 25 de Julho e terá como tema:
Prof. Alexandre Correia
Departamento de Física da Universidade de Aveiro
As variações de insolação (energia por unidade de área recebida do Sol) à superfície de um planeta resultam do efeito combinado entre a sua posição na órbita e da orientação do seu eixo de rotação. Para a Terra estas variações são ligeiras, mas estão contudo na origem de grandes variações climatéricas no passado, conhecida na literatura pela teoria de Milankovitch sobre os paleoclimas. Vestígios destas variações climáticas podem ser encontrados por exemplo nas calotes polares (até 400 000 anos) ou nos sedimentos marinhos para períodos de tempo mais longos (até 200 milhões de anos). No âmbito de um esforço pluridisciplinar para compreender as variações possíveis da orientação e do clima da Terra ao longo dos últimos mil milhões de anos, pretende-se determinar os constrangimentos dinâmicos e observacionais para a evolução do eixo do nosso planeta até 600 milhões de anos. Nesta palestra serão apresentados algumas das descobertas mais recentes, bem como a importância da existência da Lua na estabilização do clima no nosso planeta.
VIDEODIFUSÃO DA PALESTRA PÚBLICA
É com enorme prazer que anunciamos que o OAL fará a transmissão da sua Palestra Mensal através da Internet.
A entrada na Tapada da Ajuda faz-se pelo portão da Calçada da Tapada, em frente ao Instituto Superior de Agronomia.
No final de cada palestra, e caso o estado do tempo o permita, fazem-se observações dos corpos celestes com telescópio.
Convida-se o público a trazer os seus binóculos ou mesmo pequenos telescópios caso queiram realizar as suas próprias observações ou ser ajudados com o seu funcionamento.
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7/22/2008 08:14:00 PM
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Cometa visível em Portugal
Do Blog terra que gira publicamos, com a devida vénia, o seguinte post:
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7/22/2008 08:06:00 PM
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Geologia no Verão para cegos e amblíopes na Nazaré
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7/22/2008 05:04:00 PM
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Cavidades Vulcânicas dos Açores
"Cavidades Vulcânicas dos Açores" é o mais recente guia bilingue (português e inglês) publicado pelo Gespea, Os Montanheiros e Amigos dos Açores, com o patrocínio da Secretaria Regional do Ambiente e do Mar.
Surpreende pela qualidade gráfica e de conteúdos.
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Fernando Martins
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7/22/2008 04:59:00 PM
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Geologia no Verão - S. Miguel (Açores)

Só é pena que não haja mais actividades nos Açores nas outras ilhas e mesmo em S. Miguel - há que incentivar o Observatório Vulcanológico e Sismológico da Universidade dos Açores, o Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores, o Departamento de Geociências da Universidade dos Açores, Os Montanheiros - Sociedade de Exploração Espeleológica e muitos outros a mostrarem a Geologia dos Açores...!
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7/22/2008 04:31:00 PM
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Domingo, Julho 20, 2008
Notícia sobre a Mina de Sal-Gema de Loulé
05-11-2007 7:30:00
Em fase de decréscimo na produção, o grupo CUF quer rentabilizar a mina de sal gema, inserindo-a no roteiro turístico da região. Mas também há projectos para fazer dela um gigantesco arquivo e pô-la ao serviço dos doentes asmáticos.
“Queremos receber aqui 400 turistas por dia, mas para isso temos que equipar as minas de infra-estruturas que não têm neste momento”, revelou ao Observatório do Algarve o director técnico Alexandre Andrade, do grupo CUF.
O estabelecimento de uma visita turística dentro de uma parte dos 46 quilómetros de galerias que ali têm sido abertos desde os anos 60, altura da descoberta da jazida, é um dos projectos já assentes.
Por agora, a mina de Campinas de Cima, às portas de Loulé, produz 40 mil toneladas de sal gema (em 2005 produzia 110 mil), utilizado em Portugal e no estrangeiro na produção de descongelante para o gelo das estradas e em rações para animais. Aquele sal, mais “salgado” que o utilizado nas cozinhas, não serve para alimentação humana.
Para as novas tarefas “terciárias”, terão que ser instalados no subsolo, entre 230 e 260 metros de profundidade, equipamentos como uma secção multimédia em que se explique aos visitantes o que é e para que serve a mina.
Poderá ser também construído um restaurante, zonas de vendas baseadas nas pedras de sal (da pedra de sal gema podem ser feitos candeeiros, esculturas e pisa-papéis, por exemplo), além de terem que ser abertos novos poços para instalar elevadores, que substituam as “gaiolas” por onde agora descem e sobem os trabalhadores.
Um sanatório subterrâneo para asmáticos
Responsável pela estrutura de Loulé e por uma mina congénere na zona da Figueira da Foz, o técnico tem visitado nos últimos meses outras minas europeias, onde colhe ideias para abrir as minas a actividades paralelas.
Na Polónia, por exemplo, viu uma mina de sal com balneários, piscina, discotecas e até um campo de futebol, dedicada a crianças que padeciam de doenças respiratórias.
De resto, a abertura de uma zona de tratamento daquele tipo de doenças, em que se inclui a asma, é outro dos projectos do grupo CUF. A ausência de humidade no interior da mina faz dela ideal para o tratamento daquelas doenças e em tempos houve pessoas que passavam quinzenas na mina a conselho dos médicos.
Considerada pelo grupo CUF como o maior espaço visitável em Portugal com condições de segurança, a nova utilização turística teve recentemente um balão de ensaio, com a exibição – há pouco mais de um mês – de um ciclo de cinema dedicado à claustrofobia e de uma batida fotográfica, que decorreu no passado sábado.
Ambas as iniciativas foram organizadas no terreno pela Casa da Cultura de Loulé, que no início do ano foi contactada pelo grupo CUF e constituíram um sucesso, nomeadamente o ciclo de cinema (que levou a chancela do Cineclube de Faro), com sessões sempre cheias, segundo disse ao Observatório do Algarve Élio Pelica, daquela associação cultural.
O director técnico das minas de sal do grupo CUF revelou ainda que o grupo pretende alugar algumas galerias – muitas delas fechadas com taipais – a empresas que tenham falta de espaço para arquivos mortos. “Desse ponto de vista, temos aqui o maior armazém do País”, acrescentou Alexandre Andrade.
64 metros abaixo do nível do mar
A mina de sal surgiu aquando da mutação geológica que resultou na separação entre a Europa e África, que criou o Mar Mediterrânico, há 250 milhões de anos, ainda antes da era (SIC) Jurássica.
A cobertura de uma enorme massa de água salgada pela terra num período relativamente curto resultou no enorme torrão de pelo menos um quilómetro de profundidade que hoje se estende a Leste de Loulé e não se sabe onde acaba.
Há quem diga que ramos dessa linha de sal poderão atingir as proximidades de Barcelona, onde há uma jazida semelhante.
Com início 90 metros abaixo da superfície – após uma camada de calcário (1 aos 45 metros) e outra de gesso (45 aos 90 metros) -, a mina já foi “descoberta” até aos 313 metros de profundidade, mas as enormes galerias feitas pelo homem situam-se em dois níveis, a 230 e 260 metros de profundidade. A primeira galeria situa-se 64 metros abaixo do nível do mar.
Antes realizada a poder de dinamite, picaretas e martelos pneumáticos, actualmente, a extracção de sal é feita com uma máquina de perfuração a que os trabalhadores chamam “roçadora”.
Após esse trabalho, os camiões que circulam no interior das galerias (algumas maiores do que um túnel rodoviário comum) levam o minério a uma máquina que o desfaz e leva ao poço de transporte de material, até à superfície.
Boa parte da produção é levada para fora do País, onde é usado sobretudo para o fabrico de descongelante para as estradas europeias.
A mina foi descoberta há meio século, graças a um furo realizado numa propriedade em Campinas de Cima, cujo resultado foi… água salgada.
in Observatório do Algarve, 05.11.2007 - ler notícia
NOTA: embora com algumas asneiras, publicamos esta notícia antiga e perguntamos aos nossos leitores: quando haverá actividades turísticas (isto para além das actividades da Geologia no Verão) na Mina de Campina de Cima? Recordamos ainda que podem ver imagens da Mina neste nosso post antigo.
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7/20/2008 11:45:00 PM
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Apollo XI - 39 anos depois
Lembremos a data com Poesia:
Niels Armstrong pôs os pés na Lua
e a Humanidade saudou nele
o Homem Novo.
No calendário da História sublinhou-se
com espesso traço o memorável feito.
Tudo nele era novo.
Vestia quinze fatos sobrepostos.
Primeiro, sobre a pele, cobrindo-o de alto a baixo,
um colante poroso de rede tricotada
para ventilação e temperatura próprias.
Logo após, outros fatos, e outros e mais outros,
catorze, no total,
de película de nylon
e borracha sintética.
Envolvendo o conjunto, do tronco até aos pés,
na cabeça e nos braços,
confusíssima trama de canais
para circulação dos fluidos necessários,
da água e do oxigénio.
A cobrir tudo, enfim, como um balão ao vento,
um envólucro soprado de tela de alumínio.
Capacete de rosca, de especial fibra de vidro,
auscultadores e microfones,
e, nas mãos penduradas, tentáculos programados,
luvas com luz nos dedos.
Numa cama de rede, pendurada
das paredes do módulo,
na majestade augusta do silêncio,
dormia o Homem Novo a caminho da Lua.
Cá de longe, na Terra, num borborinho ansioso,
bocas de espanto e olhos de humidade,
todos se interpelavam e falava,
do Homem Novo,
do Homem Novo,
do Homem Novo.
Sobre a Lua, Armstrong pôs finalmente os pés.
caminhava hesitante e cauteloso,
pé aqui,
pé ali,
as pernas afastadas,
os braços insuflados como balões pneumáticos,
o tronco debruçado sobre o solo.
Lá vai ele.
Lá vai o Homem Novo
medindo e calculando cada passo,
puxando pelo corpo como bloco emperrado.
Mais um passo.
Mais outro.
Num sobre-humano esforço
levanta a mão sapuda e qualquer coisa nela.
com redobrado alento avança mais um passo,
e a Humanidade inteira, com o coração pequeno e ressequido
viu, com os olhos que a terra há-de comer,
o Homem Novo espetar, no chão poeirento da Lua, a bandeira da sua Pátria,
exactamente como faria o Homem Velho.
in Novos Poemas Póstumos - António Gedeão (1990)
Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos,
basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria
ao que desconhecemos
e ao que é do dia-a-dia.
Chegamos? Não chegamos?
─ Partimos. Vamos. Somos.
in Pelo sonho é que vamos - Sebastião da Gama
NOTA: post conjunto com o Blog AstroLeiria
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7/20/2008 04:00:00 PM
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Quinta-feira, Julho 17, 2008
Maluquices - música para Geopedrados
Crazy - Gnarls Barkley
There was something so pleasant about that phase.
Even your emotions had an echo
In so much space
And when you're out there
Without care,
Yeah, I was out of touch
But it wasn't because I didn't know enough
I just knew too much
Does that make me crazy
Does that make me crazy
Does that make me crazy
Probably
And I hope that you are having the time of your life
But think twice, that's my only advice
Come on now, who do you, who do you, who do you, who do you think you are,
Ha ha ha bless your soul
You really think you're in control
Well, I think you're crazy
I think you're crazy
I think you're crazy
Just like me
My heroes had the heart to lose their lives out on a limb
And all I remember is thinking, I want to be like them
Ever since I was little, ever since I was little it looked like fun
And it's no coincidence I've come
And I can die when I'm done
Maybe I'm crazy
Maybe you're crazy
Maybe we're crazy
Probably
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7/17/2008 02:53:00 PM
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Sábado, Julho 12, 2008
Mestrado em Ciências da Terra - Universidade de Coimbra
1º Ano - 1º Semestre
Actividades Práticas em Geociências *
Epistemologia das Geociências *
Geohistória de Portugal
Seminário I
Sistemas Terrestres *
Terra no Espaço *
1º Ano - 2º Semestre
Comunicação em Geociências
Geociências e Saúde *
Geodiversidade e Geoconservação *
Gestão Sustentável de Recursos *
Riscos Geológicos e Ordenamento do Território *
Seminário II
2º Ano
Dissertação
* Unidade curricular opcional
NOTA: A propina é de 1.000 €. A informação retirada do site do DCT/UC
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7/12/2008 03:59:00 PM
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Congresso no Geopark Naturtejo

Mais informações em: www.geoparknaturtejo.com
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7/12/2008 03:57:00 PM
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Conferência em Lisboa
o nosso futuro global

Geologia de Cidade
por
António Gomes Coelho
Geólogo, consultor da COBA, Presidente da APG, Vice-presidente da SGP
Mais informações, resumo das conferências e programa das comemorações em:
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Fernando Martins
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7/12/2008 03:40:00 PM
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Quinta-feira, Julho 10, 2008
Quarta-feira, Julho 09, 2008
Geologia no Verão - a nossa actividade!
HORÁRIO: 10.00 às 17.00 horas
ORGANIZAÇÃO: Doutor Jorge Dinis - Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Coimbra e Fernando Martins - Blog Geopedrados
PARTIDA/CHEGADA: Piscinas Municipais de Leiria
ITINERÁRIO: Leiria - Barracão - Colmeias - Espite - Caranguejeira - Lapedo - Leiria
VAGAS: 40 lugares (transporte em Autocarro, sem custos para os inscritos)
INSCRIÇÕES: AQUI
NOTA: Colocaremos em breve mais informações e aceitaremos algumas inscrições directas...
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Fernando Martins
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7/09/2008 03:13:00 PM
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Um passeio pelo Sol
No dia 27 e 28 de Junho realizaram-se as "Jornadas de Puertas Abiertas en el Observatorio del Teide".
Durante dois dias foi possível entrar, observar e compreender os telescópios do Instituto de Astrofísica das Canárias.
Existem actualmente, dois observatórios do espaço nas ilhas Canárias, o Observatório del Roque de los Muchachos, na Ilha de La Palma, vocacionado para a observação do céu profundo e o Observatório do Teide, na Ilha de Tenerife, centrado principalmente na observação da estrela do sistema solar.
O estudo da Astrofísica nas Canárias começou no início da década de 60, com a entrada em funcionamento do primeiro telescópio destinado ao estudo da luz dispersada pela matéria interplanetária.
O Observatório do Teide, situado na zona de Izaña, a 2.390 metros de altitude, ocupa uma área de 50 hectares, numa crista que corresponde a um rifte formado pela elevação dos vulcões que hoje compõem as Cañadas do Teide.
A vasta área ocupada pelo Observatório encontra-se implantada nas cercanias do Parque Nacional das Cañadas del Teide. Este espaço natural, património da humanidade, foi classificado pelas características únicas na Terra, do estratovulcão que lhe dá o nome - o Teide. De acordo com os mais recentes critérios de classificação de montanhas (contrariando a subjectividade dada pela oscilação do nível médio das águas do mar e baseando a mediçao na superfície da placa oceânica), o Teide encontra-se entre as maiores montanhas do nosso planeta.
Estudos recentes de análise de materiais geológicos e de sondagens geofísicas, permitem afastar definitivamente a teoria da influência da fracturaçao da cadeia montanhosa do Atlas, na formação do arquipélago Canário, explicando que na sua origem se incluem apenas processos de hot spot - vulcanismo intraplaca. A variação entre o fenómeno de hot spot do arquipélago Canário e do Hawaiano encontra-se na espessura da placa oceânica na zona da pluma mantélica, que por ser de maior espessura no caso Canário, impede a subsidência das ilhas mais antigas.
O Observatório del Teide é composto por uma série de telescópios e instalações de acomodação, cozinha, recepção, sala de estar, garagens, estação transformadora e parque de painéis solares, com o objectivo de prestar serviço a todo o pessoal técnico e científico vinculado ao Observatório.
O Observatório conta ainda com um Centro de Visitantes, com capacidade para 40 pessoas, que ocupa uma cúpula vazia, onde se explica como funcionam os telescópios e a importância da Astronomia na história da humanidade e nos dias de hoje.
É uma visita imperdível! Especialmente, porque o Sol é a fonte energética da Vida na Terra... Pelo menos, da Vida tal como a concebemos à luz dos conceitos do nosso tempo.
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7/09/2008 03:01:00 PM
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Ciência Viva no Verão 2008
Na praia, no campo, na cidade, de dia ou de noite, faça férias com a Ciência.
Observações astronómicas, passeios científicos, visitas a faróis e a grandes obras de engenharia são algumas das actividades propostas por universidades, centros de investigação, museus, empresas, escolas e associações científicas em todo o país.
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Fernando Martins
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7/09/2008 02:43:00 PM
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Sábado, Julho 05, 2008
Texto de MFM no Público
Os testes de Português podiam ser substituídos por uns papeluchos como os do Totobola
04.07.2008
Maria Filomena Mónica
Hoje de manhã acordei a pensar no Ministério da Educação. Num mundo ideal, eu seria professora de Português, consistindo a minha missão em sujeitar a exame todos os membros do Gave (Gabinete de Avaliação Educacional), da DGIDC (Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular), do GEPE (Gabinete de Estatística e Planeamento da Educação), da DGRHE (Direcção-Geral dos Recursos Humanos da Educação) e da ANQ (Agência Nacional para a Qualificação) usando para o efeito uma “grelha” por mim elaborada.
Este desejo surgiu depois de ter lido os programas, os exames e os critérios de avaliação em vigor. Com filhos crescidos e netos demasiado pequenos para frequentar a escola secundária, tenho andado arredada da matéria, embora, pelo que ia ouvindo, por esquinas e ruas, suspeitasse de que a asneira tivera carta de alforria. Há três semanas, durante uma sessão de autógrafos na Feira do Livro, conversei com algumas professoras do ensino secundário. O encontro despertou o meu apetite por analisar as provas de exame de Português. Havia muito – exactamente desde 1997, quando publiquei "Os Filhos de Rousseau" – que o não fazia.
Não foi difícil obter, na Internet, o seu enunciado, ou antes, não foi difícil depois de o director deste jornal me ter enviado o devido link. Comecei pela Prova Escrita de Português do 12.º Ano de Escolaridade, a qual incluía um texto de Camões, outro de Luís Francisco Rebelo e outro de Guilherme Oliveira Martins. À cabeça, aparecia o extracto do Canto X de "Os Lusíadas", começando em “Que as Ninfas do Oceano, tão fermosas,/…” e terminando em “Que possuí-los sem os merecer”. Se a inclusão do maior poeta épico português não me admirou, o mesmo não posso dizer das perguntas sobre ele feitas.
No final da primeira parte, pedia-se ao aluno que comentasse, num texto de 80 a 120 palavras, a experiência de leitura de "Os Lusíadas". Com medo de que esta se reduzisse a nada, fornecia-se, em epígrafe, as seguintes linhas de Maria Vitalina Leal de Matos: “Mas o texto é complexo e, por vezes até, contraditório. Em certos momentos exibe uma face menos gloriosa; aquela em que emergem as críticas, as dúvidas, o sentimento de crise.” Não só o excerto era desnecessário, como podia causar perplexidade, uma vez que o esquema a preto e branco inventado pelo Gave não se coadunava com “complexidades”. Por outro lado, pareceu-me extraordinário que, a alunos de 17 e 18 anos, se tivesse de fornecer um glossário, no qual se explicava, por exemplo, o que era o Olimpo. Que andaram os meninos a aprender ao longo de dez anos de aulas de História?
Texto ideológico
Nos Grupos II e III, transcrevia-se um texto de Luís Francisco Rebelo sobre "O Memorial do Convento" de José Saramago, e outro, de Guilherme Oliveira Martins, sobre o P. António Vieira. Do ponto de vista ideológico, o segundo era inócuo, o mesmo não se podendo dizer do primeiro. Depois de um elogio rasgado ao livro, L. F. Rebelo defendia coisas tão etéreas quanto a “a história não é uma categoria imutável e fixa, mas a contínua respiração da realidade, rio cujas águas nunca param e nunca se repetem”, desembocando o seu argumento no conceito de “luta de classes”, após o que remetia para o poema de Brecht, “Perguntas de Um Operário Letrado”, o qual servia de base para defender que "O Memorial do Convento reflectia o conflito entre um “rei beato” e os “servos da gleba”.
A fim de serem facilmente classificadas, muitas questões eram de escolha múltipla, ou seja, a seguir a uma frase vinham quatro opções, o que nos leva a pensar que, segundo a ideologia vigente, há uma e apenas uma Verdade. Como se isto não fosse suficientemente arrepiante, algumas das supostas respostas certas estavam erradas: a vice-presidente da Associação de Professores de Português chamou imediatamente a atenção para a falta de acordo entre os colegas no que dizia respeito às respostas para o grupo II, 7. No último grupo, o III, era pedida ao aluno uma redacção, entre 200 e 300 palavras, sobre a “temática da dignidade humana e do respeito pelos direitos humanos no nosso tempo”. Visto tratar-se de escrever sobre o que passa no século XXI, não entendo a vantagem da inclusão do texto do actual presidente do Tribunal de Contas relativo ao século XVII. Pelos vistos, o contexto temporal desapareceu da cabeça destes pedagogos.
Vale a pena abordar a filosofia subjacente à elaboração do exame. Claro que podia parafrasear algumas passagens do programa da cadeira ou até fornecer um resumo do texto — com 76 páginas — mas isso teria a desvantagem de afastar o leitor da linguagem de quem planeia o ensino em Portugal. Antes de saltar estes parágrafos, lembre-se, por favor, que o esforço que lhe peço não é nada comparado com aquele a que os professores são diariamente sujeitos. Aqui vão alguns extractos retirados do "Programa de Português para os 10.º, 11.º e 12º anos, dos Cursos Científico-Humanísticos e Cursos Tecnológicos", coordenado por Maria da Conceição Coelho, a qual foi, para o efeito, assessorada por João Seixas, José Pascoal, Maria Joana Campos, Maria José Grosso e Maria de La Salette Loureiro.
Eis o começo: “O Português é uma disciplina da formação geral comum aos cursos científico-humanísticos e tecnológicos do ensino secundário que abrange os três anos do ciclo. Visa a aquisição de um corpo de conhecimentos e o desenvolvimento de competências que capacitem os jovens para a reflexão e o uso da língua materna. Em contexto escolar, esta surge como instrumento mas também como conteúdo ou objecto de aprendizagem, tornando-se fundamental, neste ciclo, o aprofundamento da consciência metalinguística e a adopção de uma nomenclatura gramatical adequada que sirva o universo de reflexão.” Abordando a parte 2, eis o que encontramos: “Este programa pretende ser um instrumento regulador do ensino-aprendizagem da língua portuguesa nas componentes Compreensão Oral, Expressão Oral, Expressão Escrita, Leitura e Funcionamento da Língua, instituídas como competências nucleares desta disciplina. (…) Para realizar a interacção entre as diferentes competências, seleccionaram-se vários tipos de textos em que há uma evidente articulação entre protótipos textuais (narrativo, descritivo, argumentativo, expositivo-explicativo, injuntivo-instrucional, dialogal-conversacional) e textos das relações dos domínios sociais de comunicação (relações educativas, relações profissionais, relações com os media, relações gregárias e relações transaccionais). Desta forma, a tipologia textual prevista para o ensino secundário adquire uma dimensão praxiológica, permitindo abordar textos que, cabendo numa das categorias de protótipos textuais, preparam os jovens cidadãos para uma integração na vida sociocultural e profissional.”
Máquina retórica em ritmo automático
No que diz respeito à escrita, eis o que têm a dizer: “Quanto à expressão escrita, pretende-se que seja instituída uma oficina de escrita, em que sejam trabalhadas as tipologias textuais previstas, a partir das quais se desenvolverão as competências naturalmente envolvidas neste tipo de actividade. Propõe-se que esta oficina seja entendida como um trabalho laboratorial, constituindo um espaço curricular em que a aprendizagem e a sistematização de conhecimentos sobre a língua e os seus usos se inscrevem como componentes privilegiadas.” Sobre a leitura, afirma-se: “No âmbito da leitura, promove-se o acesso a textos de várias tipologias, preferencialmente relacionados com a área de formação ou com o interesse dos alunos, bem como a textos dos domínios transaccional e educativo, que contribuem para a formação da cidadania. A leitura do texto literário deverá ser estimulada pois contribui decisivamente para o desenvolvimento de uma cultura geral mais ampla, integrando as dimensões humanista, social e artística, e permite acentuar a relevância da linguagem literária na exploração das potencialidades da língua. Nesse sentido, são seleccionados para leitura obrigatória autores/textos de reconhecido mérito literário que garantam o acesso a um capital cultural comum.” O programador acrescenta: “O convívio com os textos literários acontecerá também quando se puserem em prática contratos de leitura a estabelecer entre professores e alunos.” Que significa um “contrato de leitura” que, ainda por cima, “acontecerá”? Mistério.
Do capítulo dos objectivos, seleccionei apenas três frases, as mais representativas: “Desenvolver capacidades de compreensão e de interpretação de textos/discursos com forte dimensão simbólica, onde predominam efeitos estéticos e retóricos, nomeadamente os textos literários, mas também os do domínio da publicidade e da informação mediática; utilizar métodos e técnicas de pesquisa, registo e tratamento de informação, nomeadamente com o recurso às novas tecnologias de informação e comunicação (TIC); desenvolver práticas de relacionamento interpessoal favoráveis ao exercício da autonomia, da cidadania, do sentido de responsabilidade, cooperação e solidariedade.” Modernaço, não é?
A máquina retórica prossegue em ritmo automático: “A escola deverá promover, no âmbito da consciência linguística, o conhecimento do vocabulário, da morfologia, da sintaxe e da fonologia/ortografia; no que respeita a competência discursiva/textual, o conhecimento das convenções que subjazem à produção de textos orais ou escritos que cumpram as propriedades da textualidade; quanto à competência sociolinguística, o conhecimento das regras sociais para contextualizar e interpretar os elementos linguísticos e discursivos/ textuais; quanto à competência estratégica, o uso de mecanismos de comunicação verbais ou não verbais como meios compensatórios para manter a comunicação e produzir efeitos retóricos.”
Estão fartos? Desculpem, mas não resisto a outra citação: “A aula de Português (…) é, pela especificidade da disciplina, um espaço de transversalidade cultural e linguística, na sua condição de suporte estruturalmente integrado nos outros saberes. (…) Para que os alunos desenvolvam o hábito de ler, propõe-se a criação de um espaço dedicado à leitura recreativa de textos de reconhecido mérito literário, de autores maioritariamente contemporâneos, das literaturas nacional e universal, capazes de transformar os alunos em leitores mais assíduos, quer ao longo do percurso escolar, quer ao longo da vida.” Note-se a aberrante hierarquia: “Nesse espaço, deve ser dada importância aos gostos e interesses dos alunos, cabendo ao professor a sua orientação, sugerindo um leque diversificado de textos a ler. O professor deve constituir-se como entidade facilitadora de práticas de leitura (sublinhado meu) oferecendo aos alunos a possibilidade de encontro com textos interessantes e motivadores, procurando, contudo, suscitar respostas por parte dos leitores durante e após a leitura desses textos.” Só há duas explicações para o programa de Português: ou esta gente é doida ou pretende humilhar os professores.
Não é preciso ir longe para vermos em que fontes andaram os “especialistas” a beber. Basta olhar alguns dos títulos da bibliografia aconselhada: Lussier, D., "Évaluer les Apprentissages dans une Approche Communicative", Paris, Hachette, 1992, Tochon, F.V., "A Língua como Projecto Didáctico", Porto, Porto Editora, 1995, Gohard-Radenkovic, A., "L’Ecrit. Stratégies et Pratiques", Paris, Clé international, 1995, Broncart, J.-P., "Activité Langagière, Textes et Discours", Lausanne, Delachaux et Niestlé S.A., 1996 ou Weaver, C., "Teaching Grammar in Context", Portsmouth, Boynton/Cook Publishers, Inc, 1996 . Todo e qualquer livro, da "La Littérature en Péril" de T. Todorov a "On Looking into the Abyss" de G. Himmelfarb, que ponha em causa a ortodoxia foi banido.
Baixar o insucesso por via burocrática
Voltando ao exame, intrigou-me a ênfase nos autores contemporâneos. Um anjo da guarda explicou-me o motivo. A 4 de Outubro último, através da portaria 1322/2007, Valter Lemos determinou que, este ano, os exames de Português do 12.º ano passassem a ter como matéria, não o que fora dado ao longo do ciclo, como sucedia, mas apenas o leccionado no 12.º ano. Tal como sucedera no exame de Matemática, a mutilação foi deliberadamente planeada, no sentido de tornar mais simples os exames. Pelo meio, desapareceram autores como Eça de Queiroz e Cesário Verde – declaro, é evidente, um interesse pessoal – substituídos por Luís de Sttau Monteiro e José Saramago, cujas obras, "Felizmente Há Luar" e "O Memorial do Convento", são de leitura obrigatória (dada a fama internacional, Fernando Pessoa manteve-se). Em suma, dos clássicos, apenas Camões.
Como qualquer professor sabe, os alunos apenas estudam o que vem para exame, ficando indignados quando lhes “sai” uma coisa não estipulada. A portaria 1322/2007 deu-lhes autorização para esquecer o que eventualmente tivessem aprendido nos dois anos anteriores. Quem viu os telejornais, não pode ter deixado de notar as declarações no sentido de que o exame de Português tinha sido “canja” e que portanto o futuro iria ser risonho. Não, não vai. Porque os alunos, que hoje ostentam uma face optimista, não tardarão a chorar ao verificarem que não arranjam emprego.
A responsabilidade pelo desastre – porque é de um desastre que se trata – deve ser atribuída a quem ocupa o poder, isto é, em primeiro lugar, a Maria de Lurdes Rodrigues, uma ministra cujo objectivo passou a consistir em baixar o insucesso escolar por via burocrática. Qualquer dia até o meu neto, de seis anos, é capaz de responder satisfatoriamente às provas do final da escolaridade. Uma vez que já sabe escrever o seu nome e que responde prontamente a quem lhe pergunta quanto são dois mais dois, penso que não vale a pena matriculá-lo na 1ª classe, deixando-o no recreio até aos 15 anos, altura em que se poderá apresentar a exame como aluno externo. Nem a família terá de se dar à maçada de o levar à escola nem o Estado será forçado a gastar dinheiro com a sua educação. Aliás, foi isso que, após ter realizado o exame de Português, nos disse Felipe Hasslocher: “Não estudei; a Português ou se sabe ou não vale a pena estudar” ("Diário de Notícias", 19-06-2008). De facto, é assim: ou se aprende em casa ou não vale a pena ir às aulas.
Mas voltemos aos exames. A disciplina de Português, obrigatória para todos os alunos que frequentam o 12.º ano, não é a única que aborda temas literários. Existe uma outra cadeira, optativa, de Literatura Portuguesa, resultado da divisão entre a língua e as obras. Se não é a ler os grandes escritores que se aprende a escrever, então como é? Mas disto não querem saber as luminárias. O programa é, de novo, coordenado pela guru Maria da Conceição Coelho, assessorada, desta feita, por Maria Cristina Serôdio e Maria Joana Campos, não sendo, por conseguinte, necessário voltar a cansar o leitor com citações. Quero apenas notar que a bibliografia, além de tendenciosa, contém lacunas. Manda-se os professores lerem R. Andrews, "The Problem with Poetry", Piladelphia, Open University, 1991 e M. Bores et alia, "Estética Teatral: textos de Platão a Brecht", Lisboa, Fundação Gulbenkian, 1996, mas a "História da Literatura Portuguesa", de A. J. Saraiva e Óscar Lopes, não aparece, como não aparece um único livro de João Gaspar Simões. E, por favor, não me venham dizer que são livros datados.
A prova de Literatura Portuguesa para os 11.º e 12.º anos é melhor do que o programa, até porque os escritores escolhidos para análise são Camões e Camilo Castelo Branco. Dado os adolescentes serem particularmente sensíveis ao tema — razão menor, mas que aceito —, a inclusão do soneto que começa com “Amor é um fogo que arde sem se ver…” e de um extracto do Amor de Perdição não me pareceu má ideia. Trata-se de clássicos cujo mérito ninguém disputa. No Grupo III, pedia-se aos alunos para, baseando-se na sua experiência de leitura da lírica trovadoresca, escreverem um texto sobre o tema do sofrimento amoroso nas cantigas de amor. O exame mais bem elaborado é aquele a que um menor número de alunos se sujeitou. Se calhar, uma coisa está relacionada com a outra.
Propaganda da "nomenklatura" europeia
No final, lembrei-me de ver a prova de Língua Portuguesa do 9.º ano, um exame a que foram sujeitos dezenas de milhares de estudantes. Do programa, simplório, não reza a História. Desta feita, o escândalo é o próprio exame. O principal texto – o A – versa a União Europeia. Retirado da Internet, é um artigo de propaganda. Espero que ninguém tenha a tentação de me vir explicar, a mim, que, nos idos de 1960, queimei as pestanas a tentar perceber o que, na opinião de Althusser, era um AIE (Aparelho Ideológico do Estado), e que, na década seguinte, se deliciou a ouvir o “We don’t need no education” dos Pink Floyd, que a escola transmite valores. Mas uma coisa é estar consciente do facto, outra aceitar que nela se transmita propaganda pura e dura. Ora, é isto que acontece nesta prova.
Não só os meninos foram sujeitos à ideologia veiculada pela "nomenklatura" europeia, como o que lhes era pedido se limitava a comentários de índole escolástica. Eis o início: “A União Europeia (EU) está empenhada no desenvolvimento sustentável. Para tal é necessário um equilíbrio cuidado entre prosperidade económica, a justiça social e um ambiente saudável. De facto, quando visados em simultâneo, estes três objectivos podem reforçar-se mutuamente. As políticas que favorecem o ambiente podem ser benéficas para a inovação e competitividade. Por sua vez, estas impulsionam o crescimento económico, que é vital para atingir os objectivos sociais.”
Se eu tivesse sido sujeita a este exame, reprovaria: não porque tivesse lido mal o que lá vinha, mas por saber que algumas das frases tidas como incontroversas são mais do que duvidosas. Dou um exemplo: “Inquéritos realizados têm demonstrado invariavelmente que a vasta maioria dos cidadãos da EU espera que os responsáveis políticos prestem tanta atenção à política ambiental como à política económica e à social.” Em que países se efectuou tal sondagem? Qual a amostra escolhida? Que margem de erro tinham as respostas? Ninguém sabe. Finalmente, a classificação das respostas – com um “V”, de verdadeira, ou “F”, de falsa – revela uma mente totalitária.
Seguia-se um texto de José Saramago sobre o sorriso. Não vou falar do suposto mérito literário do “nosso” Nobel, mas desejo reiterar que me parece absurdo fomentar a leitura com base em autores contemporâneos. Nem estes são de leitura acessível nem, mais importante, sabemos se têm mérito: um grande escritor é-o quando resistiu à erosão do tempo. Na segunda metade do século XIX, a elite nacional decidiu que o maior poeta português era Tomás Ribeiro, o qual, em 1862, publicara um poema intitulado "D. Jaime". O mais conceituado crítico da época, António Feliciano de Castilho, teve o desplante de considerar a obra como mais importante para o estudo da língua portuguesa do que "Os Lusíadas", o que não suscitou arrepios. Mas alguém é hoje capaz de ler, sem se rir, as linhas com que abre o "D. Jaime": “Meu Portugal, meu berço de inocente,/ lisa estrada que andei débil infante, variado jardim do adolescente,/ meu laranjal em flor sempre odorante/…”? Quem me garante que José Saramago não é o Tomás Ribeiro do século XX?
Fim da autonomia dos docentes
Faltava-me ler, com atenção, as instruções que o Ministério enviou aos professores encarregues de corrigir os exames. Escolhi o caso do exame de Português do 12.º ano. O que vi – quadradinhos com “níveis de desempenho”, listas com os “cenários de resposta” e grelhas com a “correspondência correcta” – deixou-me estarrecida. É certo que as instruções foram transcritas pelos jornais, mas, desacompanhadas dos exames, o leitor não tinha oportunidade de se aperceber da monstruosidade do esquema.
Não contente com a interferência na vida das escolas, o poder central entendeu por bem vigiar os examinadores de forma maníaca, não os deixando desviar uma linha do que os burocratas consideram “a” resposta correcta. A fim de que não se pense que sou tendenciosa, cito a primeira pergunta, relativa a "Os Lusíadas", na qual se pedia ao aluno que expusesse, sucintamente, o conteúdo das três primeiras estâncias. Nos critérios de avaliação enviados às escolas, especificava-se existirem três níveis de desempenho, o N3, no qual se expunha o conteúdo das três primeiras estâncias – a que se deveria dar 9 pontos – o N2, no qual se expunha o conteúdo de duas estâncias – que mereceria 6 pontos – e o N1, no qual se expunha apenas o conteúdo de uma das estâncias – ao qual se deveria dar apenas 3 pontos. É isto normal?
Na pergunta seguinte, depois de se ter afirmado que a “Fama” desempenhava um papel fundamental no processo de imortalidade, pedia-se ao aluno que referisse “três dos aspectos evidenciados nesse desempenho, fundamentando a sua resposta com citações do texto”. Seguia-se uma coisa designada como “cenário de resposta”, cujo objectivo era explicar aos professores o que eles sabem ou deviam saber: “A resposta deve contemplar os seguintes aspectos: a “ilha” (incluindo as Ninfas e Tétis) é o prémio, a recompensa dada aos marinheiros; os “deleites” são os triunfos, os louros (1ª estância); os prémios concedidos pela antiguidade eram atribuídos a quem fazia o difícil percurso da virtude (2ª estância); os deuses não passam de humanos que praticaram feitos de grande valor; daí terem recebido o prémio de imortalidade (3ª estância). Seguiam-se os critérios de avaliação, N3, N2 e N1, com a usual pontuação decrescente.
Na terceira pergunta, pedia-se, entre outras coisas, ao aluno para identificar a apóstrofe presente na estância 92. Lá voltavam a aparecer os “critérios específicos de classificação”, com a respectiva pontuação. No “cenário de resposta”, especificava-se que a resposta certa era “ó vós que as famas estimais”. Se um aluno respondesse, por exemplo, “ó vós” – o que estaria certo –, a resposta teria de ser considerada errada. É isto aceitável?
Demorei-me a analisar este texto porque, de entre todos – e como viram a escolha não é fácil – foi o que mais me escandalizou. Deste novo mundo, labiríntico, burocrático, totalitário, desapareceu a autonomia dos docentes, o dever de julgar e até o estímulo para separar os alunos marrões dos criativos. Se as perguntas de escolha múltipla já me tinham irritado, mais furiosa fiquei ao ver que o método era aplicado ao que antigamente se chamava uma redacção. Em grande medida, estas loucuras derivam da filosofia de avaliação expressa na obra de Valter Lemos, "O Critério do Sucesso: Técnicas de Avaliação da Aprendizagem" (1986).
Se isto choca nas chamadas Ciências Exactas, o facto é, nas Humanidades, uma anormalidade, uma vez que analisar um texto literário não é o mesmo que resolver um problema de Química. Nos anos 1960, a crítica literária teve de se defrontar com o marxismo e, depois, e em rápida sequência, com o estruturalismo, o post-modernismo e a semiótica, correntes demasiado exotéricas para que delas possa, ou queira, falar. A partir de então, a crítica literária foi tida como uma espécie de ciência. Tudo ficou de pernas para o ar, não me devendo eu espantar que a Língua Portuguesa tenha sido separada da História da Literatura nem que a análise do texto o seja dos respectivos autores. A coroar o disparate, o ministério optou por elaborar exames cujo objectivo é escamotear o facto de estarmos a formar uma geração incapaz de pensar, de falar e de escrever.
À volta da elite burocrática sediada no Ministério da Educação, existe hoje um enxame de “especialistas” que determina o que é, ou não, “correcto”. Os exames que elaboram poderiam ser substituídos por uns papeluchos como os do Totobola, nos quais os alunos fariam ao acaso umas cruzinhas, sendo estas posteriormente contadas por uma máquina. O actual secretário de Estado da Educação e os seus anões não pertencem à tradição humanística que fez a glória da cultura ocidental, mas a uma corrente pedagógica que vê o aluno como um robot e o professor como uma máquina registadora. O Português não é a sua pátria.
in Público - retirado daqui
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Fernando Martins
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7/05/2008 11:04:00 AM
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Terça-feira, Julho 01, 2008
150 de Evolucionismo - notícia no Público II
01.07.2008 - Clara Barata
Vinte anos a pensar numa ideia e de repente Wallace disse eureka
A 1 de Julho de 1858, a ideia de que as espécies evoluem ao longo dos tempos através da descendência com modificações foi pela primeira vez apresentada ao público, na Sociedade Lineana de Londres. Mas nem o respeitado naturalista britânico Charles Darwin, nem o mais jovem Alfred Russel Wallace - que, com uma carta enviada da Indonésia, fez Darwin decidir-se a tornar pública a ideia em que vinha a trabalhar há 20 anos - estavam lá. Quem apresentou o artigo "Sobre a Tendência das Espécies para formar variedades; e sobre a perpetuação das variedades e espécies através da selecção" foram dois cientistas amigos de Darwin, Charles Lyell e Joseph Hooker.
Nesse dia, Darwin ficou na sua casa de Down, de luto devido à morte de um dos filhos, e Wallace estava na ilha de Ternate, na Indonésia, a muitos quilómetros de distância, onde tinha chegado a um momento de eureka enquanto sofria com febre devido a um ataque de malária. Darwin e os seus amigos moveram-se rapidamente para apresentar as ideias dos dois cientistas juntas, mas de forma a garantir a primazia de Darwin - que, afinal de contas, andava a pensar nisso há duas décadas.
Mas a leitura do artigo enviado por Wallace a Darwin, mais alguns excertos de ensaios de Darwin, não teve grande impacte, nem nesse serão nem durante os meses seguintes. De tal forma que o presidente da Sociedade Lineana, ao fazer o resumo do ano de 1858, nem sequer a mencionou: "O ano que passou não foi marcado, de facto, por alguma descoberta fantástica daquelas que revolucionam a ciência."
O que trouxe a teoria de Darwin para a ribalta (e ofuscou Wallace, que foi remetido quase para uma nota de rodapé da história), e tornou a evolução através da selecção natural tema de conversa universal, desde os cafés e salões de barbearia até aos mais bem frequentados serões culturais, foi a publicação, em Novembro de 1859, do livro Sobre a Origem das Espécies. Neste livro, o cientista expunha as conclusões de duas décadas de reflexão cuidadosa - e angustiada - sobre o tema, explicado e reexplicado para que as suas ideias fossem compreendidas por todos, e não apenas pelos homens de ciência.
Quando a discussão sobre a teoria da evolução através da selecção natural se espalhou na sociedade, alguns contemporâneos de Darwin sentiram-se mesmo ofendidos, como se ele estivesse a matar Deus. Tirava o homem do centro da natureza, tal como Copérnico, no século XVI, tinha tirado a Terra do centro do sistema solar, substituindo-a pelo Sol. Tal como o heliocentrismo de Copérnico, a teoria da evolução desencadeou uma revolução científica, ao ligar-se, anos mais tarde, com a genética.
A ideia de evolução das espécies não era propriamente nova. Já outros tinham falado nisso, notando, pela ampla observação do mundo natural, dos fósseis e da geologia, que a Terra não podia ter apenas cerca de 6000 anos, como calculou um bispo britânico, baseando-se exclusivamente nos dados relatados no Velho Testamento. Nem as espécies se mantiveram sempre imutáveis, tal como Deus as tinha criado. Havia amplas provas disso, embora faltasse dar o passo fundamental para que esta ideia tivesse pés para andar: descobrir um mecanismo que explicasse como podiam as espécies mudar.
A novidade de Darwin foi propor esse mecanismo: a selecção natural. Este mecanismo diz-nos que características que conferem vantagens aos indivíduos na adaptação ao meio em que vivem - ter músculos das pernas fortes para correr, ou uma boa visão, tanto para distinguir a presa como o predador entre a folhagem, por exemplo - aumentam o sucesso reprodutivo desses indivíduos. Trocando por miúdos: quem for mais eficaz a evitar transformar-se no jantar de outra espécie tem mais oportunidades de ter mais filhos, passando as suas características favoráveis à próxima geração. Ao longo de muitas gerações, as espécies poderiam sofrer modificações importantes, que as transmutavam noutra espécie com características bem diferentes das originais.
E talvez ainda mais importante - e com consequências mais duradouras, no que toca à aceitação da sua teoria -, Darwin não excluía destas leis naturais o próprio homem. O Homo sapiens, apesar de se considerar especial e feito à imagem de Deus, não escapava à regra da selecção natural, como uma corça ou um leão. Também o homem descendia de outras espécies - provavelmente, partilharia antepassados recentes com os grandes primatas, como os chimpanzés e os gorilas, cujas parecenças com os homens são ainda tão fortes.
Chegar a estas conclusões não foi fácil para Darwin - apesar de se basearem em muitas experiências e observações minuciosas. Era um pouco como matar Deus - e ele não era propriamente ateu, chegou a estudar para ser padre. "Estou quase convencido (bem ao contrário da opinião com que comecei) de que as espécies não são (é quase como confessar um homicídio) imutáveis", escreveu ele em 1844, numa carta ao amigo botânico Joseph Hooker.
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Fernando Martins
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7/01/2008 11:57:00 PM
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150 de Evolucionismo - notícia no Público
01.07.2008, Clara Barata
Passados 150 anos sobre a apresentação da teoria da evolução, cresce o número dos que preferem a narrativa do Génesis - e a Europa e o mundo muçulmano são áreas de expansão
O Homo sapiens, a espécie a que todos pertencemos, é produto do acaso de milhões de anos de evolução, uma longa linhagem que nos liga aos grandes primatas, aos mamíferos que começaram a conquistar a Terra depois de terem desaparecido os dinossauros, há 65 milhões de anos, e até às primeiras bactérias? Ou é uma criatura feita à imagem de Deus, e por Deus, e cujo surgimento no planeta é relatado fielmente pelo Livro do Génesis? A resposta, talvez surpreendentemente, continua a não gerar unanimidade. As estimativas são muito incertas, mas boa parte dos 6000 milhões de pessoas que hoje vivem na Terra não dá primazia à explicação encontrada por Charles Darwin.
Faz hoje 150 anos que a teoria da evolução através da selecção natural foi pela primeira apresentada publicamente, numa leitura na Sociedade Lineana de Londres. Neste século e meio que passou, a teoria de Darwin - a que o filósofo Daniel Dennet chamou "a ideia mais brilhante que alguém já teve" - vingou e floresceu, unindo-se à genética, a partir do princípio do século XX. A descoberta das leis fundamentais da biologia permitiu o desenvolvimento de maravilhas como os antibióticos (que contrariam as leis naturais ao impedir que milhões de pessoas morram com infecções que antes eram mortais). No entanto, apesar de a teoria da evolução de Darwin se ter transformado numa pedra basilar do cânone da ciência e da cultura, continua a ser contestada por uma parte importante da população.
O paleontólogo e geneticista norte-americano Stephen Jay Gould dizia que a resistência à teoria da evolução de Darwin - um movimento com ideias variadas, mas que pode ser colocado sob o chapéu da designação "criacionismo" - era "uma controvérsia localizada e distintamente americana, como o Tio Sam ou a tarte de Maçã". Mas, nos últimos anos, esse movimento transformou-se num fenómeno internacional, embora de pequena escala, diz o historiador da ciência Ronald Numbers: "O antievolucionismo transformou-se num fenómeno global, um produto tão exportável como as calças de ganga ou o hip-hop."
Criacionismo múltiplo
"O criacionismo é a rejeição da evolução (e princípios científicos relacionados), em favor da criação por uma entidade sobrenatural. A versão mais proeminente, mas não a única, é a que defende que a Terra é muito mais jovem do que dizem os cientistas: apenas umas dezenas de milhares de anos", disse ao P2 Glenn Branch, vice-director do Centro Nacional para a Educação Científica, uma organização com sede na Califórnia que se dedica a combater o criacionismo.
Há criacionistas que aceitam que a Terra será muito mais velha que os 6000 anos estimados pelo bispo inglês James Usher no século XVII, que calculou que a criação do mundo por Deus tinha acontecido a 21 de Setembro de 4004 antes de Cristo. E há um movimento mais recente, ligado ao Instituto Discovery de Seattle, que procura afastar-se das referências bíblicas, para ter um aspecto científico, que é o dos defensores da "concepção inteligente": dizem que o Universo é demasiado complexo para não ter um criador inteligente, uma entidade que obedeceu a um determinado plano. Do acaso da evolução, que agiria de forma gradual, ao longo de gerações, não poderiam ter nascido estruturas complexas como o flagelo que algumas bactérias usam para se propulsionar, como se fosse uma cauda, dizem os partidários da "concepção inteligente", que são normalmente classificados como defendendo uma versão light do criacionismo.
Os muitos rostos da resistência à teoria da evolução têm despontado em vários locais da Europa. Polónia, Holanda, Suíça, Alemanha, Sérvia e Rússia são alguns dos países onde grupos de cidadãos e por vezes ministros expressaram, desde 2000, o desejo de que ideias criacionistas sejam ensinadas lado a lado com a teoria da evolução, como uma explicação alternativa.
No Reino Unido, por exemplo, onde o retrato de Darwin está nas notas de dez libras, gerou-se um escândalo em 2002, quando se soube que uma escola gerida por um grupo religioso, mas apoiada pelo Estado, ensinava a explicação bíblica para a origem da vida, comparando-a com a teoria de Darwin. E una sondagem divulgada em 2006 dava conta de que 12 por cento dos estudantes universitários britânicos aceitavam a explicação do criacionismo, enquanto 19 por cento se sentiam próximos das ideias do movimento da concepção inteligente.
A vanguarda turca
Muitos destes estudantes britânicos andavam nas faculdades de Medicina e eram provenientes de comunidades muçulmanas - o que mostra uma tendência forte dos últimos anos, que é a do crescimento da oposição à evolução entre a população islâmica. Ao que tudo indica, esse crescimento parece ligado à força do ressurgimento religioso na Turquia e, em particular, à actividade de Adnan Oktar (que se apresenta sob o pseudónimo literário Harun Yahya) e da sua Fundação para a Investigação Científica, que produz verdadeiras enxurradas de material defendendo as ideias criacionistas. "Usa elementos do criacionismo dos protestantes americanos, adaptado ao mundo islâmico", diz Glenn Branch.
Além de um site recheado de informação (http://www.harunyahya.com) e de muitas intervenções nas escolas turcas, distribuindo livros e DVD, no ano passado Harun Yahya expandiu-se para a Europa e até para os EUA, enviando a muitas escolas e cientistas cópias do luxuoso livro Atlas da Criação: o livro espanta, pela qualidade das fotografias e da impressão, mas o conteúdo não impressiona. São sobretudo fotos de fósseis e de animais e plantas que existem hoje, e que parecem totalmente iguais (pode-se fazer download do livro a partir do site). Estas imagens servem a Harun Yahya para defender que não houve evolução alguma, que as espécies se mantêm iguais, como sempre, desde que foram criadas.
A actividade de Harun Yahya liga-se à de outro importante movimento de inspiração religiosa turco, com o nome de Fethullah Gulen - este mês, Gulen foi considerado o intelectual mais influente do mundo, numa votação aberta, promovida pelas revistas Foreign Policy e Prospect. Os responsáveis pelas duas publicações dizem que a votação foi manipulada pelos adeptos de Gulen - próximo do partido no poder, o AKP, e em particular do Presidente Abdullah Gul -, que votaram em massa nele. E o site alemão International Relations and Security Network, da universidade de ciência e tecnologia ETH de Zurique (Suíça), diz que o Movimento Gulen se tem empenhado em iniciativas para promover o ensino nas escolas das ideias criacionistas. No ano passado, 600 cientistas turcos assinaram uma petição dirigida ao Ministério da Educação, alarmados com a presença cada vez mais forte das ideias criacionistas nos manuais escolares de Biologia.
Na Europa de Leste, a penetração das ideias criacionistas parece ter sido bem sucedida após a queda do Muro de Berlim, devido aos missionários evangélicos americanos que para lá se deslocaram, diz Glenn Branch, num artigo de 2007 ("Creationism is a Global Phenomenon"). Na Roménia, o Governo foi pressionado a modificar os manuais escolares, para que as crianças não encontrassem ideias contraditórias com as da Bíblia, e na Sérvia chegou a ser mesmo afastada a teoria da evolução dos currículos da escola primária, embora durante pouco tempo (a ministra responsável pela medida foi afastada). Na Rússia, uma aluna de São Petersburgo lançou um processo judicial para que o criacionismo fosse ensinado nas escolas, com o apoio do patriarca Alexius III (a autoridade máxima da Igreja Ortodoxa na Rússia), mas este foi recusado pelo tribunal.
Perigosa igualdade
Todos estes casos levaram o Conselho da Europa a emitir uma declaração, em Outubro de 2007, com um título claro: "Os Perigos do Criacionismo na Educação". "Estamos a assistir a um crescimento de modos de pensamento que desafiam o conhecimento estabelecido acerca da natureza, da evolução, das nossas origens e da nossa posição no Universo", lê-se no documento, que apela à acção para contrariar este movimento: "Há um risco real de se estarem a introduzir graves confusões na mente das nossas crianças, relativamente ao que são convicções e crenças e àquilo que é conhecimento científico. Uma atitude que considera 'todas as coisas em pé de igualdade' pode parecer tolerante e desejável, mas é na verdade perigosa."
Esta declaração é um alerta importante porque, como diz Kenneth Miller, professor de Biologia da Universidade Brown (Rhode Island, EUA) e protagonista da oposição ao avanço do criacionismo nos Estados Unidos, "as comunidades científicas na Europa ainda não começaram a encarar esta ameaça seriamente".
Mas por que está a rejeição da teoria da evolução a crescer? "As sondagens nos Estados Unidos mostram que, desde 1982, o apoio ao criacionismo se tem mantido mais ou menos constante", diz Glenn Branch. "Cerca de 50 por cento dos americanos rejeitam a teoria da evolução, e esta proporção tem-se mantido constante ao longo das décadas", diz Kenneth Miller, através de correio electrónico. "Na Europa, as ideias e tácticas do movimento da Concepção Inteligente são novas. Creio que uma porção substancial [da rejeição da teoria da evolução] se deve a um grande desconforto nas nossas sociedades quanto à ciência moderna. O antievolucionismo é uma forma de as pessoas lutarem contra uma ciência que consideram ameaçadora."
Dimensão política
Esta explicação dá uma dimensão política à rejeição da evolução - que aliás é reconhecida pela declaração do Conselho da Europa: "A guerra contra a teoria da evolução tem muitas vezes origem em várias formas de radicalismo religioso, com relações próximas a movimentos políticos de extrema-direita. O movimento criacionista tem um poder político real."
Se essa relação começa a ser reconhecida na Europa, é já bem conhecida nos EUA. "A evolução é um tema usado pelos membros mais radicais do Partido Republicano para derrotar os republicanos mais moderados nas eleições primárias", comenta, por e-mail, Jon Miller, especialista em literacia científica da Universidade do Michigan, que em 2006 foi o principal autor de um inquérito sobre a aceitação da evolução nos EUA, na Europa e na Ásia, publicado na revista Science. Os países que menos valor davam à teoria de Darwin eram a Turquia e os Estados Unidos.
Não é que as ideias criacionistas andem longe da Casa Branca. Pelo menos durante a campanha eleitoral, o Presidente Ronald Reagan apoiava que se ensinasse a palavra da Bíblia lado a lado com a evolução. E George W. Bush manifestou-se partidário de que "se ensinasse a controvérsia" - lema dos defensores da concepção inteligente, levado até às últimas consequências no julgamento de Dover, na Pensilvânia, em 2005, em que uma mãe processou o distrito escolar, que pretendia colocar adendas nos manuais de Biologia pondo em causa a validade da teoria da evolução.
O exemplo do tabaco
Na verdade, a insinuação da narrativa do Livro do Génesis nos currículos de Biologia e na mente dos cidadãos, semeando a dúvida, tem-se feito muito graças a dois factores, que têm longa história em assuntos polémicos de base científica, como os malefícios do tabaco para a saúde e o aquecimento global. Por um lado, a falta de conhecimento do público sobre ciência; por outro, o apelo ao sentimento de justiça, de dar tempo igual às duas partes de um debate.
"Esta questão tem muito a ver com a literacia científica. O problema é que muitos adultos, tanto nos EUA como a União Europeia, têm um conhecimento frágil sobre a forma como funciona a ciência. Aceitam a ideia de que a ciência se baseia em provas e que é metaforicamente semelhante a um julgamento - com dois lados a litigar, apresentando provas. Mas não sabem como se constrói o consenso científico nem distinguir temas que estão muito para além do que se pode debater de forma racional", diz Jon Miller.
"Quando o público se sente confiante sobre os seus conhecimentos numa determinada área, a estratégia de reclamar tempo igual para duas ideias em confronto não resulta. Por exemplo, ainda há pessoas que defendem que o Sol gira em torno da Terra - na verdade, há um número bastante surpreendente - e usam a mesma estratégia retórica, apelando a que se ensinem todas as visões sobre o tema. Mas a opinião pública não lhes dá crédito, porque a grande maioria sabe que este assunto já foi resolvido há muito tempo, e que há amplas provas científicas a demonstrá-lo", adianta Glenn Branch.
"É útil lembrar a mudança que ocorreu na opinião pública sobre o tabaco. Durante muitos anos, a indústria tabaqueira usou a abordagem da igualdade de oportunidades para apresentar os seus argumentos, dizendo que não eram ainda claros os efeitos do tabaco na saúde, ou que os cientistas não se entendiam entre si. Mas esse argumento foi perdendo força nos EUA e agora há muito menos americanos a fumar do que na Europa, no Japão ou na China", recorda Jon Miller.
Com a evolução, há ainda um grande desfasamento entre o que pensam os cientistas e o que pensa o cidadão comum. Esse é que é o problema, sublinha Glenn Branch. "Infelizmente, embora a validade da evolução já tenha sido resolvida há muito tempo, grande parte dos cidadãos não sabe disso, ou foram enganados, de forma a rejeitarem o consenso científico."
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Fernando Martins
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7/01/2008 11:53:00 PM
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150 de Evolucionismo!
Faz hoje 150 anos que, pela primeira vez, foi feita uma comunicação científica, na Sociedade Lineana de Londres, em que foi apresentada uma teoria da evolução científica.
Embora os autores não estivessem presentes (Alfred Russel Wallace estava na Indonésia e Charles Darwin estava de luto pela morte do filho mais novo, Charles), esta comunicação, feita por amigos de Darwin (Charles Lyell e Joseph Hooker) não foi muito notada e compreendida na altura - só com a publicação do famoso livro de Darwin é que os cientistas e os comuns mortais se aperceberam de todas as implicações desta teoria.
Celebremos a data, por muitos ignorada, neste momento em que uns certos parvos procuram, afanosamente, em nome de crenças religiosas anti-científicas, denegrir e destruir 150 anos de Ciência...

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Fernando Martins
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7/01/2008 11:32:00 PM
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